Mercado é maior que cultivo de kiwi

Agronegócio

Mercado é maior que cultivo de kiwi

Quebra na safra deve chegar a 30%
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Fruta com maior concentração de nutrientes, conforme estudo do Departamento de Agricultura dos EUA (Usda), o kiwi tem potencial de mercado, mas produção ainda incipiente no país, que importa 90% do que consome. A fim de melhorar resultados na colheita - antecipada para março por causa da seca - e solucionar problemas no manejo da fruta no Rio Grande do Sul, maior produtor brasileiro, a Fepagro promoveu semana passada uma tarde de campo na Estação Experimental de Veranópolis.

De acordo com o agrônomo e pesquisador da Fepagro Serra, Paulo Roberto Simonetto, há três anos, o produtor da região, especialmente o de uvas, já sabe que as condições de clima favorecem o cultivo do kiwi no RS. Tanto que, no período, o plantio cresceu 25%. "O problema é que a produção da variedade bruno, a que mais se adapta ao clima gaúcho, não foi encarada profissionalmente pelo produtor que, na ânsia de ganhar mais, colheu antes, comprometendo o mercado." O produtor e agrônomo Gervásio Silvestrin, que cultiva kiwi em Farroupilha desde 1989, conta que a maior dificuldade na produção é o ponto de colheita. "O amadurecimento fisiológico não é apresentado pela fruta, que mantém mesma coloração e tamanho. Isso não é percebido pelo consumidor, que não sabe se está verde ou maduro."

O parâmetro, explica, é o teor de açúcar, verificado no suco a partir de amostragens coletadas via refratômetro em exemplares no pomar. "A fruta colhida deve apresentar um mínimo de 6,2 graus brix e, na hora de consumir, acima de 15. Se colher antes, o consumidor vai encontrar um kiwi com mais acidez, sem o aroma característico nem valor nutritivo." No evento, a Fepagro mostrou também sua coleção de 24 variedades, das quais 13 já estão implantadas. A de maior valor de mercado é a hayward, de origem neo-zelandesa, que necessita de mais frio. "Exceto nos invernos muito frios, ela não produz tanto, a não ser que o agricultor quebre de dormência", ensina Simonetto. Segundo ele, os pomares de Itália e Chile são os de maior produção e comercialização mundiais pelo sistema de cultivo mais profissional. "Polinização, bom raleio, corretas adubação, poda, condução e principalmente ponto de colheita é o que precisamos adotar para ganhar o mercado." Silvestrin estima queda de 30% na produção deste ano. A safra gaúcha normal, calcula, é próxima a três milhões de quilos.


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