MATOPIBA: Expansão em área e tecnologia

Agronegócio

MATOPIBA: Expansão em área e tecnologia

Produtores aproveitam baixos custos e ano de La Niña para ampliar lavouras e investir em insumos
Por: -Cassiano Ribeiro e José Rocher - Cola­bo­­rou Luana Gomes
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Produtores do Centro-Norte aproveitam baixos custos e ano de La Niña para ampliar lavouras e investir em insumos

A safra 2010/11 no Centro-Norte do país deve se desdobrar do jeito que todo agricultor gosta: com clima favorável, promessa de aumento de produtividade, custos menores e preços em alta. A Expedição Safra Ga­­zeta do Povo apurou que o plantio na região agrícola que compreende Ma­­ranhão, Tocan­tins, Piauí e Bahia – o MaToPiBa – deve chegar a 2,195 milhões de hectares de soja (3% a mais que na temporada passada) e a 1,155 milhão de hectares de milho (1%).

Para a oleaginosa, o indicador da Expedição Safra aponta produtividade média de 2.972 quilos por hectare, 0,3% a mais que no ciclo anterior. A produção estimada para os quatro estados é de 6,52 milhões de toneladas, avanço de 3,3% ante 2009/10. O cereal, por sua vez, segue com rendimento de 2,4 mil quilos por hectare.

Diferente da Bahia – maior produtor da região, onde a soja e o milho disputam área com o algodão –, nos estados do Piauí e Maranhão, os grãos ganham espaço. No caso do Piauí, a área semeada com soja deve crescer 10% e atingir 352,6 mil hectares. No Tocantins, o crescimento da soja foi iterrompido nesta temporada pelo avanço da cana (veja reportagem na página 3). A Bahia é mesmo a exceção nesta temporada, com tendência de pequena redução na área da soja, para 1,035 milhão de hectares, e de estabilidade na produção, que deve atingir 3,105 milhões de toneladas.

O risco é de as chuvas prometidas pelo La Niña não serem tão bem distribuídas como se espera, afirma o produtor Franco Bosa, de Luis Eduardo Magalhães (BA), que ampliou a área da soja de 1,8 mil para 1,9 mil hectares e reduziu a de milho de 170 para 60 hectares. “Tivemos quatro meses de clima seco antes de ou­­tubro. A chuva chegou e logo pa­­rou. As previsões para os próximos meses são boas, mas sempre existe o risco de elas não se concretizarem.”

A expectativa geral é de aumento ou pelo menos manutenção da produtividade. “O investimento é para 70 sacas por hectare. Esperamos colher de 63 a 65 sacas”, afirma Leivandro Fritzen, que cultiva com sua família 3,8 mil hectares de soja (700 a mais que ano passado) e 1,4 mil de milho (400 a mais) em Baixa Grande do Ribeiro, região apontada como a melhor área para grãos do Piauí.

O plantio no MaToPiBa co­­meçou em outubro e segue com interrupções sempre que falta umidade. Perto de dois terços das lavouras devem ser plantadas até o fim desta semana. As primeiras áreas plantadas mostram-se em boas condições, apesar dos dias secos. Ainda há duas semanas de prazo para o plantio dentro da época considerada ideal pelos produtores.

O quadro é parecido com o registrado no Paraná, que está concluindo a semeadura da soja e do milho de verão. Mato Grosso, no Centro-Oeste, ainda vai, aos poucos, tirando o atrasado no plantio da oleaginosa. Com a intensificação das precipitações, que somente agora começam a apresentar alguma regularidade no Cen­tro-Oeste do país, o estado se­­meou quase 1 milhão de hectares em apenas sete dias. Con­­forme levantamento do Ins­­tituto Mato-grossense de Eco­nomia Agro­pecuária (Imea), perto de 90% da safra está no campo, uma diferença de apenas 6 pontos na comparação com o índice apurado nesta mesma época do ano passado.
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