Live discute conservação de etnovariedades de mandioca na Amazônia
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Imagem: Marcel Oliveira

AGRICULTURA

Live discute conservação de etnovariedades de mandioca na Amazônia

As pesquisas sobre serão o foco do debate online realizado na próxima quarta-feira
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As pesquisas sobre “Etnovariedades de mandioca: usos e conservação” serão foco do debate online realizado na próxima quarta-feira, dia 2 de setembro, no âmbito da série “Amazônia em Foco”. A ação é uma parceria entre Unidades da Embrapa, com ênfase na discussão de temas de importância econômica e social que pautam a pesquisa agropecuária na região. O encontro virtual acontece às 16h, no horário de Brasília, no canal da Embrapa no Youtube - https://youtu.be/UMXwt6s2GJY.

Os participantes vão discutir sobre os estudos em andamento nos estados do Acre, Pará e Mato Grosso e as contribuições da pesquisa científica para a conservação de variedades de mandioca utilizadas por agricultores familiares e populações tradicionais na Amazônia. Segundo o pesquisador da Embrapa Acre, Amauri Siviero, que será moderador no evento, a região é considerada o centro de origem e diversidade da cultura, com cerca de 90 espécies. Estima-se que nos roçados amazônicos sejam cultivadas milhares de variedades de mandioca.

“As pesquisas para caracterização e seleção de variedades de mandioca, buscam identificar materiais genéticos e conhecer sua variabilidade, seja fruto de cruzamentos realizados informalmente pelos agricultores ou de seleção genética em estudos científicos. Essas informações são essenciais para conservar a diversidade das espécies e para embasar novas pesquisas voltadas para distintos aspectos da cultura como resistência a pragas e doenças e desempenho produtivo, sob diferentes circunstâncias”, explica o pesquisador.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil produziu 17,6 milhões de toneladas de raíz de mandioca, em 2018, movimentando um valor bruto de 9,7 bilhões de reais. Produzida de Norte a Sul do País, a cultura é fonte de trabalho e renda para milhares de produtores rurais, principalmente na agricultura familiar. A live é dirigida a agricultores, técnicos de extensão rural, pesquisadores, professores, estudantes e outros públicos interessados na cultura da mandioca.  Os internautas poderão fazer perguntas e tirar dúvidas sobre o tema do encontro por meio de chat durante a transmissão.

Avanço do conhecimento

A Embrapa realiza pesquisas para conservação in vitro de variedades de mandioca há mais de 40 anos. No Acre, o trabalho envolve a avaliação de etnovariedades coletadas em comunidades tradicionais de diversos municípios, especialmente da região do Juruá, principal polo produtor de mandioca, e materiais promissores coletados em outras regiões. O avanço do conhecimento sobre características físico-químicas desejáveis como teor de amido, acidez, fibras, proteína bruta e açucares redutores permite identificar variedades para o consumo in natura (mesa) e para a produção de farinha.

“Os estudos também buscam testar e selecionar materiais mais produtivos e adaptados às condições de clima e solo da região. Como resultado, já foram recomendadas quatro variedades de mandioca para cultivo no estado, duas para produção de farinha e duas para mesa. O uso de variedades recomendadas pela pesquisa, com maior rendimento por hectare, é uma alternativa para potencializar o uso da terra e reduzir a pressão por novos desmatamentos na Amazônia”, enfatiza Siviero.

Manutenção da cultura

No Estado do Pará, principal produtor nacional de mandioca, com 3,8 milhões de toneladas de raízes ao ano, conforme dados do IBGE, além da conservação de espécies em banco de germoplasma são realizados estudos agronômicos, químicos e moleculares para conhecer melhor a diversidade de variedades na Amazônia e suas aplicações. A pesquisadora da Embrapa Amazônia Oriental (Belém), Elisa Cunha, uma das convidadas da live, destacará a conservação de variedades como uma forma de garantir a manutenção da cultura, já que a população rural está envelhecendo e os filhos dos mandiocultores estão saindo das propriedades rurais e migrando para a cidade.

Na opinião da especialista, o abandono dos plantios implica perda de variedades tradicionalmente utilizadas não só na produção de farinha, mas também na elaboração de produtos da culinária regional como tucupi, goma e maniçoba, além de bebidas alcoólicas. “O futuro da produção de farinha e derivados da mandioca pode se restringir à indústria. Por isso, é essencial manter parte dessa variabilidade genética em espaços de pesquisa, nas instituições, tanto para a sua conservação como para viabilizar a continuidade das pesquisas”, ressalta.

Prospecção de amidos

Já no Mato Grosso, as pesquisas iniciais desenvolvidas pela Embrapa Agrossilvpastoril (Sinop) buscavam compreender a relação dos agricultores familiares com as variedades de mandioca cultivadas, a partir do manejo e uso de sementes, com o objetivo de conhecer a diversidade desses materiais. Com o tempo, além do caráter etnobotânico, o trabalho contemplou a caracterização de teores de ácido cianídrico nas variedades e avaliações para identificação de aspectos morfológicos e agronômicos como potencial produtivo, época de colheita e tempo de prateleira.

Durante a live a pesquisadora Eulália Hoogerheide contará a trajetória desse trabalho, do princípio aos enfoques atuais, entre eles a caracterização de amido nas etnovariedades cultivadas no estado para fins comerciais, processo que visa valorizar a cultura e atender um nicho de mercado específico: os amidos naturais diferenciados. Entre os resultados dos estudos está a confirmação de variações nos tipos de amido presentes nesses materiais e a validação de um protocolo para facilitar o trabalho de prospecção de amidos nas etnovariedades de mandioca.

“A tendência do mercado mundial é deixar de utilizar amidos modificados quimicamente e, com a possibilidade de termos variados tipos de amido naturais nas etnovariedades de mandioca da região, poderemos atender a demandas específicas da indústria alimentícia”, afirma a pesquisadora.

 

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