Agronegócio

Mercado de arroz em casca perdeu preço, mas reagiu no final da semana

Queda na terça e na quarta-feira no RS estiveram associadas ao boato de um leilão na próxima semana, cujo edital não foi publicado pela Conab, que deve retomar as vendas na primeira dezena de outubro, se as cotações reagirem
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Queda na terça e na quarta-feira no RS estiveram associadas ao boato de um leilão na próxima semana, cujo edital não foi publicado pela Conab, que deve retomar as vendas na primeira dezena de outubro, se as cotações reagirem

O mercado de arroz em casca no Rio Grande do Sul, que determina o comportamento da comercialização em todo o Brasil, manteve-se com oferta e demanda fracas na semana que passou, especialmente por conta do feriadão provocado pelo Dia do Gaúcho (20 de setembro). O indicador de preços do arroz em casca Esalq/Bolsa Brasileira de Mercadorias-BM&FBovespa, para a saca de 50 quilos (58x10), à vista, colocado na indústria, caiu esta semana. Abriu, no dia 16 (segunda-feira) em R$ 34,26 (equivalente a US$ 15,05) e caiu na terça-feira para R$ 33,95, recuperando dois centavos, para R$ 33,97 na quarta-feira. Na quinta-feira (dia 19), recuperou-se para R$ 34,04, cotação mantida para a sexta-feira (feriado de 20/9). O valor da saca, porém, valorizou em dólar, para US$ 15,46, pela cotação da moeda estadunidense na sexta-feira.


A queda de preços na terça-feira esteve muito associada à expectativa do setor para o anúncio de um leilão de 50 mil toneladas, pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), cujo edital deveria ter sido lançado naquele dia. No entanto, os técnicos do governo federal avaliaram que a média das cotações no Rio Grande do Sul estavam abaixo do patamar estabelecido pelo governo (R$ 33,28 para a Conab e R$ 34,50 para o Cepea) para realizar nova oferta de estoques públicos. Além disso, o impacto do último leilão manteve as cotações gaúchas estabilizadas, o mercado mostrou um enfraquecimento dos negócios e há o temor de que a queda nos preços internacionais afetem as cotações brasileiras. Uma retração mais forte nos preços nacionais, associada a uma safra cheia no Mercosul, poderiam levar o governo federal a abrir os cofres em 2014 para dar sustentação aos preços do arroz, o que custaria muito mais caro do que dosar a liberação da oferta de cereal estocado pela Conab. E o governo sabe disso.

A expectativa é de que um novo leilão de 50 mil toneladas seja realizado até o dia 10 de outubro. O edital está pronto, antecipadamente, com os lotes escolhidos, dependendo apenas da decisão política do governo federal. 

Enquanto isso, o mercado livre segue com os produtores esperando uma reação dos preços para patamares similares aos ocorridos no ano passado – até próximo de R$ 40,00 -, ou mesmo no final do primeiro semestre, quando bateram na casa de R$ 37,00 livres na Zona Sul, Planície Costeira Interna e na Depressão Central. Hoje, diante do regramento estabelecido pelo governo para nivelar a oferta, estas metas parecem distantes. O diretor da Agrotendências Consultoria em Agronegócios, Tiago Sarmento Barata, por exemplo, cita que a temporada comercial 2013/14 vem mostrando uma estreita faixa média de preços, entre R$ 30,60 e R$ 35,00 aproximadamente, enquanto no ano passado esta faixa teve uma variação de quase R$ 15,00 (de cerca de R$ 26,00 e R$ 40,00).


Nos últimos dias cresceu a especulação de uma alta mais sustentada na Zona Sul em função de um aquecimento dos embarques de exportação, mas os volumes confirmados não fogem muito à média dos últimos meses. Agosto mostrou-se um mês com maior volume de negócios, o que gerou euforia em alguns segmentos, mas essa aposta não se confirma. Na verdade, agosto foi um mês que computou os embarques que atrasaram em julho – de fraco desempenho nas exportações - pelas conhecidas falhas de logística e até mesmo o clima no Sul do Brasil. Parte da movimentação de compra atual, na Zona Sul, diz respeito a embarques para a América do Sul e Caribe em outubro, em torno de 1 milhão de sacas. Setembro deve ter desempenho dentro da média do ano, segundo agentes de mercado e tradings.

SAFRA

Os arrozeiros gaúchos já deram início à semeadura da nova safra, mas a chuva iniciada na última quinta-feira e o frio que voltou em todo o estado travou o avanço das operações de semeadura e preparo final do solo, que só devem ser retomadas ao final da próxima semana, se o clima voltar a apresentar temperaturas mais altas e parar a chuva. Todavia, a previsão inicial é de temperaturas mínimas abaixo dos 15 graus e a eventual ocorrência de precipitações.


MERCADO

A Corretora Mercado, de Porto Alegre, indica preços médios de R$ 34,00 para a saca de arroz de 50 quilos, em casca, no Rio Grande do Sul, estabilizado. A saca de 60 quilos, do cereal beneficiado (tipo 1), mantém-se em R$ 68,00. Entre os quebrados, o canjicão segue com preço estável em R$ 39,00 para a saca de 60 quilos/FOB-RS, e com o mesmo peso e condição, a quirera é avaliada ainda a R$ 33,50. A tonelada de farelo de arroz, FOB-Arroio do Meio (RS), segue cotada a R$ 380,00.
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