Mato-grossenses fazem pressão pela realização dos leilões de Pepro
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Agronegócio

Mato-grossenses fazem pressão pela realização dos leilões de Pepro

Com cotações abaixo do preço mínimo e sem indicação de altas, ruralistas querem Pepro para amenizar adversidade
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Com cotações abaixo do preço mínimo e sem indicação de altas, ruralistas querem Pepro para amenizar adversidade

A saca de milho, em Mato Grosso, atingiu em julho o menor preço do ano, abaixo de R$ 11. A pressão baixista do pico de safra, aliada à falta de perspectivas do mercado em curto e médio prazos, fez com que a luz amarela, que indica margens negativas aos produtores, se acendesse no Estado. A baixa atual também amplia a diferença entre o valor atual e o valor mínimo estabelecido pelo governo federal, em R$ 13,56, como forma de garantir ao menos a cobertura dos custos de produção. Com um cenário nada remunerador, ruralistas mato-grossenses foram à Brasília mostrar ao ministro da Agricultura, Neri Geller, a realidade do segmento e reforçar o pedido para a realização de leilões para venda do cereal.


Como reforçaram os diretores da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado (Aprosoja/MT), na reunião da última terça-feira, a colheita do cereal atingiu 48% da área plantada – 3,21 milhões de hectares, quase 14% menor em relação à safra passada – e os preços seguem em desvalorização. “Para tentar amenizar os prejuízos, a Aprosoja/MT, volta a solicitar ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) a realização de leilões do Prêmio de Equalização Pago ao Produtor Rural (Pepro)”, aponta o presidente da entidade, Ricardo Tomczyk. No começo do mês a Aprosoja/MT enviou um ofício solicitando o certame. O Pepro é o mecanismo pelo qual o produtor arremata o prêmio, que é a diferença entre o preço de mercado e o preço mínimo oficial da saca. No caso do milho, ele próprio faz a comercialização do produto.

Tomczyk acredita que as liberações dos leilões de Pepro poderão equalizar os preços de venda, já que em Mato Grosso o preço adotado está em média 10% a 20% menor que o mínimo. “Queremos que o produtor consiga pagar seus custos, garantindo a sua rentabilidade”, afirmou Tomczyk.


O ministro da Agricultura, Neri Geller, e o secretário de Política Agrícola do Mapa, Seneri Paludo, afirmaram conhecer a situação dos produtores rurais do Estado e disseram que providências já foram tomadas em relação aos leilões. Entretanto, ainda não podem garantir valores e data para a liberação destes recursos. “Vemos que há esforço por parte do Ministério para resolver o problema. A equipe está buscando viabilizar o programa”, pontuou o presidente da Aprosoja/MT. A realização do leilão depende da anuência do Ministério da Fazenda, que é quem disponibiliza os recursos necessários.

No início do mês quando houve a primeira oficialização do pedido, a saca do milho estava em torno de R$ 12, conforme o Indicador do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), valor que já estava inferior ao custo de produção por cada saca de 60 quilos em torno de R$ 18, para plantios feitos com emprego de alta tecnologia. Ainda naquele momento, a Aprosoja/MT e o Imea já previam que a cotação caísse abaixo de R$ 11 no Estado.


MERCADO - De acordo com o Imea, com a colheita atingindo 48% da área plantada - e apresentando produtividade ponderada de 91,6 sc/ha - foram disponibilizadas 8,5 milhões de toneladas do cereal da nova safra no mercado. Até este mesmo período do ano anterior 56,6% da área havia sido colhida, gerando 13 milhões de toneladas do grão. Essa diferença de volumes aponta queda de 24% sobre a oferta do cereal na safra 2013/14 em relação à safra anterior, movimento que já era aguardado devido aos preços desanimadores ocorridos em 2013. Apesar disso, inicialmente a expectativa de preços para 2014 era boa, visto que não era esperada uma redução tão forte da demanda. “Entretanto, na estimativa atual a demanda indica recuo de 34%, principalmente devido à redução das exportações. Outro fator que pesa sobre a demanda, e principalmente sobre os estoques finais, são as intervenções públicas, que ainda não aconteceram e não estão confirmadas pelo governo federal, e que poderiam aliviar este cenário e por isso tão esperadas por parte dos produtores.

MAIS PROBLEMAS – Os analistas do Imea chamam à atenção para o alto custo de produção exigido pelo milho segunda safra no Estado, valor que tem ficado acima dos ganhos nas últimas temporadas. “E as estimativas de custo para produção e preços para comercialização do cereal na próxima safra indicam que o cenário preocupante, e velho conhecido dos produtores mato-grossenses, seguem”. O custo de produção para lavouras de alta tecnologia está 6% mais elevado que na safra anterior “e os produtores do grão devem buscar alternativas, visto que esta variável pode ser determinada pelo produtor, ao contrário dos preços, que obedecem ao mercado. Como meio de reduzir os gastos da lavoura e gerenciar riscos o produtor pode optar pela média tecnologia, que apresenta custo de R$ 1.757,02/ha, 9% menor que na alta tecnologia”. (Com assessoria)

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