Irregularidade de chuva e custo de produção derrubam safra de milho no Paraná
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Agronegócio

Irregularidade de chuva e custo de produção derrubam safra de milho no Paraná

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Apesar dos problemas climáticos, com chuvas irregulares e mal distribuídas desde o início de 2004, a produção da primeira safra de milho no Paraná continua estimada em 7,6 milhões de toneladas. A previsão está dentro da estimativa inicial da Secretaria da Agricultura, mas com produção 9% inferior a do ano passado, quando foram colhidas 8,3 milhões de toneladas, numa área de 1,476 milhão de hectares. Esse ano a safra deve ser menor porque a área plantada foi de 1,353 milhão de hectares.

Segundo Vera Zardo, engenheira agrônoma do Departamento de Economia Rural (Deral), há lavouras prejudicadas pela falta de chuvas, com redução do potencial produtivo e com quebras, porém são situações localizadas que não vão refletir numa redução da estimativa total de produção do Estado. "Certamente o clima não foi tão favorável para o desenvolvimento das lavouras como no ano passado", explicou. Atualmente, lavouras da região centro-sul, principalmente Guarapuava e União da Vitória, são afetadas pela estiagem.

Cerca de 40% da área plantada de milho foi colhida até agora e a produtividade média obtida é de 6.800 kg/ha. A estimativa de rendimento médio final das lavouras paranaenses é de 5.600 kg/ha. Na safra passada, a produtividade média do milho da safra normal foi de 5.660 kg/ha. Dados da safra 02/03 indicam que no Paraná restam a ser vendidas 1,15 milhão de toneladas de milho, somando-se à safra normal e safrinha.

Pelo Porto de Paranaguá foram exportados até o momento 1,06 milhão de toneladas. Nos próximos meses, a tendência é que as exportações de soja se intensifiquem e que reduzam as de milho.

Área plantada

No Paraná, 37% da segunda safra foi semeada mas o clima está atrasando o plantio. No ano passado, nesse mesmo período, 57% das lavouras estavam plantadas. Na última avaliação do Deral, a área a ser plantada com milho safrinha foi reestimada de 1,45 milhão de hectares (estimativa de janeiro) para 1,3 milhão, ou seja uma redução de 10%.

De acordo com Vera Zardo, a falta de chuva aliada ao custo de produção elevado estão desestimulando o plantio. Agricultores estão devolvendo sementes, cancelando pedidos ou substituindo sementes de alta tecnologia por sementes de tecnologia inferior.

Para produzir 80 sacas, o produtor de milho do oeste paranaense tem um custo operacional estimado em R$ 977/ha, ou R$ 12,22 por saca. Considerando os preços atuais, de R$ 15,45, o produtor teria uma rentabilidade positiva, segundo a engenheira agrônoma, mas implantar uma lavoura de risco, como a safrinha, em condições climáticas adversas, e em muitos casos fora da época recomendada pela pesquisa, é um fator de desestímulo. "Esses produtores provavelmente vão optar por outra cultura, como trigo ou aveia", acredita Vera. O prazo máximo para o plantio da safrinha, no Paraná, de acordo com a recomendação do Ministério da Agricultura, terminou anteontem.


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