Manaus corre risco de ficar desabastecida de cupuaçu

Agronegócio

Manaus corre risco de ficar desabastecida de cupuaçu

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A produção amazonense de cupuaçu deve voltar a cair com força na safra 2012/13, enquanto o setor tenta reverter o ataque de pragas, o baixo interesse no cultivo e a queda dos investimentos nas lavouras, reflexo da descapitalização dos produtores. 

O desabastecimento já está atingindo feiras e toda a rede supermercadista da capital, o que poderá significar em alta de 18,80% do preço na comparação com a safra passada, já que o custo do quilo da fruta despolpada já alcança significativos R$ 15,79.


Os dados foram coletados junto a três das cinco maiores cooperativas de produtores agrícolas do Estado, que apontaram um sentimento unânime no mercado de que a safra 2013/2014 será ainda menor. Segundo elas, em 2012, a safra apresentou queda de 22,8% e este ano deve chegar facilmente aos 30%.

Segundo o presidente da Cooperativa Agroindustrial de Produtores do Projeto Uatumã (CPU/Uatumã), no município de Presidente Figueiredo, Ozeias Martins da Silva, que concentra 82 famílias sócias e cerca de 300 parceiras da produção familiar, o cupuaçu no Estado, que já requer uma mão de obra diferenciada, esteve sob forte ataque da vassoura-de-bruxa, doença que ataca o cupuaçuzeiro.

“Há um número alto de abandono de pomares que vem sofrendo com o avanço da praga, o que desestimulou os pequenos produtores, então a área cultivada deve ser reduzida em 2013. Se tivermos mesmo apenas 300 mil caixas e levarmos em conta que uma parcela dos estoques da polpa ficará retida até o fim do ano, é possível que não tenha desabastecimento. Ainda assim, os custos precisariam baixar muito para que os agricultores voltassem a investir na cultura”, avalia.


Mas para o presidente da Cooperativa dos Produtores Rurais de Beneficiadores do Município de Anori (Coopfrutas), Claudio Alves dos Santos, o desabastecimento de cupuaçu em Manaus tem uma razão muito maior que apenas o ataque de pragas: a falta de estrutura dos pequenos produtores em relação ao escoamento da matéria-prima natural.

Segundo ele, são necessários locais de armazenamento, um entreposto avançado que receba toda a produção de polpas, o que evitaria desperdício.

“Além disso, o preço baixo de revenda desestimulou as cooperativas a aumentar a safra. Muitos agricultores estão substituindo o fruto pelo cacau ou pela graviola, que oferecem menos problemas. Se não houver a criação de entrepostos, acontecerá com o fruto a mesma que vem acontecendo com a farinha: iremos comprar cupuaçu em outros Estados, o que elevará substancialmente o preço final”, avisou.

A Coopfrutas reúne 50 cooperados em torno do cultivo de frutas regionais, entre elas o cupuaçu, cuja safra começa em meados de setembro e vai até fevereiro, quando acontece o pico de produção.

Consumo em baixa
Por outro lado, os números relativos ao consumo na capital amazonense também não são favoráveis. Dados divulgados pela Cooperativa Mista dos Produtores Rurais do Tarumã Mirim (Agrofrutas Tarumã) e confirmados pelas outras associações de cultivo, apontam que desde julho do ano passado, as vendas totais do fruto in natura caíram 4,3% em volume e 5,2% em receita, em relação ao mesmo intervalo de 2011.


Em média, de acordo o estudo, o consumo regional tem recuado 1,5% ao ano. “O cupuaçu vem perdendo espaço para outras frutas em Manaus. A competição com outros tipos de bebida tem colaborado para puxar para baixo o interesse de compra pelo suco”, explicou o presidente da cooperativa, Francisco Rodrigues.

Ainda de acordo com o levantamento da Agrofrutas Tarumã, os investimentos bancários no setor primário foram reduzidos, o que derrubou a compra de insumos agrícolas e, consequentemente, a qualidade das frutas e gerou desabastecimento.

“Os produtores de cupuaçu estão sem dinheiro para investir. Há cooperativas que compraram caminhões para ajudar no escoamento da produção e agora estão com problemas de fluxo de caixa, por isso resolveram apostar em outras frutas mais rentáveis”, completou o presidente da Cooperativa Agroindustrial de Boa Esperança, em Presidente Figueiredo, Abraão Lima.

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