Mais rigor para o abate de animais no PR

Agronegócio

Mais rigor para o abate de animais no PR

Paraná treina técnicos dois anos após lançamento de programa nacional
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Paraná treina técnicos dois anos após lançamento de programa nacional. Desafio maior será qualificar trabalhadores de fazendas e frigoríficos


Depois de ganhar maior fatia do mercado internacional, o setor de carnes do Paraná passa por uma nova fase. Em meio às exigências de países importadores e dos próprios consumidores brasileiros, o estado acaba de aderir ao Abate Humanitário, programa instituído em 2008 pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abas­tecimento (Mapa) que impõe uma série de regras para banir o sofrimento de animais durante o processo de morte.


O Departamento de Fis­ca­lização e Defesa Agropecuária do estado (Defis) considera adequadas as técnicas de abate adotadas por grandes frigoríficos e granjas paranaenses, mas reconhece falhas. “Mais da metade dos estabelecimentos ainda pecam em algum ponto”, diz Horácio Slon­go, chefe do serviço de Inspeção do Defis. A falta de qualificação dos trabalhadores seria o ponto fraco dos frigoríficos. “É preciso preparar o peão que está na fazenda, a pessoa que transporta e a outra que recebe o animal”, afirma Slongo.

Mesmo os profissionais que atuam na fiscalização precisam de mais treinamento. O Paraná começou a capacitar esses servidores dentro do Abate Humani­tário no mês passado. Na última semana, os primeiros 30 técnicos do Defis haviam concluído o curso ministrado pela Sociedade Mundial de Proteção Animal (WSPA), entidade responsável pela curso no Brasil. A meta, de acordo com Slongo, é treinar cerca de 400 profissionais para atuar em todas as macrorregiões paranaenses até o fim deste ano.

O supervisor do programa na WSPA, José Rodolfo Panim, afirma que os erros mais comuns cometidos por frigoríficos e granjas são percebidos desde o embarque dos animais até o momento do abate. “É preciso entender o comportamento dos animais para garantir seu bem-estar. O ganho com a qualidade e a valorização da carne com certeza compensam os produtores”, avalia.


Ele lembra que a adequação ao sistema pode dar maior credibilidade à carne brasileira nos países consumidores, especialmente os que integram a União Europeia. No ano passado, o Brasil enviou ao exterior 543,7 mil toneladas de suínos, cerca de 1,2 milhão de toneladas de carne bovina e ainda 3,6 milhões de toneladas de frango. O Paraná e o primeiro exportador de frango, com perto de 1 milhão de toneladas. É o terceiro maior produtor de suínos e o nono maior criador de bovinos.

O presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Paraná (Sindi­avipar), Domingos Martins, analisa que a adesão do estado ao abate humanitário contribui não só para o comércio externo, mas atende também as exigências dos consumidores brasileiros. “As grandes redes de supermercados cobram embalagens, boa aparência, além de temperatura adequada”, cita. Martins sustenta que, na avicultura, pouca coisa precisa ser mudada no que diz respeito abate dos animais. “O Paraná tem uma das melhores proteínas do mundo. Não tenho dúvida de que as granjas do estado respeitam as normas de abate humanitário”, considera.

O presidente da Associação Paranaense de Suinocultores (APS), Carlos Geesdorf, reconhece que a cadeia precisa passar por pequenas adequações, mas considera que a discussão sobre assunto ainda está somente começando. Procurado para comentar o assunto, o representante do Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados não se pronunciou até o fechamento desta edição.


Embargo expõe pressão externa

Responsável por 10% das exportações nacionais de carne suína, o Paraná deixou de vender para a Rússia o equivamente a R$ 1 milhão nos últimos 20 dias. Essa é a estimativa do presidente da Associação Para­naense de Suinoculura (APS), Carlos Geesdorff. O valor não representa propriamente prejuízo, uma vez que a produção vem sendo escoada no mercado interno e os preços, apesar de serem considerados baixos (na casa de R$ 1,8 o quilo), seguem estáveis.

O embargo entrou em vigor no dia 15 de junho e mostra a pressão que um único país pode exercer sobre a cadeia da carne. Ao ver os preços de venda abaixo do custo de produção, o presidente da APS diz que o setor continuará em crise. Ele não acredita que a comissão brasileira que está na Rússia nesta semana consiga reverter o em­­bargo rapidamente.

O excedente de carne suína no mercado brasileiro durante um ano sem embarques para a Rússia pode chegar a 200 mil toneladas, aponta a APS. Isso significa que perto de 2 milhões de suínos podem ficar sem espaço na mesa do consumidor.

Para o professor de economia agrícola da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Eugênio Stefanelo, a única solução para reequilibrar o quadro nacional da suinocultura é a redução da produção. “Tivemos que fazer isso ano passado com o milho, que agora está a preços elevadíssimos”, cita.


O presidente da APS, alerta, porém, que a diminuição no número de cabeças não ocorre de uma hora para outra e poderia levar milhares de pequenos produtores à falência. “Temos hoje 10 mil suinocultores no estado, que dependem exclusivamente da produção de suínos, fadados a sair da atividade, infelizmente”, calcula Geesdorf.

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