Mapa quer reduzir importações de trigo expandindo a área de plantio
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Agronegócio

Mapa quer reduzir importações de trigo expandindo a área de plantio

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Recursos para o crédito de pré-custeio da safra faz parte da estratégia para aumentar a produção brasileira e reduzir a dependência do mercado externo. Hoje, o Brasil é o maior importador mundial de trigo.

Ao anunciar uma linha de crédito para o pré-custeio do trigo, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) sinaliza para o mercado e para os agricultores brasileiros a intenção de formular uma política específica e permanente para o grão.

O objetivo imediato é o de reduzir substancialmente as importações do produto e, a médio prazo, tornar o País auto-suficiente em trigo.

Hoje, o Brasil é o maior importador mundial de trigo, despendendo, em média US$ 1 bilhão anual na aquisição de 7 milhões de toneladas necessárias para atender as necessidades do consumo interno, que gira em torno de 10,5 milhões de toneladas.

Na avaliação do mercado, aliado aos bons preços que o trigo vem alcançando no mercado interno – R$ 570,00 a tonelada – as medidas anunciadas na quarta-feira, 22, pelo governo irão, certamente, estimular o produtor a aumentar em 10% a área de plantio com o grão.

Isso, no entender dos responsáveis pela cadeia produtiva do trigo, pode resultar em uma produção de 4,5 milhões de toneladas, o que representará uma redução de 1 milhão de toneladas em relação ao ano passado. Em 2002, o Brasil gastou US$ 1,3 bilhão na importação de 7,3 milhões de toneladas do grão.

Crédito na hora certa

A linha de crédito para o pré-custeio da safra do trigo terá juros de 8,75% ao ano. Em fevereiro, o Banco do Brasil, segundo informou o secretário de Política Agrícola do Mapa, Ivan Wedekin, vai liberar R$ 50 milhões destinados ao financiamento de fertilizantes para os triticultores do Paraná, Rio Grande do Sul, Goiás e Mato Grosso do Sul.

Juntos, o Paraná e o Rio Grande do Sul respondem por mais de 80% da produção nacional de trigo.

A safra passada, apesar dos problemas climáticos em algumas regiões tritícolas – que reduziram a produção em relação às estimativas iniciais – proporcionou aos triticultores que colheram normalmente uma rentabilidade média de 25%.

Isso e a manutenção dos bons preços internacionais, que acabam influindo nas cotações internas, já estimulam o agricultor a expandir o plantio de suas lavouras de trigo.

Estratégia

Para Wedekin, este é o momento para apoiar os produtores na compra de semente e adubos, lembrando que essa mesma linha de financiamento foi lançada com sucesso no ano passado. Confirmou também que o Mapa vai lançar, no próximo mês, o plano agrícola para as chamadas culturas de inverno (trigo, aveia, centeio e cevada).

O estímulo ao plantio do trigo faz parte da estratégia da política agrícola do governo de reduzir substancialmente a dependência do mercado internacional para atender as necessidades de consumo do País.

A longo prazo, com uma política de estímulo que garanta ao agricultor renda e lucro, o Brasil pode atingir a tão sonhada auto-sufiência na produção do grãos.

Na avaliação das cooperativas tritícolas e dos pesquisadores, a meta é absolutamente realista já que o País tem solo, tecnologia e variedades apropriadas.

A estimativa é de que o Brasil pode acrescentar pelo menos 4 milhões de hectares à área de trigo (1,95 milhões de hectares) cultivada hoje no País.

Um estudo recente do agrônomo Omar Hubner, do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura do Paraná, revela que os gastos anuais de US$ 1 bilhão, em média, com as importações de trigo permitiria, por exemplo, o custeio de 5,5 milhões de hectares. Com isso, o Brasil produziria mais de 10 milhões de toneladas anuais do grão.


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