Mais tecnologia para a pecuária no Mato Grosso do Sul


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Mais tecnologia para a pecuária no Mato Grosso do Sul

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Técnicos da Embrapa ensinam como fazer evoluir a genética do gado leiteiro; e sistema de inseminação artificial em tempo fixo (IATF) já é comercializado com sucesso no Estado.

Chega a Mato Grosso do Sul o Sistema de Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF) de fêmeas bovinas, método que permite a inseminação de um lote inteiro de vacas sem a necessidade de observação de cio. O sistema chega para garantir aos pecuaristas uma homogeneização dos lotes de bezerros, racionalizando o serviço no campo na hora do nascimento e no momento da desmama. Isso representa economia para o pecuarista.

Está se aproximando o final do período de monta, e, este ano, ocorreu atraso na cobertura das fêmeas, principalmente por conta de fatores como a seca, a falta de pasto e até mesmo o excesso de chuva em algumas regiões do Estado. O sistema IATF é benéfico nessas horas em que se verifica esse tipo de atraso, principalmente para quem trabalha com inseminação, conforme destaca o médico veterinário Rodrigo Álvares Monteiro. Ele explicou ao Correio Rural que o sistema foi desenvolvido a partir de estudos realizados na USP, os quais culminaram com a elaboração do Protocolo Hormonal, que utiliza hormônios, dentre eles os implantes de progesterona nas fêmeas. Trata-se de um dispositivo colocado na vagina das vacas e que, durante seis dias, libera hormônios que procederão a uma sincronização da ovulação das fêmeas. A inseminação acontece no oitavo dia, dois dias após a retirada do dispositivo. “Isso quer dizer que todas as vacas do lote que usarem o implante de progesterona – o lote pode ser de 100 ou mais animais – ovularão na mesma hora, com uma eficiência de até 80% em número de prenhezes”, explica o veterinário.

E qual é a vantagem do sistema? O veterinário Carlos Sanchez, da Replan – Reproduções Planejadas, está trabalhando com o sistema e comercializa os produtos para a IATF. Ele diz que esta técnica já é utilizada há algum tempo nos projetos de transferência de embriões, mas está entrando em maior número nos de inseminação artificial, porque os protocolos estão mais eficientes e também porque, com a entrada de mais produtos no mercado, aumentando a concorrência, tornaram-se os custos menores. E destaca que uma das grandes vantagens do programa para os pecuaristas é garantir um aumento significativo no número de matrizes inseminadas, como a inseminação de premíparas, que em todas as fazendas é o lote de pior índice de prenhez. Concluiu lembrando que o programa deve ser sempre acompanhado por um médico veterinário.

Como fazer evoluir a genética do gado leiteiro

Para conseguir que a genética do gado leiteiro apresente uma boa evolução, dois fatores são fundamentais: a inseminação artificial e o controle zootécnico. Pelo menos essa é a receita da Embrapa Gado de Leite, com base nos trabalhos científicos dos pesquisadores Rui da Silva Verneque, Roberto Luiz Teodoro e Mário Luiz Martinez.

O objetivo do melhoramento genético de um reabanho é sempre o de conseguir maior produtividade de cada um dos animais. A quantidade de leite que uma vaca produz resulta do potencial genético associado às condições de ambiente que são oferecidas ao animal, conforme explicam os pesquisadores da Embrapa. E por isso, os manejos sanitário e alimentar são muito importantes. Se forem inadequados, vão impedir que os rebanhos expressem o seu potencial. “Também não adianta tratar muito bem animais de baixa qualidade genética, porque a resposta em produção ficará bem abaixo da obtida por plantéis de outro naipe”, salientam os pesquisadores em artigo publicado na revista DBO deste mês.

A seleção promove incrementos cumulativos nas características de interesse, a cada geração. O que se ganha em uma safra de bezerros é somado ao que foi obtido nas anteriores. Por outro lado, melhorias no manejo de animais produzem bons resultados somente enquanto as condições se mantiverem. Anulam-se os efeitos benéficos tão logo essas condições piorem.

O melhoramento genético no rebanho leiteiro depende, sobretudo, das matrizes a manter para reprodução e vacas a descartar, e dos touros que serão usados. Para um avanço zootécnico mais rápido, seguro e duradouro – diz o artigo – são indispensáveis a prática da inseminação artificial (IA) e a realização do controle leiteiro regular de todas as vacas. Esses procedimentos constituem-se em ferramentas básicas e, se bem executados, podem promover grande aumento de produção do rebanho e dos animais. Apesar da aparente dificuldade operacional e dos altos recursos a empregar de início, a IA é a forma segura de obter descedentes melhores do que os pais, pela disponibilidade de bons touros capazes de promover o desejável melhoramento genético do rebanho. A técnica precisa ser encarada mais como um investimento e menos como uma atividade de alto custo. Quem usa inseminação artificial, e escolhe adequadamente o sêmen a ser colocado nas vacas, certamente terá bons resultados e alto retorno nos produtos. Portanto, o progresso genético do rebanho e inseminação artificial são quase sinônimos.

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