Manejo: Música e brincadeiras para animar o chiqueiro
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Agronegócio

Manejo: Música e brincadeiras para animar o chiqueiro

Experiências de manejo reduzem o estresse e melhoram a conversão alimentar
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Experiências de manejo reduzem o estresse e melhoram a conversão alimentar

Os suinocultores recorrem a uma frase conhecida no meio para descrever a evolução da atividade: dizem que o porco tomou banho, fez regime e virou suíno, numa referência aos novos cuidados sanitários tomados nos criadouros e à produção de carne com menos teor de gordura. Essa frase acaba de ser complementada. “O porco tomou banho, fez regime, virou suíno e agora quer se divertir e ir para a balada”, afirma a pesquisadora Juliana Sarubbi, da Universidade Federal de Santa Maria, do Rio Grande do Sul. Ela orienta pesquisas que mostram que os leitões perdem menos energia em brigas e perseguições quando ouvem música ou quando brinquedos inusitados são colocados no criadouro.
A experiência com música foi realizada por estudantes da Unicamp, em Campinas (SP), onde Juliana atuava até ano passado. O grupo submeteu suínos na fase de creche (logo depois da desmama) à Valsa das Flores, de Tchaikovsky, durante seis dias. O comportamento dos animais foi filmado e analisado por grupos de três observadores, que contaram os episódios de agitação: brigas, perseguição, sucção (quando um leitão suga a orelha ou o rabo do outro em busca de leite) e monta.

Eles compararam a movimentação dos animais expostos à valsa com o comportamento de leitões que nunca ouviram música, reunidos num grupo de controle. A pesquisa, que monitorou 40 suínos ao todo, mostrou que a música favorece o bem-estar dos bichos, afirma professora.

Enquanto a valsa tocava, os suínos brincaram mais e foram mais vezes aos bebedouros e comedouros. E, em seguida, a creche se mantinha relativamente calma. No grupo que ouvia apenas os ruídos do ambiente, o comportamento era mais agressivo, com mais casos de sucção e correria, mostra relatório da pesquisa apresentado na PorkExpo 2010, conferência realizada semana passada em Curitiba.

“As pesquisas nessa área estão só começando. Ainda não sabemos se os suínos respondem da mesma forma a todos os tipos de música”, frisa Juliana. Ela conta que, nas próximas experiências, devem ser testadas músicas sertanejas, já usadas em muitos criadouros, e indianas, que têm apresentado resultados curiosos com plantas. “As plantas crescem em direção ao som quando se usa música indiada. Talvez essa música faça bem também para os animais.”

Chocalho

Outro grupo de estudantes deu diversão aos suínos em Santa Maria (RS). O aluno de zootecnia Felipe Magalhães Malheiros resolveu pendurar no criadouro uma garrafa pet com algumas pedras em seu interior. “Os suínos gostam de balançar esse brinquedo suspenso para produzir barulho”, explica. Malheiros conta que os resultados seguiram na mesma direção da experiência com música.

“Os 15 animais que podiam brincar brigaram menos. A garrafa também reduziu o vício de morder”, relata. Ele conta que será necessária nova pesquisa para medir melhor os efeitos dos brinquedos. A meta é investigar se há redução no gasto de energia e quantificar a diferença.

Segundo os pesquisadores, a tendência é que, com uso de recursos que deixam os animais mais calmos, as carcaças sejam mais uniformes. Eles defendem ainda que a conversão alimentar, atualmente de na média de 2,2 kg de ração para 1 kg de carne, seja melhorada.

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