Maior disponibilidade de açúcar sugere baixa no mercado

MERCADO INTERNACIONAL

Maior disponibilidade de açúcar sugere baixa no mercado

O aumento da oferta de açúcar fez com que refinarias freassem as compras.
Por: -Leonardo Gottems
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O Relatório Trimestral de Perspectivas para Commodities Agrícolas, divulgado nessa semana pela consultoria INTL FCStone, indica um cenário pessimista para o açúcar no mercado internacional. A expectativa de aumento da produção da Índia é o principal fator que pode causar as baixas.  

A safra global 2018/19 começa em outubro, mas a possível entrada da Índia neste mercado deve aumentar ainda mais a sobreoferta do açúcar, que vai sofrer ainda mais com a entrada do Paquistão a União Europeia, que também passaram a ser grandes exportadores este ano. João Paulo Botelho, analista do grupo, alerta que o excesso de produção é o fator que mais influência esse cenário. “Com aumento tão rápido da produção da Índia, o mercado de açúcar está tendo de enfrentar uma questão que não era esperada para este ano: a possibilidade de exportações de grandes volumes de açúcar branco pelo país asiático nos próximos meses”, explica. 

O aumento da oferta de açúcar também fez com que as refinarias freassem as compras, afetando exportadores de açúcar bruto como o caso da Tailândia, por exemplo. O analista explica que as usinas reduziram a produção de açúcar, reagindo as previsões de mercado. “As vendas do segundo maior exportador mundial ainda devem ter impacto fortemente baixista sobre o mercado desta variedade de açúcar, uma vez que a safra do país já bateu o recorde de produção semanas antes do término da colheita", afirma ele. 

Em meio a esse cenário, as usinas do Centro-Sul brasileiro, onde a safra já está começando, devem reduzir ao máximo seu direcionamento para o adoçante. O relatório da INTL FCStone aconselha que a maior proporção da matéria-prima seja direcionada ao etanol. “No caso do biocombustível, os elevados preços do petróleo no mercado internacional, o dólar valorizado e a recuperação econômica brasileira devem dar sustentação para as cotações”, diz em parte do documento. 

Mesmo assim, a região deve continuar sendo a maior exportadora mundial do produto. Botelho afirma que grande parte deste volume ainda não foi negociado nos mercados físico ou futuro, e acredita que " timing destas vendas" é um ponto importante para definir o resultado dessas usinas e o direcionamento do mercado de açúcar. 

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