Lavouras de soja em bom estado apontam resultado positivo da safra de verão goiana

Agronegócio

Lavouras de soja em bom estado apontam resultado positivo da safra de verão goiana

A regularidade, o volume e a distribuição de chuvas têm beneficiado os cultivos
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A regularidade, o volume e a distribuição de chuvas têm beneficiado os cultivos

O bom desenvolvimento das lavouras de soja e as previsões climáticas indicam que Goiás deve iniciar 2017 com uma safra cheia. A regularidade, o volume e a distribuição de chuvas pelo Estado até o momento têm beneficiado os cultivos. Poucos foram os relatos de regiões que ficaram mais de uma semana sem receber água após o plantio da cultura, mesmo assim, não havendo comprometimento do potencial produtivo.

Nesta segunda quinzena de dezembro, há plantações em praticamente todos os estágios de desenvolvimento, desde a fase avançada de enchimento de grãos, nas regiões onde a terra foi semeada nas primeiras semanas de outubro, até uma menor parcela que ainda está em fase vegetativa, devido ao plantio ter avançado pelo início de dezembro.

“Estamos esperando uma safra bastante positiva, com o clima se comportando bem e as lavouras em ótimas condições. O plantio da soja ocorreu na janela adequada, o que aumenta a nossa expectativa de boa colheita também para o milho safrinha”, ressalta o presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Goiás (Aprosoja-GO), Bartolomeu Braz Pereira.

Se as projeções da Aprosoja-GO em parceria com a Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg) forem confirmadas, a produção estadual de soja deve bater um novo recorde na safra 2016/17 e alcançar 10,38 milhões de toneladas em 3,35 milhões de hectares.

Pragas e doenças

Ao mesmo tempo em que a chuva favorece as lavouras, o produtor precisa ficar atento ao aparecimento de pragas e doenças influenciadas pela maior umidade no solo e no ambiente. Entre elas, o consultor técnico da Aprosoja-GO, Cristiano Palavro, destaca o percevejo castanho, cuja ocorrência está mais intensa nesta safra. “Desde sua fase de ninfa até a forma adulta, o inseto ataca as raízes, prejudicando a absorção de nutrientes pela planta. A presença desse percevejo está relacionada à umidade do solo, sendo observadas infestações maiores na soja em anos de chuvas mais precoces, como o atual”, explica.

Para o presidente da Aprosoja-GO, preocupa muito a possibilidade de aumento da ocorrência de ferrugem asiática, que já foi registrada nesta safra em Estados vizinhos, como Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. “O tempo fechado e úmido favorece o fungo causador da doença. É importante o produtor redobrar a atenção nas lavouras e fazer o manejo preventivo para garantir um maior controle”.

Também merecem atenção, segundo Bartolomeu, a presença de plantas daninhas resistentes ao glifosato, como buva e capim amargoso, e de lagartas dos gêneros Spodoptera e Helicoverpa.  Outro problema recorrente são os ataques de mosca branca, principalmente em áreas irrigadas ou próximas de cultivos de feijão. “Essas pragas e doenças afetam muito nossos custos de produção e se mal manejadas reduzem bastante o potencial produtivo”, afirma o presidente da Aprosoja-GO.

Oportunidades de mercado

Como a soja está se desenvolvendo bem em praticamente todo o País, a expectativa de uma supersafra – 102,45 milhões de toneladas, conforme a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou este mês – pode pressionar negativamente os preços. Porém, avalia Palavro, com a demanda mundial sólida e crescente pela soja, o cenário de preços ainda se mantém com boa sustentação.

O dólar também contribuiu para o cenário de preços mais favorável à soja no Brasil. Antes da eleição presidencial nos Estados Unidos, economistas apontavam estabilidade da moeda em torno de US$ 3,10 ao final de 2016, mas com a vitória de Donald Trump e os anúncios de elevação da taxa de juros americana, o dólar voltou a ser cotado na faixa de US$ 3,40 e as projeções indicam a manutenção do câmbio nestes patamares.

“Essa perspectiva de dólar é favorável aos setores exportadores”, informa o consultor técnico da Aprosoja-GO, que estima em 40% da produção a venda antecipada de soja em Goiás. “É fundamental que o produtor analise a dinâmica dos preços para aproveitar de forma mais rentável as oportunidades do mercado”, reforça Palavro.

No caso do milho safrinha, as estimativas de produção são positivas até o momento, já que o plantio da soja mais cedo favorecerá a semeadura do milho dentro da janela ideal. Já o mercado sinaliza acomodação dos preços em níveis mais próximos da normalidade, após os recordes registrados em 2016 devido ao aumento das exportações e à quebra de safra.

“Os preços do milho vêm se acomodando perto de R$ 30 por saca, refletindo as expectativas de boa safra e recuperação dos estoques internos.”, explica Palavro. “Os efeitos do dólar em alta são mais intensos nos negócios de milho para o segundo semestre, período onde se concentram nossas exportações”, completa.


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