Luta agrária volta a trazer tensão para o campo em Mato Grosso

Agronegócio

Luta agrária volta a trazer tensão para o campo em Mato Grosso

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Nada a ver com o “Abril Vermelho” do Movimento dos Sem-Terra, calcado na ocupação de terras; mas o campo em Mato Grosso está ameaçado de “pegar fogo”. É essa figura de linguagem que pode melhorar ilustrar o momento em que vive o atual momento agrário em Mato Grosso. Enquanto em boa parte do Estado máquinas estão colhendo grãos e plantando milho ou arroz, em outras há um focos de tensão que podem explodir a qualquer momento. “Esperamos resolver essa situação que tem prejudicado todos os setores sociais e econômicos”, afirmou o presidente da Assembléia Legislativa, deputado Silval Barbosa (PMDB), um dos envolvidos na busca de soluções para o problema.

Tudo começou com uma decisão do Governo Federal em criar uma reserva ambiental nas imediações dos assentamentos na região Norte do Estado. Ação que, se levada a cabo, fará desaparecer praticamente o município de Apiacás. Dos atuais 6 milhões de hectares que formam o município, sobrariam apenas 6% de terras. Só o Parque do Juruena teria 3 milhões de hectares e surge como “novo reforço na luta pela preservação da biodiversidade da região amazônica”. A partir do seu lançamento, a reação foi imediata: produtores e empresários de diversos setores aderiram ao bloqueio da BR-163, que liga Cuiabá a Santarém (PA), como forma de protesto.

Nesta quinta-feira, numa segunda rodada de negociações para a regularização de títulos de propriedades rurais na região Norte de Mato Grosso, Silval Barbosa e o seu colega Pedro Satélite (PPS) receberam a garantia do superintendente Regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Leonel Wolfahrt, de que o órgão vai atender as reivindicações dos produtores rurais da região. Segundo Leonel, o Incra vai manter os proprietários em suas áreas até que o órgão emita parecer favorável aos produtores.

A medida acalma os ânimos apenas. De acordo com o presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Mato Grosso (Fetagri), Manoel Ferreira dos Santos, a região em questão tem 1,6 milhão hectares. Desse total, 51 mil famílias em Mato Grosso estão assentadas, 14 mil sob lonas e outras 19 mil acampadas em áreas irregulares. Um verdadeiro “barril de pólvora”. O dirigente classista informou ainda, que existe no Incra, cerca de 200 processos com pedido de desapropriação de terras que têm resultado em violência na disputa por terras.

Apesar de terem parte de suas reivindicações encaminhadas, os produtores ameaçam com novo bloqueio da BR-163, desta vez, tendo o apoio dos Sem Terra e MTA, num movimento orquestrado denominado “Grito da Terra” que vai ser desencadeado por todo o Estado com várias mobilizações. Silval Barbosa disse que a Assembléia Legislativa não ficará omissa ao movimento dos produtores rurais e que pedirá empenho dos demais parlamentares na aprovação de medidas legais que amenizem os problemas latifundiários no Estado.


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