ITC acata acusação contra o suco brasileiro

Agronegócio

ITC acata acusação contra o suco brasileiro

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Os produtores de cítricos do Estado norte-americano da Flórida são mesmo prejudicados pelas importações de suco de laranja congelado e concentrado de laranja, segundo concluiu ontem a Comissão de Comércio Internacional do governo dos EUA (ITC), ao examinar a queixa apresentada pelos citricultores americanos, que acusa as empresas brasileiras do setor de prática de dumping. O parecer da ITC é a primeira das quatro etapas a serem vencidas pelos produtores americanos para que seja instituída uma tarifa compensatória para o suposto dano causado pela concorrência brasileira no seu mercado.

Os citricultores dos EUA pleiteiam sobretaxa de 78% para eliminar a defasagem entre os preços do suco brasileiro e de seu país. O Departamento do Comércio dos EUA precisa agora investigar o nível de "dumping" que as empresas brasileiras estariam praticando. A decisão definitiva sobre o caso deve sair até o final de 2005. A ação foi iniciada em 27 de dezembro.

Decisão esperada

O presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Cítricos (Abecitrus), Ademerval Garcia, não se pronunciou sobre a decisão americana. Mas o presidente da Associação Brasileira dos Citricultores (Associtrus), Flávio Viegas, disse que é compreensível que o governo dos Estados Unidos entendam que os preços cobrados em seu mercado seja resultado de prática de dumping. Para ele, a indústria cobra US$ 850 a tonelada de suco de laranja, enquanto que os custos reais de produção são superiores a US$ 1.050 a tonelada.

"Eles conseguem isso à custa do sacrifício dos produtores de laranja", disse Viegas. O representante dos citricultores disse que é inexplicável esse tipo de comportamento no mercado internacional. "Isso não é necessário, uma vez que o mercado de suco de laranja é inelástico, ou seja, o volume da demanda não aumenta com a redução dos preços".

Preço ao produtor

Viegas considera provável que o produto brasileiro seja mesmo onerado com tarifas compensatórias e isso, na sua opinião, deverá se refletir nos preços que a indústria paga pela matéria-prima aos citricultores. O produtores recebem hoje entre US$ 2,5 e US$ 3 a caixa de laranja. Esses valores estão abaixo dos custos de produção, disse Viegas. "É evidente que os produtores americanos iriam acabar se sentindo lesados pela concorrência exercida pelos exportadores brasileiros.


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