COMPETITIVIDADE

Logística brasileira é 3X mais cara que a de concorrentes

A afirmação é do presidente da CNA, João Martins
Por: -Leonardo Gottems
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“A logística e o agro são questões sérias demais e precisam de um novo olhar e de novas soluções. Há capital e capacidade empresarial no Brasil e no mundo à nossa disposição. Não vamos deixar que a ideologia, os interesses especiais e a má política ponham mais pedras em nosso caminho”. A afirmação é do presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), João Martins.

O dirigente estranha que os custos de transporte da produção agropecuária no Brasil cheguem a ser três vezes maiores do que o de nossos concorrentes diretos, como a Argentina e os Estados Unidos: “Conhecemos o problema muito bem, convivemos com ele há muito tempo. A infraestrutura logística do país, suas estradas, suas ferrovias, seus portos, foi construída antes da explosão do agronegócio e serve apenas à antiga geografia de produção”.

O presidente da CNA defende que é necessário proteger a competitividade dos produtores brasileiros no mercado internacional, para que seja “justamente remunerado por todos os seus ganhos de produtividade e pelo esforço e o risco de produzir”. Segundo ele, a logística nacional precisa de um “novo olhar” e de “novas soluções”.

Falando na abertura do Fórum Estadão – Logística e Infraestrutura no Agronegócio, Martins lembrou que “dentro da porteira” o produtor rural é “capaz de produzir cada vez mais e melhor, mas levar as mercadorias para os mercados ou para os portos é cada dia mais um pesadelo. Os ganhos de produtividade são perdidos ao longo dos caminhos pelos custos absurdos do transporte. Por milhares de quilômetros de caminhão em estradas precárias, por ferrovias inadequadas e por portos congestionados”.

Ele reclamou da situação das rodovias, onde pelo menos 60% das cargas são transportadas (especialmente as do Norte, Centro-Oeste e Matopiba), que muitas vezes não possuem pavimentação e são mal conservadas. O dirigente afirmou que essas sondições elevam, em média, em cerca de 25% os custos do frete. “São valores que ultrapassam a margem de lucro do produtor e causam perdas e desperdícios previsíveis. O modelo de concessão que adotamos é concentrador de mercado. Apresenta oferta reduzida de serviços e pratica tarifas elevadas”, concluiu.
 

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