Marcela: é preciso capacitação para produzir com qualidade

Agronegócio

Marcela: é preciso capacitação para produzir com qualidade

Chá é consumido por adultos e crianças, mas há necessidade de haver uma produção nas pequenas propriedades
Por: -Rosa Liberman
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Chá é consumido por adultos e crianças, mas há necessidade de haver uma produção nas pequenas propriedades e que a colheita seja feita seguindo algumas orientações
 
As ervas medicinais de um modo geral são plantações nativas, sem que haja um espaço específico para sua produção. Assim, a produtividade também é flutuante. No interior de Passo Fundo, o Consórcio Santa Gema é formado por cerca de 10 mulheres que cultivam, armazenam e comercializam ervas medicinais, como a marcela. “Tendo uma agroindústria, é possível agregar valor e levar ao consumidor um produto de qualidade”, diz a professora da UPF, agrônoma Claudia Petry - coordenadora do Núcleo Interdisciplinar de Estudos de Produtos Naturais (NIPRON).

Segundo ela, toda produção de marcela se dá em campos, sem registros da área cultivada, a planta não é exigente em fertilidade, nem em Ph. A agrônoma comenta que é uma planta perene, mas sua eflorescência ocorre no outono e, pela coincidência da época com a Páscoa, acaba tendo a tradição de ser colhida na Sexta-Feira Santa. Entretanto, de acordo com o ano, dependendo do comportamento climático no verão, a plantão pode ou não estar pronta para ser retirada da terra. Um exemplo é neste ano que a planta se já abriu e está quase secando – ou seja – o período de colheita já passou.
 
Outra atenção que deve ser dada é de não trabalhar e evitar o consumo de plantas colhidas as margens de rodovias. Elas acumularam metais pesados ou agrotóxicos de lavouras. “A orientação é de não lavar a marcela depois de colhida, pois a umidade pode apodrecê-la. Além de colher mais seca, a secagem deve ser feita na sombra, em camadas finas para não mofar. Caso for em estufa de 30ºC, leva cerca de 48 horas, mas é preciso que as plantas sejam viradas aos poucos.

Uma série de cuidados devem ser observados para manter a erva bem acondicionada, propícia para uso. Além de evitar o consumo de marcela que estiver às margens de estradas e de molhar a erva, após colher deve-se guardá-la em recipiente bem fechado, longe do sol e sem umidade. Assim, é possível manter a erva medicinal por até um ano.

Cláudia salienta que o cultivo de marcela e de outras ervas medicinais é uma alternativa positiva na pequena propriedade, mas para trazer vantagens aos consumidores e também aos produtores é viável ter uma agroindústria como um instrumento que junte o material oferecendo aos consumidores. Entre os gargalos da viabilidade dessa produção está a contaminação. Ou seja, o mercado internacional analisa o produto e, se detectada molécula de agrotóxico acaba não comprando mais o produto e o país perde a credibilidade. Por isso, é imprescindível haver capacitação dos produtores e logística.

Nos dias de hoje, a marcela não é mais usada somente como um chá para melhorar a digestão ou em travesseiros para cólicas de bebês. Mas também é consumido como chá social. “As pessoas estão criando o hábito de consumir esta bebida”, diz.
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