Lula pede eliminação das barreiras comerciais


Agronegócio

Lula pede eliminação das barreiras comerciais

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Exportar não é suficiente. Foi este o recado que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva transmitiu aos ministros Roberto Rodrigues (Agricultura) e Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento, Indústria e Comércio) durante inauguração de uma fábrica da Cocamar, em Maringá (PR). Em cima de um palanque e ao lado dos dois ministros, Lula disse que ambos têm uma "tarefa heróica": a de brigar na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra as barreiras tarifárias impostas pelos Estados Unidos e pela Europa. "Outra vez bateremos o recorde de exportação dos nossos produtos agrícolas, mas não se trata apenas de exportar", advertiu o presidente.

"Nós vamos brigar na OMC porque não acreditamos na idéia de que o mercado tem de ser livre e que precisa haver livre comércio se, quando chega na hora de o Brasil vender os seus produtos, cada um coloca um obstáculo para dificultar a nossa entrada."

Lula destacou a importância da agricultura e insistiu em que a balança comercial brasileira só adquiriu o peso que tem por causa do setor. Depois, dirigindo-se a Rodrigues e Furlan, a quem chamou de "meus caros", o presidente afirmou que os dois sabem o papel a desempenhar. No meio do palanque, ele comparou sua função à de um técnico de futebol, que apenas dá orientações aos jogadores. "Não quero saber para onde vocês estão viajando", disse Lula para os ministros. "O que quero saber é que precisamos aumentar, e muito, a nossa balança comercial."

O presidente defendeu o cooperativismo e a agricultura familiar como alternativas viáveis para a sobrevivência "nesse mercado maluco" e para o gerenciamento da produção. "Uma varinha só qualquer um pode quebrar, mas um feixe de varas é praticamente inquebrável", comentou. Lula foi além: na sua opinião, os assentamentos de trabalhadores rurais "vão dar muito mais certo" no dia em que forem organizados em cooperativas.

Palocci defende liberalização comercial e fim dos subsídios

O ministro da Fazenda, Antônio Palocci Filho, voltou ontem a defender maior acesso dos produtos dos países em desenvolvimento ao mercado internacional, durante seu discurso no Comitê de Desenvolvimento do Banco Mundial (Bird). "Exortamos os países que ainda estão relutantes em liberalizar o comércio e eliminar subsídios que revejam sua posição de modo a facilitar a retomada das negociações no âmbito da Organização Mundial do Comércio", disse ele. "Ressaltamos, mais uma vez, que a liberalização comercial e a eliminação de subsídios, principalmente na agricultura, são objetivos importantes da maioria dos países em desenvolvimento."

Falando em nome de Brasil, Colômbia, República Dominicana, Equador, Haiti, Panamá, Filipinas, Suriname e Trinidad e Tobago, o ministro Palocci encorajou a continuidade do trabalho que vem sendo feito pelo Bird e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), de "monitorar a questão do comércio internacional no nível técnico." O ministro disse que um ambiente internacional negativo, onde há dúvidas quanto ao desempenho da economia, impõe mais desafios e dificulta ainda mais a implementação das reformas. Apesar disso, observou, "acreditamos que as condições favoráveis para o desenvolvimento econômico e social podem ser mantidos."

Na sexta-feira, Palocci disse ainda que a meta de inflação de 8,5% vai ser mantida, mesmo com a divulgação dos últimos índices, que ficaram acima da expectativa do mercado. Questionado sobre o mesmo tema, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse que o BC vai adotar uma atitude de serenidade em relação à inflação.

"A meta de inflação será mantida porque achamos que há condições de que ela seja atingida. Se verificarmos as projeções apenas, vamos ver que ficam ainda um pouco acima da meta. Mas a valorização cambial que houve e pode se desenvolver ao longo do ano pode deixar de pressionar os preços no atacado e isso pode trazer a inflação para o objetivo", afirmou Palocci, em entrevista após reunião com o secretário do Tesouro americano, John Snow, e com o presidente do Fed (banco central dos EUA), Alan Greenspan.

Segundo Palocci, uma dúvida no debate econômico é quanto à eficiência da política monetária sobre os preços administrados, caso eles não superem as previsões. "Nos parece, neste momento, que os preços administrados estarão dentro do previsto. Isso não é definitivo. Mas, se isso acontecer, a meta é plenamente atingível e vamos continuar trabalhando com ela", afirmou. Palocci ressaltou mais uma vez que a política monetária é ajustada para as metas estabelecidas. "Portanto, vamos ver com toda atenção essa questão inflacionária porque ela é muito importante para o País. A relação da inflação com a renda das pessoas pobres é uma relação direta", afirmou o ministro.

Ele disse que o governo tem dois objetivos em termos de política macroeconômica. O primeiro é a redução da relação dívida/PIB e o segundo é o controle da inflação. Palocci também salientou que a inflação tem sido uma preocupação do governo e continuará sendo. "Vamos agir com vigilância em relação à inflação."

Meirelles, que chegou ontem a Washington para a reunião conjunta do FMI e do Banco Mundial, disse que é importante manter "a persistência, a determinação e a serenidade". "O que nós temos dito freqüentemente é que, neste momento, como no passado, o BC adota uma postura de serenidade", afirmou o presidente do BC. Indagado sobre as expectativas quanto à inflação e a reunião do Copom, Meirelles disse: "Vamos aguardar os índices, vamos olhar com cuidado e, certamente, o BC, serenamente, tomará a sua decisão correta."

Sobre a expectativa do mercado em relação a uma nova emissão soberana de títulos da dívida do Brasil, Meirelles disse que está analisando com cuidado a situação, e quando chegar a uma conclusão fará o anúncio.


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