Junho mantém trajetória de lenta recuperação parcial nos preços do arroz

Agronegócio

Junho mantém trajetória de lenta recuperação parcial nos preços do arroz

Valor segue muito abaixo do preço mínimo indicado pelo governo
Por:
1491 acessos
Indicador Esalq/BVMF mantém evolução positiva nos preços, mas muito lenta e com oscilações em razão das variáveis de mercado. Valor segue muito abaixo dos R$ 25,80 do preço mínimo de garantia indicado pelo governo brasileiro


O mês de junho alcança o dia 20 com os preços do arroz em casca do Rio Grande do Sul em lenta e gradual recuperação, com oscilações provocadas pelas variáveis do mercado nacional e internacional. Os mecanismos de comercialização, abundantes no momento, e o alongamento de prazos para o pagamento de custeios de safra e comercialização têm sido determinantes, mas o espaço de recuperação até a referência de preços de importação, também ajuda numa elevação dos referenciais internos.

Até a manhã desta segunda-feira, 20 de junho, a cotação média teve alta de 1,1% nos preços do arroz, segundo o Indicador de Preços do Arroz em Casca Esalq/Bolsa Brasileira de Mercadorias (BVMF). A média referencial de preços de fechamento da última sexta-feira (17/6) foi de R$ 19,46 para a saca de arroz em casca de 50 quilos (58x10) colocada na indústria gaúcha. Dois centavos a mais que na sexta-feira anterior, depois de ter alcançado até R$ 19,48 e ter baixado até R$ 19,36 ao longo da semana.

Em dólar, a sexta-feira indicou valor de US$ 12,19, pelo câmbio do dia, dois centavos de dólar a mais do que há uma semana. No entanto média semanal de preços foi de R$ 19,43, mais significativa do que a média da semana anterior, de R$ 19,29, com alta de 0,57%.

No mercado livre as negociações continuam lentas no Rio Grande do Sul, com os produtores financiados pela indústria bastante pressionados e boa parte das empresas fora do mercado, apenas operando com seus estoques disponíveis. Em Santa Catarina, a estabilidade de preços e o alto custo da lavoura, associados à baixa rentabilidade, mantêm a pressão sobre os agricultores, com médias referenciais de preço entre R$ 19,00 e R$ 20,00. No Mato Grosso, referencial entre R$ 23,00 e R$ 25,00 nas praças de maior produção, em razão da qualidade e do volume de oferta de arroz ao final da safra.

Os mecanismos de comercialização seguem sendo a tábua de salvação dos produtores gaúchos, ao menos aqueles que têm acesso aos leilões. Indiretamente, esta ação atinge ao mercado e os demais produtores. Na semana passada o leilão de contratos de opção, negociou 100% da oferta, o que favorece o cenário para que os preços sigam evoluindo gradualmente. O alongamento dos prazos para pagamento, negociado diretamente entre produtores e instituições financeiras, ajuda.

Segundo analistas, o arroz tem fôlego para se recuperar até o patamar de R$ 21,50, referência da paridade de importação. A partir deste valor, torna-se vantajoso adquirir arroz uruguaio e argentino. Mais R$ 1,00 e o próprio arroz norte-americano e asiático pode se tornar atraente, o que estabelece uma espécie de teto para boa parte do arroz brasileiro (que ficar de fora dos mecanismos de comercialização).

São intensas as manifestações de arrozeiros no Fórum do Leitor do site Planeta Arroz, falando sobre redução de áreas, de custos e medidas que rentabilizem a cultura em 2012. As chuvas que atingiram a Campanha e a Fronteira Oeste esta semana não foram suficientes para recuperar as barragens, o que mantém uma expectativa sobre a limitação de área de cultivo para a safra 2011/12 nas principais regiões de cultivo do RS.

ARMAZENAGEM

A Conab vai anunciar esta semana, a simplificação de regras para o credenciamento de unidades armazenadoras no RS. Será permitido substituir, temporariamente, a garantia de 5% por retenção de parte da verba repassada pela companhia. Com isso, a expectativa é de mais rapidez na regularização de silos e na negociação de arroz por AGFs.

MOBILIZAÇÃO

Nesta segunda e na terça-feira, a Federarroz e demais entidades da produção arrozeira comandam uma mobilização pelo setor na Assembléia Legislativa gaúcha e junto ao Governo do Estado e a Federação das Associações de Municípios do RS (Famurs), apontando graves efeitos na economia destes municípios em razão da desvalorização do arroz e solicitando mais um conjunto de medidas emergenciais para auxiliar a cadeia produtiva. A má-notícia da semana ficou por conta da apropriação pelo Caixa Único do Governo do Estado do Rio Grande do Sul, de uma fatia importante dos recursos da CDO, taxa paga pelos arrozeiros para financiar a pesquisa setorial e ações de respaldo à cadeia produtiva. O governo gaúcho utilizará os recursos, mais uma vez, para cobrir despesas gerais do Estado.

MERCADO

A Corretora Mercado, de Porto Alegre, indica estabilidade nos preços médios do arroz e a maior parte de seus derivados no mercado gaúcho. A saca de arroz de 50 quilos, em casca, é comercializada, em média, a R$ 19,00, enquanto o saco de 60 quilos, beneficiado e sem ICMS, manteve indicação de R$ 40,50. Entre os derivados, apenas o canjicão se valorizou, principalmente em razão das exportações de quebrados de arroz. O valor da saca de 60 quilos do produto passou de R$ 29,00 para R$ 30,00. A tonelada (FOB) do farelo de arroz se manteve nos R$ 230,00 alcançados na semana passada e a quirera, em 60 quilos, estável na cotação de R$ 25,00.

Atenção: Para comentar esse conteúdo é necessário ser cadastrado, faça seu cadastro gratuíto.
  • Clicar no botão Entrar caso já possua cadastro no Agrolink
  • Se não tiver cadastro ainda em nosso site Cadastre-se gratuitamente e terá acesso a conteúdos exclusivos
  • Clique aqui todas as vantagens de fazer seu cadastro no Agrolink