Mercado do trigo fecha 2002 em alta e com boas perspectivas para 2003
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Agronegócio

Mercado do trigo fecha 2002 em alta e com boas perspectivas para 2003

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Apesar da queda nas exportações americanas e do reflexo negativo nas cotações em Chicago nos últimos meses, o mercado internacional terminará o ano de 2002 com boa recuperação nos preços, indicando semelhante tendência para o próximo ano de 2003. No mercado interno não foi diferente. Com a recuperação do mercado internacional, a menor disponibilidade de trigo na Argentina e com o dólar em alta, os preços nas regiões produtoras brasileiras foram mais do que suficientes para a rentabilidade na cultura, apesar da quebra e dos problemas climáticos no Paraná e Rio Grande do Sul. Os preços no Paraná já são mais de 75% superiores ao mesmo período do ano passado.

Sem dúvida, o dólar valorizado foi o grande protetor da triticultura brasileira, aumentando sobremaneira a paridade de importação do trigo Argentino. E se considerarmos que o câmbio continuará de certa maneira instável e ainda sobrevalorizado no Brasil mesmo no próximo ano, parece coerente esperar por um mercado bastante similar ao registrado durante toda esta safra de 2002, mesmo com um possível e necessário crescimento da safra brasileira, em especial na região dos cerrados.

O maior e quase majoritário exportador do Brasil, a Argentina, teve um recuo de mais de 13% na área plantada de trigo neste ano, sendo que a oferta local estará reduzida de 15,3 para 13,0 milhões ton neste ano safra 2002/03. Assim, não há tendência de que o preço de venda neste país recue nos próximos meses. Ao contrário, o mercado argentino está em alta. Os atuais preços na Argentina para o trigo pão (US$ 129,0/ton FOB porto origem) são os mais altos para o mês de dezembro desde o ano de 1997 e cerca de 18% superiores a dezembro/2001.

Por enquanto, a paridade de importação do trigo oriundo da Argentina é estimada pela SoloBrazil em torno de US$ 157,0/ton (R$ 33,0/sc) nos portos brasileiros. Dependendo da variação do câmbio nos próximos meses no Brasil, esta paridade pode se elevar ou ser reduzida em termos de nossa moeda corrente. Mas a depender somente do mercado internacional, o custo de importação continuará elevado no Brasil.

Com a estimativa de grande redução nos estoques mundiais de trigo, o mercado internacional precisa apenas da confirmação das expectativas de aumento da demande nos principais países consumidores, o que ainda não aconteceu. Mesmo assim, o mercado em Chicago termina este ano de 2002 com alta de mais de 40% em relação ao final de 2001. Os contratos negociados atualmente com vencimento em 2003 estão cotados em média a US$ 148,0/ton na Bolsa de Chicago. Em dezembro do ano passado, os negócios futuros giravam em torno de US$ 105,0/ton. Se as exportações americanas se recuperarem, é possível que o mercado em Chicago registre novos aumentos nos preços.

Com todos os indicadores refletindo um mercado interno remunerador em 2003, principalmente no 2° semestre, resta ao triticultor brasileiro nesta próxima safra investir na produção de um grão de boa qualidade e de consequente liquidez nas vendas para o setor moageiro.


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