Lei amplia o mercado da mandioca
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Agronegócio

Lei amplia o mercado da mandioca

Programas sociais deverão distribuir alimentos com até 10% de fécula de mandioca no trigo. Projeto aprovado no Congresso segue para sanção do presidente Lula
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O projeto de lei que prevê a adição de derivados de mandioca à farinha de trigo usada na produção de alimentos de programas do governo promete elevar preços e expandir o cultivo da raiz em todo o Brasil. Aprovado pelo Congresso, o documento segue para a sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O setor da mandioca calcula que o país vai economizar algo em torno de R$ 100 milhões por ano, que seriam gastos na importação de trigo.

O presidente da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva da Mandioca e Derivados, João Eduardo Pasquini, acrescenta que, para suprir os 10% de acréscimo previstos na lei, são necessárias aproximadamente 700 mil toneladas de fécula por ano – quase 100 mil a mais que a produção atual.

A farinha de trigo usada na produção de alimentos deve ter 3% de derivados de mandioca no primeiro ano da lei, 6% no segundo e 10% a partir do terceiro. “Não teríamos condições de atender a demanda dos 10% agora, pois nosso setor está produzindo pouco mais de 600 mil toneladas de fécula por ano”, disse Pasquini. O Paraná é o maior produtor do país, com cerca de 400 mil toneladas/ano.

A previsão é que a produção de raiz e de fécula vai crescer gradativamente e será suficiente para suprir a exigência legal no início da próxima década. As indústrias instaladas são capazes de produzir 1,3 milhão de toneladas de fécula atualmente e estariam 50% ociosas por falta de mercado.

Segundo o Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria Estadual da Agricultura (Seab), a área atual de cultivo de mandioca é de 179 mil hectares. A previsão é que a colheita ultrapasse 4 milhões de toneladas de raiz. A indústria de fécula absorve menos de um terço da produção.

Segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Amido de Mandioca (Abam), a lei favorece o pequeno agricultor, responsável por 58% da produção nacional. As lavouras não-mecanizadas exigem farta mão-de-obra do plantio à colheita.

Aos poucos, as áreas de plantio aumentarão, afirma o presidente da Associação dos Produtores de Mandioca do Noroeste do Paraná, o produtor de mandioca Cleto Lanziani Janeiro. A expansão deve ocorrer nas principais regiões de cultivo, avalia.

No Paraná, a liderança é da região de Paranavaí, que tem 38 mil hectares plantados. Nas últimas três safras, o estado elevou a área cultivada de 150 mil para 180 mil hectares, o que fez a produção saltar de 3,4 milhões para 4 milhões de toneladas. “O produtor é um eterno otimista. Se o governo der condições, não tenho dúvida que o Brasil produzirá mais”, diz Janeiro.





O projeto

O Senado aprovou e agora o projeto 22/07 aguarda sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Fécula – Em vigor, a lei fará com que os alimentos distribuídos através de programas sociais pelos municípios, pelos estados e pela federação contenham menos trigo e mais fécula de mandioca.

Gradual – A mistura de derivados de mandioca será de 3% na farinha de trigo no primeiro ano, de 6% no segundo e de 10% a partir do terceiro ano.

Proteínas – A concentração de proteínas, que corresponde a até 12% do peso do trigo, pode cair para 10%, uma vez que na fécula de mandioca essa proporção é de apenas 1,5%.

Vantagem – A previsão é que a produção de mandioca seja ampliada em 10%. O Paraná, que é o principal produtor de fécula, deve ser um dos estados mais beneficiados.

Trigo – Os moinhos não acreditam que haverá redução na necessidade de importação de trigo, até porque o consumo interno está crescendo. A produção de trigo aumentou no último ano, mas os preços estão em baixa, o que pode desestimular os triticultores na próxima safra.


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