Metodologia para mapeamento de palmeiras é tema de artigo em periódico internacional
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Imagem: Marcel Oliveira

ARTIGO

Metodologia para mapeamento de palmeiras é tema de artigo em periódico internacional

Tecnologia possibilita identificar espécies florestais com precisão e baixo custo operacional
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Um método desenvolvido para aplicação na elaboração de inventários florestais na Amazônia, com foco na identificação de palmeiras como o açaí, jaci e paxiubão foi destaque em periódico internacional. A partir de fotografias de alta resolução, produzidas por veículo aéreo não tripulado, como o drone, é possível visualizar as palmeiras com precisão e baixo custo operacional. Os resultados do estudo realizado por um grupo de dez pesquisadores de diferentes instituições, estão reunidos em artigo publicado na Revista Forest Ecology and Management.

A metodologia se baseia em técnicas de aprendizagem profunda, conhecidas em inglês como Deep Learning, dentre elas a rede neural convolucional, linguagem de máquina que se utiliza de mecanismo semelhante ao processo biológico visual humano para realizar o processamento e análise de imagens digitais. A técnica utiliza padrões visuais que ajudam na definição de formas e identificam os objetos presentes na imagem. A rede foi treinada em uma porção da imagem para o reconhecimento automático de palmeiras. 

“Realizamos os sobrevoos com drone na floresta experimental da Embrapa Acre, em uma área altamente diversificada. As imagens permitiram detectar espécies de palmeiras com alto grau de precisão, com destaque para o açaí solteiro, com acerto em 99% dos casos”, explica Matheus Ferreira, pesquisador do Instituto Militar de Engenharia do Rio de Janeiro, um dos autores do artigo. 

Segundo o engenheiro florestal Danilo Almeida, pós-doutorando em Ciências Florestais na Universidade de São Paulo (USP), participante como co-autor do artigo, as palmeiras podem ser facilmente diferenciadas de outras árvores, em imagens da floresta tropical produzidas por drone. “Essas plantas possuem uma estrutura de copa bastante peculiar, onde as folhas geralmente se concentram no topo do estipe, ou caule, e se apresentam subdivididas”, afirma. 

A metodologia para mapeamento de palmeiras com drone também reduz custos e agiliza a atividade, em comparação com o inventário de campo, trabalho demorado, dispendioso e, muitas vezes, inviável em áreas florestais mais densas. “Depois de repassada aos produtores, a tecnologia facilitará a incorporação de muitas dessas áreas ao sistema de manejo de espécies amazônicas de interesse econômico. Isso é positivo também para a questão mercadológica, já que a demanda por frutos de açaí é crescente em razão da expansão do consumo de polpa no Brasil, Estados Unidos e países da Europa”, ressalta Evandro Ferreira, professor da Universidade Federal do Acre e integrante do time de autores da publicação.

Densidade populacional

As palmeiras são espécies florestais largamente exploradas na Amazônia, para obtenção de palmitos, fibras e óleos para fins comerciais e o açaizeiro está entre as mais conhecidas.  A planta proporciona trabalho e renda para milhares de famílias extrativistas e agricultores familiares nos diferentes estados da região. 

Segundo pesquisas da Embrapa, na Amazônia Ocidental há ocorrência natural do açaí solteiro (Euterpe precatoria) em terras altas e terras baixas (áreas inundáveis e igapós). Também denominado de açaí-do-amazonas, açaí-da-mata e açaí-da-terra, a variedade precatória ocorre nos estados do Acre, Rondônia, Amazonas e Roraima. Já na Amazônia Oriental prevalece a ocorrência do açaí de touceira (Euterpe oleracea), principalmente nos estuários dos rios Amazonas, Tocantins e tributários, conhecido regionalmente por açaí-do-pará e açaí-de-estuário entre outras denominações. O Pará é o maior produtor da fruta, seguido dos estados do Amazonas, Maranhão, Acre e Rondônia. 

Das 250 espécies de palmeiras existentes no Brasil, 78 são registradas no Acre e, deste total, 28 crescem até o topo da floresta (dossel), aspecto que permite o mapeamento com o auxílio de drones. De acordo com o analista da Embrapa Acre, Daniel Papa, co-autor do artigo, mapear os recursos florestais disponíveis é o primeiro passo para definir estratégias de manejo de espécies de interesse comercial. “O inventário florestal em campo é uma atividade cara, árdua e demanda muita mão de obra e o uso de drone pode facilitar esse trabalho tanto no manejo madeireiro como no extrativismo de palmeiras. uma vez que a ferramenta permite visualizar as espécies que atingem o dossel da floresta e as informações coletadas ajudam a estimar a densidade populacional com rapidez e menor custo”, diz.

Novo estudo

Especialista em mapeamento de florestas nativas, Papa destaca, ainda, que a quantificação de palmeiras é fundamental para conhecer o potencial produtivo da área manejada e para o planejamento da safra pelas comunidades extrativistas, além de contribuir para a definição de técnicas de manejo para melhorar a produção. “Com o aperfeiçoamento da metodologia de mapeamento com drone, a partir dos dados de algumas safras o extrativista também poderá estimar a produção na propriedade e utilizar essa informação como garantia para obtenção de crédito rural”, avalia.

Realizado em 2019, por integrantes do Grupo de Pesquisa em Mapeamento Florestal (GPMAP), o estudo faz das ações dos projetos “Manejo Florestal e Extrativismo (MFE-Amazônia)” e “Bem Diverso”, executados pela Embrapa. Um novo estudo em andamento visa implementar a metodologia de aprendizagem de máquinas com uso de drone no mapeamento de açaizais na floresta do município de Feijó, principal polo produtor de açaí no Acre. Os testes com sobrevoos iniciais possibilitaram identificar grandes quantidades de açaí solteiro, mesmo em uma tipologia florestal distinta daquela para a qual o algoritmo foi treinado, resultado considerado promissor pelos pesquisadores.

Fundo Amazônia e Bem Diverso

O projeto MFE-Amazônia faz parte do Projeto Integrado da Amazônia, financiado pelo Fundo Amazônia e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em cooperação com o Ministério do Meio Ambiente. O objetivo é promover o intercâmbio entre conhecimento técnico-científico sobre manejo florestal e conhecimento local sobre extrativismo, para a conservação da biodiversidade, geração de renda e qualidade de vida das populações, com foco no desenvolvimento da região.

Fruto da parceria entre a Embrapa e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e financiado com recursos do Fundo Mundial para o Meio Ambiente (GEF), o Projeto Bem Diverso apoia ações voltadas para a conservação da biodiversidade e manejo sustentável dos recursos naturais em Territórios da Cidadania da Amazônia, Cerrado e Caatinga, visando garantir os modos de vida tradicionais, trabalho e renda para as famílias rurais.


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