Agronegócio

Mercado de terras ainda está paralisado no Noroeste do PR

A expectativa de que o mercado reagiria com a início da safra de verão não se confirmou
Por: -Cleber França
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Muita oferta e pouca negociação. Está assim o mercado de propriedades rurais na região noroeste do Paraná. A expectativa de que o mercado reagiria com a início da safra de verão não se confirmou e os negócios continuam paralisados e o preço da terra despencando.

O corretor de imóveis Antônio Almeida Ribeiroconta que nos últimos cinco meses não negocio nenhuma propriedade. "Na região de arenito caiuá, como Nova Esperança, Paranavaí e Terra Ricao alqueire está cotado entre R$ 14 mil e R$ 18 mil. Somente as usinas de açúcar e álcool sinalizam interesse nas terras", diz.

Segundo cálculo do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento, o preço do alqueire paulista (24,2 mil metros quadrados) sofre variação na região e custa entre 800 a 1,5 mil sacas de soja.

As áreas agricultáveis d emaior valor na região estão localizadas nos municípios de Doutor Camargo, São Jorge do Ivaí, Floresta e Ivatuba. Na região de Maringá o preço da terra ainda é mais caro. Para o presidente do Sindicato Rural de Maringá, José Antonio Borghi, o excesso de oferta de propriedades agrícolas reflete a perda de renda dos produtores rurais.

"O maior comprador de terras é o agricultor. A quebra de safra dos últimos três anos tornou o empreendimento pouco atrativo para investidores de outros segmentos", avalia. Ele enfatiza que o momento é inoportuno para comercializar as propriedades. "Vender a terra agora é um péssimo negócio, pois o preço do imóvel está sofrendo a maior desvalorização dos últimos tempos, cerca de 50 % a menos", frisa Borghi.

O alqueire chegou a custar R$ 52 mil em 2004, ano em que a soja teve sua maior valorização. "A falta de dinheiro está motivando muitos agricultores a abandonarem a atividade. Muitos investidores de outros setores também não investem mais no segmento", avalia o sindicalista.

Ofertas

Há cinco anos Paulo Roberto Chilante e a família decidiram sair da cidade e investir no setor agrícola. O que era para ser um negócio próspero não deu certo. Hoje, a família tem planos de fazer o caminho inverso. Está vendendo a propriedade de 24 hectares pelo preço de R$ 330 mil.

"Estamos desanimados devido a crise por que passa o setor. Nossa propriedade tem toda estrutura necessária para quem deseja trabalhar nesse ramo. Mesmo assim negociá-la está difícil", relata Chilante.

O corretor de imóveis Marcelo Lucas de Paula Dias reforça que está tudo parado. "Não fecho nenhuma negociação de sítios e fazendas há mais de cinco meses. Ofertas não faltam, ao contrário de compradores, cada vez mais escassos", avalia.

"O preço caiu bastante. Os agricultores estão desanimados com a política agrícola adotada pelo presidente Lula", complementa Dias, com expectativa otimista para a próxima safra. Em Marialva as chácaras sem benfeitorias, próprias para o plantio da fruta, estão cotadas entre R$ 80 mil e R$ 100 mil por alqueire. Na região de Astorga o mesmo alqueire está avaliado entre R$ 20 mil e R$ 35 mil.

O corretor Élson Pereira define o período como muito ruim. Ele também atribui a má fase das negociações à crise na agricultura. "Estou vendendo uma propriedade em Iguaraçu (30 km de Maringá) ao lado do Alphaville há cinco meses. Só recebemos propostas indecentes", diz.

Por ser próxima a Maringá e estar localizada ao lado de um condomínio de luxo o proprietário pede R$ 95 mil por hectare, confiante que o local pode se transformar num loteamento. Pereira revela que também está ofertando uma propriedade distante cinco quilômetros de Maringá.

"Por essa propriedade ser mais próxima da cidade o valor é de R$ 150 mil por alqueire. A área total, 40 alqueires, custa R$ 6 milhões", assinala. O corretor revela que encontrar interessados em negócios de maior valor é muito difícil, principalmente nesse período.

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