Malásia não deve expandir rapidamente produção de biodiesel

Agronegócio

Malásia não deve expandir rapidamente produção de biodiesel

A Malásia, maior produtora mundial de óleo de palma, assumiu a liderança no desenvolvimento da indústria de biocombustível na Ásia
Por: -Naveen Thukral
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Reuters - A indústria de biodiesel da Malásia não irá se expandir tão rapidamente como se acreditava no início e enfrenta um futuro difícil com o aumento nos custos dos grãos para ração, queda nos preços do petróleo e incertezas sobre apoio governamental, disse um importante analista do setor.

A Malásia, maior produtora mundial de óleo de palma, assumiu a liderança no desenvolvimento da indústria de biocombustível na Ásia, mas players estão verificando um encolhimento das margens devido à alta nos preços de óleos vegetais e com o declínio do petróleo, com o qual o biodiesel compete. "A maioria dos players vai rever sua posição porque todo o modelo de negócios mudou", disse à Reuters M.R. Chandran, um analista independente da indústria e ex-presidente da Associação de Óleo de Palma da Malásia.

"Os bancos que emprestam os recursos estão começando a perguntar qual é o seu modelo de negócio atual, com os preços de grãos para ração neste nível". O interesse da Ásia em biodiesel de óleos vegetais começou a crescer em 2005, quando os custos da palma estavam mais baixos do que os do petróleo, e quando a Europa fez planos de promover os combustíveis "limpos". Mas agora a situação mudou completamente.

O óleo de palma não-refinado, a principal matéria-prima bruta para o biodiesel, agora custa 556 dólares por tonelada, após subir 40 por cento em 2006. Já o petróleo bruto é cotado a cerca de 373 dólares por tonelada, com queda de mais de 32 por cento frente ao recorde de 550,9 dólares em julho do ano passado. A Malásia aprovou 75 projetos industriais de biodiesel, que poderiam consumir cerca de 8 milhões de toneladas de óleo de palma por ano, e autoridades dizem que o país espera produzir 1 milhão de toneladas de biodiesel em 2007.

Mas Chandran afirmou que nem tantos produtores vão seguir esse caminho tão brevemente. "Quantas unidades estão surgindo é uma suposição de alguém, mas até o final de 2007 nossa capacidade total não será de mais do que 500 mil toneladas".

Pequenos players:

O analista disse que será difícil para os produtos pequenos e isolados, e que apenas aqueles com grandes áreas plantadas e com garantia de suprimento vão sobreviver. "Ninguém consegue de uma companhia de produção agrícola um contrato de fornecimento antecipado por conta dessa oscilação de preços", disse. "E unidades de biodiesel não podem viver sem contratos de suprimento e de vendas de longo prazo".

Chandran afirmou que a indústria vai sobreviver apenas que o governo apoiar os produtores com isenções de impostos e se tornar o uso do produto mandatório. "O fato é que apenas alguns países europeus têm regulamentação para uso obrigatório... e eles podem não ter intenção de repassar os incentivos e isenção de impostos para o produto importado porque eles foram feitos para apoiar seus próprios produtores".

Chandran afirmou que os preços do óleo de palma vão provavelmente permanecer em um intervalo de 1.850 a 2.100 ringgit por tonelada neste ano. "Os preços da palma ainda ficarão estáveis se o biodiesel não tiver tanto sucesso, por causa da crescente demanda do setor alimentício". Ele apontou que há uma demanda adicional por óleo de palma na Europa e nos Estados Unidos, com grandes volumes de colza e soja sendo usados na fabricação de biodiesel.

A Europa também está usando a queima direta de óleo de palma para a produção de energia elétrica "limpa". O consumo na China e Índia também está crescendo rapidamente.

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