Má comercialização impede expansão das lavouras de trigo
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Agronegócio

Má comercialização impede expansão das lavouras de trigo

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“Os produtores rurais, motivados por um acordo realizado com a indústria, se comprometeram a produzir 50% do consumo nacional e cumpriram. A indústria concordou em dar preferência de compra ao produto nacional, pagando o preço de paridade de importação, mas isso não está acontecendo”, disse o representante da CNA durante audiência pública da Comissão de Agricultura e Política Rural (CAPR), na Câmara dos Deputados, que tratou da crise enfrentada pela triticultura brasileira.

“A indústria comodamente saiu do mercado, preterindo a aquisição da produção nacional e fazendo com que os preços recebidos pelos produtores despenquem no mercado”, afirmou Caixeta. O acordo entre produtores e indústrias foi firmado há três anos no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), lembrou o representante da CNA.

Segundo Caixeta, em Goiás o trigo está sendo negociado a R$ 480 por tonelada; mas o valor deveria ser de pelo menos R$ 600 por tonelada, caso fosse cumprido o acordo firmado com a indústria. Conforme cálculo da CNA, os produtores paranaenses, responsáveis por 52% da atual safra de trigo, ou seja, 2,7 milhões de toneladas, acumulam os maiores prejuízos. No Paraná, o trigo está sendo negociado a R$ 375 por tonelada, muito abaixo do preço de paridade de importação do trigo argentino, que é de R$ 548 por tonelada.

“O preço de comercialização atual se encontra abaixo do preço mínimo, de R$ 400 por tonelada, e projeta um prejuízo para os produtores de R$ 127,5 milhões no ano”, disse Caixeta.

Este ano, a produção nacional de trigo é estimada em 5,1 milhões de toneladas, contra 2,9 milhões de toneladas, na safra anterior. Houve, portanto, um crescimento de quase 80% na produção brasileira de trigo, facilitando o abastecimento interno, estimado em 10 milhões de toneladas por ano, e reduzindo as despesas com importações. Mas, ao enfrentarem dificuldades para comercializar a atual safra, os triticultores ficarão desestimulados para ampliar suas lavouras no futuro, o que pode adiar os planos do Governo de que nos próximos anos pelo menos 60% da demanda interna por trigo seja atendida por produto brasileiro.

Caixeta defendeu que o Brasil taxe em 15% a importação de pré-mistura argentina (preparado a base de farinha de trigo). “A Argentina grava as exportações de trigo e de farinha de trigo com 20%, enquanto que a pré-mistura é de 5%. Para fugir da maior taxação, a indústria Argentina está exportando a pré-mistura e aumentando a sua participação na comercialização de farinha no mercado brasileiro”, disse Caixeta, ao defender que todos os produtos do segmento, na prática, estejam submetidos a mesma taxação de 20%.(


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