IV Paraná Orgânico debate modelo de agricultura sustentável no Paraná

Agronegócio

IV Paraná Orgânico debate modelo de agricultura sustentável no Paraná

Estarão presentes cerca de 1.200 pessoas entre agricultores orgânicos de todo o Estado, técnicos e estudantes de colégios agrícolas
Por:
307 acessos

O desequilíbrio ecológico que provoca estiagens sistemáticas nas regiões Oeste e Sudoeste do Paraná e Oeste de Santa Catarina e as chuvas torrenciais nos Estados do Acre e do Pará pode ser combatida com as práticas alternativas de agricultura ecológica que preservam o meio ambiente, disse o secretário da Agricultura e do Abastecimento, Valter Bianchini, na abertura do IV Paraná Orgânico. Segundo o secretário, o governo do Paraná está criando as condições para uma grande transição agroecológica para os 374 mil agricultores de todo o Estado.

O IV Paraná Orgânico acontece nesta quarta-feira (15) e quinta-feira (16) no Parque Newton Freire Maia, no município de Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba. Estarão presentes cerca de 1.200 pessoas entre agricultores orgânicos de todo o Estado, técnicos e estudantes de colégios agrícolas. Eles estão discutindo os rumos e trocando experiências sobre a produção orgânica e agroecológica e um modelo de agricultura mais sustentável no Estado.

“Precisamos dobrar a produção orgânica do Paraná para restabelecer a prática de um modelo alternativo de segurança alimentar para essa e para as futuras gerações”, disse o secretário Bianchini. Ele defendeu a redução no uso de agrotóxicos nas lavouras que são tão prejudiciais à saúde e provocam doenças cancerígenas. O delegado do Ministério do Desenvolvimento Agrário no Paraná, Reni Denardi, também defendeu a necessidade de enfrentar o desafio de uma produção orgânica voltada para as massas. “A produção orgânica ainda é pequena, pouco diversificada e atende nichos de mercado”, disse.

O deputado estadual Luiz Eduardo Cheida, também presente à abertura do IV Paraná Orgânico, alertou para o envenenamento dos alimentos por agrotóxicos. Ele mencionou uma pesquisa que 88% das mulheres do Norte do Paraná, em período de aleitamento, oferecem leite contaminado a seus bebês. “O que esperar de uma sociedade que o primeiro alimento já é envenenado e contaminado?” perguntou.

O Paraná produziu na safra 2007 107.230 toneladas de produtos orgânicos entre soja, açúcar-mascavo, mandioca, erva-mate, feijão, arroz, hortaliças, frutas e plantas medicinais, além da produção animal e mel. O volume total da produção orgânica representa um faturamento estimado de R$ 105 milhões.

A produção orgânica no Estado está em franca expansão. O governo do Estado desencadea ações nesta área desde 1982 quando um grupo de 15 agricultores familiares iniciou a produção de hortaliças, legumes e frutas orgânicas no município de Agudos do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba. Hoje o Paraná é um dos Estados mais expressivos na produção orgânica, desenvolvida exclusivamente pela Agricultura Familiar. No Estado são 5.300 produtores, cuja área média de exploração é de 2,4 hectares por família. Em 2007, a área total ocupada com produção orgânica atingiu 12.720 hectares.

A transição prevista para o Paraná passa pelo resgate de um modelo de agricultura sustentável que predominou até o início do século XX, quando não tinha a aplicação de grandes volumes de agrotóxicos e grandes máquinas que provocam a compactação do solo. Também havia agricultores que trabalhavam com modelo de forte integração entre lavoura e pecuária, plantas companheiras e integração com a natureza.

Foi a partir da década de 50 e 60 – lembrou o secretário – que foi incentivado outro modelo para a agricultura, mais dependente de agroquímicos, sementes transgênicas, mecanização intensiva e da monocultura. Segundo Bianchini, para esses agricultores que produzem em escala a Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab) vem trabalhando com o programa Manejo Integrado de Pragas (MIP) que prega o uso do veneno somente quando a praga ou a doença se manifesta na lavoura.

Para os demais agricultores, o secretário lembrou que há um conjunto de práticas conservacionistas que levam a agricultura sustentável, onde o uso de máquinas agrícolas não provoca mal ao solo e o modelo de agricultura induz à diversificação na propriedade e integra a lavoura e a pecuária como acontecia no início do século. Segundo o diretor da Emater, Carlos Antonio Biasi, são mais de 100 técnicos da instituição que atendem pelo menos 50% do conjunto de agricultores orgânicos existentes no Paraná.

Bianchini destacou que a prática da produção orgânica requer um suporte de comercialização que incentive cada mais esse modelo. Citou como exemplo o mercado de orgânicos da prefeitura municipal de Curitiba, o primeiro no gênero no País, que recebe e comercializa a produção orgânica da agricultura familiar.

Atenção: Para comentar esse conteúdo é necessário ser cadastrado, faça seu cadastro gratuíto.
  • Clicar no botão Entrar caso já possua cadastro no Agrolink
  • Se não tiver cadastro ainda em nosso site Cadastre-se gratuitamente e terá acesso a conteúdos exclusivos
  • Clique aqui todas as vantagens de fazer seu cadastro no Agrolink