Líderes sugerem que governo leve propostas concretas para Rio+20
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Agronegócio

Líderes sugerem que governo leve propostas concretas para Rio+20

Entre as sugestões tiradas do Fórum ABAG Despertar para a Rio+20 estão: imposto zero para energia renovável e acabar com a fome de 200 milhões no mundo em 10 anos
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Entre as sugestões tiradas do Fórum ABAG Despertar para a Rio+20 estão: imposto zero para energia renovável e acabar com a fome de 200 milhões no mundo em 10 anos

O governo brasileiro deveria levar para a Rio+20, a Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, que acontece no Rio de Janeiro em junho, uma proposta simples, objetiva e com a qual todos do mundo concordariam: uma agenda mundial voltada para a segurança alimentar e energética com sustentabilidade que resulte, por exemplo, no compromisso de acabar com a fome de 200 milhões de pessoas no mundo em 10 anos. Paralelamente deveria ser proposto também imposto zero para produção de energia renovável. Tais recomendações fazem parte das conclusões tiradas do Fórum ABAG “Despertar para a Rio+20”, promovido na semana passada, em São Paulo, pela Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG).
 
De acordo com Ingo Plöger, diretor da ABAG, como a Rio+20 não tem ainda um objetivo qualificado e conclusivo, o governo brasileiro poderia propor uma meta concreta e mobilizadora como foi a redução de CO2 proposta em 1992. “Temos hoje no mundo 1 bilhão de pessoas passando fome. Penso que temos uma corresponsabilidade humanitária de propor, por exemplo, de acabar com a fome de 200 milhões de pessoas em 10 anos. Teríamos uma pauta mobilizadora, com objetivo claro, permitindo que todos os países pudessem atingir a meta como acontece hoje com a redução de CO2. Do contrário, teremos mais uma carta de intensões e esperaremos a Rio+30 ou a Rio+50 para que alguma ação seja feita”, diz Plöger.
 
Na avaliação de outro participante do evento, o ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, o país precisa aproveitar o momento em que ele será o ator principal de um palco iluminado e de grande visibilidade mundial para anunciar medidas que não sejam apenas promessas, como a desburocratização efetiva do programa ABC - Agricultura de Baixo Carbono, além de mostrar ao mundo o novo código florestal como uma conquista do país e não como um drama. “O governo também precisa recordar na conferência as conquistas do agronegócio brasileiro nos últimos anos. Devemos lembrar, por exemplo, que, enquanto a área plantada de grãos cresceu 30% nos últimos 20 anos, a produção de grãos cresceu 180%”, afirma Rodrigues, que atua hoje em várias universidades e é membro do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) da Fiesp – Federação das Indústrias do Estado de São Paulo.

No entender do ex-ministro, o palco da Rio+20 é próprio ainda para explicitar que por traz dessa evolução impressionante na agricultura brasileira está a constatação de que hoje temos 50 milhões de hectares cultivados e que se mantivéssemos a mesma produtividade de 20 anos atrás, precisaríamos ter desmatado 57 milhões de hectares a mais. “Isto é fato. Isso está feito, não é promessa ou compromisso diplomático”, diz o ex-ministro, para quem isso terá um impacto importante nos debates a serem realizados no Rio.
 
Outro aspecto lembrado pelos líderes do agronegócio durante o fórum da ABAG é que a cadeia do etanol, considerando desde a produção na usina até o uso do combustível pelos automóveis emite apenas 11% do CO2 emitido pela gasolina. “Nesse sentido, precisamos apoiar a lógica do governo brasileiro, que é a de conduzir a discussão na Rio+20 para a direção em que haja equilíbrio no tripé econômico, ambiental e social”, comenta o recém eleito presidente da ABAG, Luiz Carlos Corrêa Carvalho, salientando que os dados sobre redução de emissão de CO2 na cadeia do etanol são de uma pesquisa feita pela Unicamp e não pelo setor e que levou os EUA a entenderem o etanol de cana brasileiro como avançado.
 
Ele lembra ainda que, além da cadeia do etanol, o Brasil tem, na sua agricultura, uma série de outros exemplos de “economia verde” que podem ser compartilhados com outros países do mundo. “Entendemos que na Rio+20 teremos a oportunidade de mostrar ainda nossa evolução no plantio direto e a integração lavoura-pecuária-floresta. Por tudo isso, não podemos deixar que o foco da conferência fique concentrado somente nos aspectos ambientais”, finaliza Carvalho.

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