Mercado reage à fusão Marfrig e Bertin

Agronegócio

Mercado reage à fusão Marfrig e Bertin

Nova composição traz dúvidas, principalmente, sobre o comportamento dos preços e concentração
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A abertura da nova planta do frigorífico Bertin em Diamantino, no médio norte de Mato Grosso, e a aguardada fusão com outra grande marca nacional, o Marfrig, prometem amenizar a drástica redução na capacidade de abates de bovinos em Mato Grosso, após o início da crise no segmento, agravada no final de fevereiro deste ano. O fechamento de 11 unidades das indústrias Arantes, Quatro Marcos e Independência encolheram em 37% a capacidade de abates no Estado.

Sozinha, a nova planta em Diamantino, que já deflagrou a fase experimental de abates, poderá processar 2 mil cabeças ao dia. O volume corresponde a cerca de 10% da capacidade total do Estado hoje, de cerca de 22 mil cabeças diariamente, considerando o novo desenho da indústria frigorífica regional, enxuta em mais de um terço com os fechamentos de várias plantas. Antes da onda de fechamentos no setor, a capacidade de abate era superior a 34 mil cabeças/dia, considerando o universo de unidades registradas junto ao Serviço de Inspeção Federal (SIF), que permite a comercialização dos cortes com outros estados e países.

Juntos, Marfrig e Bertin poderiam superar facilmente a marca 5 mil cabeças ao dia, considerando, além de Diamantino, a unidade do Bertin instalada em Água Boa e os abatedouros do Marfrig em funcionamento em Tangará da Serra e Paranatinga, localizados ao leste, norte e sul mato-grossenses, respectivamente.

Os rumores sobre mais uma fusão, a exemplo do que foi selado entre a Sadia e a Perdigão, vieram à tona na semana passada.

Além da simples concentração de uma considerável fatia de mercado, conforme destaca o superintendente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Luciano Vacari, uma eventual fusão representaria a soma de características que destacam as duas marcas no mercado da carne e que tem ainda outro aspecto em comum – a solidez financeira, algo que pode ser encarado como "ouro" aos pecuaristas diante de uma bateria de falências e recuperações judiciais entre outras empresas do setor.

"Com Marfrig e Bertin juntos, o que o mercado teria é um grupo sólido, que uniria os pontos fortes dos dois. Temos o Bertin como uma grande rede de distribuição, enquanto o Marfrig se destaca pelo know how logístico". Ele frisa que o poder financeiro de uma nova indústria desse porte resultaria numa solidez favorável aos pecuaristas. "Pela experiência que a gente tem, Bertin e Marfrig são grupos que trabalham de forma mais séria. As duas indústrias também têm capital aberto, o que dá mais transparência", avalia Vacari.

VERSÃO - Embora tanto Marfrig quanto Bertin neguem no discurso oficial que uma fusão está prestes a acontecer, o "namoro" comercial entre as duas marcas permeia cada vez mais os rumores entre indústrias frigoríficas e pecuaristas tanto em Mato Grosso quanto nos demais polos da carne no país.

Em comunicados repassados ao Diário, as duas gigantes do mercado bovino se restringem a posicionar que mantêm rotineiramente contatos, inclusive com outras redes frigoríficas, de olho em eventuais bons negócios, mas negam que a união seja algo líquido e certo nos planos a curto prazo.

O fato é que, especialmente em Mato Grosso, o ensaio da megaoperação entre as duas marcas já provoca especulações diante do mercado abalado por sucessivos fechamentos de plantas frigoríficas este ano. Após um 2008 marcado pelo crescimento da capacidade de abate no Estado, uma crise de liquidez – instituída pela crise financeira mundial e pela valorização da arroba a partir do final do segundo semestre do ano passado - cerrou as portas de unidades do Independência, que paralisou totalmente as atividades em Mato Grosso, Arantes e Quatro Marcos.

No final de fevereiro deste ano, a crise eclodiu com o Independência, quando foi anunciada a suspensão, por tempo indeterminado, das atividades de suas 11 plantas no Brasil, sendo cinco em Mato Grosso.

As indústrias inoperantes do grupo estão localizadas nas cidades de Confresa, Colíder, Pontes e Lacerda, Nova Xavantina e Juína. Somente essas unidades tiraram das escalas de abate cerca de quatro mil bois/dia e deixam de movimentar apenas com a venda direta do gado, aproximadamente R$ 5 milhões/dia na economia estadual.


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