Mainardi defende fumicultores e sugere programa de irrigaçãoda cultura


Agronegócio

Mainardi defende fumicultores e sugere programa de irrigaçãoda cultura

Entre os objetivos do programa está a diversificação das propriedades e o aumento da sua rentabilidade
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O secretário da Agricultura, Pecuária e Agronegócio, Luiz Fernando Mainardi, participou, na manhã dessa quarta-feira (11), da assinatura do termo de cooperação técnica do Programa Milho e Feijão após a Colheita do Tabaco, ato realizado no município de Venâncio Aires. Entre os objetivos do programa está a diversificação das propriedades e o aumento da sua rentabilidade.


Durante a solenidade, que antecedeu a assinatura do documento, o secretário destacou a importância de se encontrar alternativas de cultivos que possam ser aliados às lavouras de fumo e a necessidade de que os fumicultores passem a serem vistos com menos preconceito. “Há 27 anos, esse programa colabora para quebrar o preconceito abominável que existe em relação aos produtores de fumo, além de fomentar a diversificação da lavoura”, destacou o secretário. O programa busca aproveitar os resíduos da adubação do tabaco para o plantio de milho e feijão, grãos fundamentais para a sustentabilidade da agricultura familiar, que podem ser consumidos na propriedade e também vendidos.

Mainardi disse ainda que a fumicultura é uma atividade lícita, rentável e que não compromete a saúde de quem planta. “Não podemos virar as costas para esses produtores, responsáveis por uma atividade que gera R$ 2,4 bilhões de receita ao ano, valor que corresponde a 8% do PIB agropecuário do Estado.” O secretário enfatizou, ainda, a necessidade de que sejam fornecidas ferramentas tecnológicas para que essas pessoas continuem a produzir, e liberdade para que elas escolham o que plantar e não dependam de decisões dos técnicos da Brasília. “Com isso, podemos dar maior estabilidade econômica para a produção, pois caso o fumo tenha baixa lucratividade, teremos o milho ou o feijão.”


Ao citar o problema da estiagem, o secretário sugeriu que fosse criado um projeto de irrigação das lavouras de fumo, a partir de uma parceria entre a Seapa e a prefeitura de Venâncio Aires, que beneficiaria não só essa cultura, mas também o milho e feijão, plantado na resteva do fumo. “A disponibilidade de água é outro ponto chave para a estabilidade da produção e a irrigação é mais responsabilidade dos produtores do que do governo. Nossos produtores são muito conservadores, ainda contam com São Pedro para que chova”. O secretário usou o exemplo de experimentos em milho, que comprovam a importância da irrigação. Segundo ele a produtividade pode ter resultados recordes, de 60 sacas por hectare, sem irrigação, para 160 sacas na mesma área, quando usadas ferramentas de irrigação. “Ao criarmos um programa de irrigação do fumo, daremos maior competitividade para a cultura.”

Durante a solenidade de assinatura do termo técnico, o diretor do departamento de fumo da Souza Cruz, Dimar Frozza, destacou a relevância do programa, no sentido diversificar a propriedade, aumentar a renda do produtor e contribuir para a preservação do meio ambiente. “É um programa que existe muito antes de se falar em diversificação de cultura, que ainda dá orientações sobre cuidados com água e solo das propriedades.” O executivo disse que a diversificação não deve ser sinônimo de abandono da produção de tabaco, mas sim a cultura do mesmo aliado a outras produções de forma sustentável”.


O presidente da Fetag, Elton Weber, classificou a monocultura como perigosa e destacou a tradição da região de Venâncio Aires em praticar a diversificação de culturas. “É importante que o produtor tenha renda e também qualidade de vida”, disse Weber. O dirigente da Farsul, Francisco Schardong, também falou da importância da diversificação, mas destacou que ela por si só não é suficiente para a manutenção dos produtores de fumo. “É preciso vislumbrar algo maior, procurar outros caminhos para esses produtores. Quem sabe a criação da Bolsa da Fumicultura.”

O prefeito de Venâncio Aires, Airton Artus, disse que 50% do PIB do município vem do fumo e que o mesmo ocupa o terceiro lugar em produção da cultura no País. “No entanto, o orçamento federal prevê apenas R$ 12 milhões para promoção da diversificação das propriedades, valor muito baixo para uma cultura que tem receita de mais de R$ 2 bilhões.” O programa é resultado da parceria entre a Empresa Souza Cruz e o Governo do Estado através da Secretaria da Agricultura, Fetag e Farsul. São mais de 80 municípios abrangidos por esta iniciativa que alcança cerca de 25 mil produtores de milho e 3.800 produtores de feijão. A expectativa é chegar a aproximadamente 46 mil hectares de milho com a produção de 161.000 toneladas e 6.600 hectares de feijão com 7.200 toneladas.

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