MG: seminário para gerar riqueza com o Queijo Artesanal de Minas
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Imagem: Marcel Oliveira

SEMINÁRIO

MG: seminário para gerar riqueza com o Queijo Artesanal de Minas

Quarta edição do evento trata de legislação e questões que podem agregar valor ao tradicional produto mineiro
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O Queijo Artesanal de Minas é o saboroso ingrediente da quarta edição do seminário desenvolvido especialmente para ele. Os debates sobre uma das mais importantes iguarias da gastronomia mineira tiveram início, na noite de ontem (25/8), e seguem até quinta-feira (27/8), com transmissão ao vivo pela internet.

Na abertura, a secretária de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Ana Maria Valentini, destacou a necessidade das discussões que promovem a evolução da legislação. Na semana passada, a Lei 23.157/2018, que dispõe sobre a produção e a comercialização dos queijos artesanais no estado, foi regulamentada pelo governador Romeu Zema, por meio do Decreto 48.024/2020.

A medida é um divisor de águas para o setor, pois contribui para tornar o ambiente de negócios mais favorável para mais de 30 mil produtores de queijos artesanais e empreendedores rurais mineiros. “Esse decreto é mais um passo nessa longa caminhada para regularizar nosso queijo maravilhoso, para que ele possa ser vendido não só no nosso estado mas também em todo o país”, destacou Ana Maria Valentini. Em sua opinião, a legislação deve continuar evoluindo sem “cercear a arte e os artistas” que trabalham com o produto artesanal.

O presidente do Sistema FAEMG/SENAR/INAES/Sindicatos, Roberto Simões relembrou que a promoção do IV Seminário dos Queijos Artesanais de Minas Gerais é fruto de uma história de conquistas gradativas. Teve início em 2017, com a primeira edição do Festival e do Seminário, passou pela reunião dos produtores na Comissão Técnica do Queijo Minas Artesanal na Federação, pela iniciativa de levar os queijeiros ao Mundial de Tours, na França (que resultou em 12 medalhas para os mineiros que estiveram no concurso), e pela participação dos produtores no mundial do ano passado, no qual ganharam 53 medalhas.

“A qualidade do nosso queijo está por demais referendada”, disse Roberto Simões, que também é presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae Minas. Para ele, o seminário foi preparado para ser “bem proveitoso e benéfico para todos os que militam em torno deste grande produto”.

O presidente da Amiqueijo e Aprocan, João Carlos Leite, produtor do tradicional Queijo Canastra, lembrou da importância da continuidade da regularização da produção. “É a partir dela que teremos a operacionalidade da nossa cadeia e poderemos avançar e trazer ainda mais riquezas para o nosso país.”

A importância do cooperativismo foi destacada pelo presidente do Sistema OCEMG, Ronaldo Scucato. Para ele, a união em torno das boas práticas de produção é imprescindível para a promoção do queijo e da sua qualidade em todo o país.

Como moderador, o diretor Técnico do Sebrae Minas, João Cruz lembrou que não é possível fazer grandes modificações no setor sem o envolvimento dos produtores rurais e entidades parceiras, alianças que fortalecem o agronegócio e fazem toda a diferença, como as que se formaram em torno do Seminário dos Queijos Artesanais de Minas.

Leo Paixão - O Queijo Mineiro na Gastronomia 

“O queijo artesanal: um elemento de transformação” foi o tema escolhido pelo chef de cozinha Leo Paixão para a palestra de abertura do seminário. Mineiro de BH, ele é considerado a cara da “nova cozinha mineira”: mescla a alta gastronomia francesa, aprendida em sua formação em Paris, à tradicional cozinha mineira e os sabores do fogão à lenha. Desde 2019, é um dos jurados do reality show de gastronomia da TV Globo, Mestre do Sabor.

Revisitando todo o processo de produção, Leo sintetizou: “Queijo é transformação! Desde a energia do sol, capturada no capim que a vaca pasta e converte em leite, e todas as alterações que vão se seguindo nesse processo de fabricação, cura e afinação, às possibilidades de receitas e o consumo”.

Para ele, tão importante quanto o trabalho do produtor de queijo, tem sido a etapa posterior do processo de cura e afinação, que classificou como um trabalho artístico. “Envolve o controle preciso de ácaros, fungos e bactérias, e mesmo da ação enzimática da receita. São ações de transformação que aumentam o sabor do queijo, agregam valor e o transformam em algo muito diferente e extraordinário”.

O chef concluiu destacando a última – e talvez a mais importante – transformação. “A vida das pessoas se envolvem de alguma forma, em alguma etapa, desta longa cadeia produtiva. O queijo artesanal muda também, todos os dias, a vida das famílias, das cidades e regiões produtoras do estado, conhecido por produzir o melhor queijo do Brasil. Um estado que soube preservar as receitas tradicionais e, ao mesmo tempo, criar coisas novas e incríveis, e converter em cultura, tradição e turismo. Queijo é transformação”.

Nas duas outras palestras da noite, Gustavo Vanucci (especialista em gestão de negócios e marketing) tratou da importância da produção mineira de queijo no cenário nacional, de estratégias de comercialização e dos cuidados que deverão ser tomados após a pandemia. Letícia Goulart de Oliveira (professora e especialista em tecnologia de alimentos), por sua vez, apresentou as preocupações e prevenções relacionadas com a tuberculose bovina, que devem cercar a produção de queijos.

Marketing para o Queijo 

A imagem do queijo, sua identidade, é importante? Sim, e muito, de acordo a palestra do especialista em gestão de negócios e marketing, Gustavo Vanucci. Segundo ele, na palestra “Inteligência de mercado e insights diante a pandemia”, o produtor tem que se preocupar com o queijo que está vendendo. E esta preocupação deve aumentar no período pós-pandemia. Ele tem que passar uma imagem de produto seguro e de qualidade. “Tem que ter mais consciência sobre o produto e o serviço. Antes de agregar valor, temos que perceber valor.”

Vanucci destacou ainda que “as marcas que responderem ao momento pós-pandêmico com humanização (compaixão e pessoalidade) serão recompensadas pelo público”. Por isso, o foco no cliente deve ser a cada dia maior. No Brasil, são consumidas 460 mil toneladas de queijos in natura. Em Minas, são 69 mil toneladas. A importância e representatividade da produção mineira de queijo também foram reforçadas pelo especialista.

Em sua opinião, o produtor deve estar atento ao conceito que ele chama de last mile (última milha), em que discutir as políticas para que o queijo chegue ao consumidor com a melhor qualidade possível, sem deixar de lado logística (incluindo a forma como é feita a distribuição) e comercialização, está na ordem do dia. A maior integração entre o produtor e o varejista também pode ser vista como positiva, neste contexto.

Tuberculose Bovina

Letícia Goulart encerrou a programação do primeiro dia, com a apresentação “Queijos artesanais e tuberculose bovina: por que devemos nos preocupar”. Ela apresentou estudos que apontam a contaminação do leite, e em queijos artesanais feitos com leite cru, com a bactéria M. bovis, causadora da tuberculose bovina. “O queijo pode sim, ser fonte de contaminação humana. O processo de maturação promove uma queda importante na quantidade dessas bactérias, mas não pode ser a garantia de produtos seguros.”

Segundo Letícia, o queijo só é seguro, se feito a partir de rebanhos livres de brucelose e tuberculose e se são adotadas boas práticas sanitárias. “É preciso certificar ao mundo de que nossos queijos são seguros. Para isso, precisamos investir em pesquisa, garantir extensão, boas práticas de produção e agropecuárias, vacinação, testagem de rebanho e eliminação de animais contaminados. A única forma de garantir um queijo artesanal seguro é ter, de fato, um rebanho livre de tuberculose”.

O Seminário

O IV Seminário dos Queijos Artesanais de Minas, promovido de forma virtual, é uma iniciativa do Governo de Minas, por meio da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa); do Sistema FAEMG – Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais; e do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Minas Gerais (Sebrae Minas), com patrocínio do Sistema OCEMG. Conta com palestras de especialistas no segmento. Nas abordagens, temas como as perspectivas para o queijo artesanal mineiro durante e pós-pandemia do Covid-19, os processos regulatórios na produção, as tendências para alimentos artesanais; além de cooperativismo e mercado. O Seminário também tem o apoio do Ministério da Agricultura, da Amiqueijo, da Emater, da Epamig e do IMA.
Inscreva-se pelo link:
https://www.hbatools.com.br/iv-seminario-dos-queijos-artesanais-de-minas-gerais__684

Programação de hoje e de amanhã: 

26/08/2020 (hoje)

18h - 19h30
Mesa Redonda: Perspectivas para o queijo artesanal no pós-pandemia

Produtora Mariana Resende (Campo das Vertentes) – Queijo artesanal como experiência turística e gastronômica nas regiões produtoras 

Maria Cândida (Diretora Anil – Portugal) – Experiência internacional: como Portugal tem se destacado no agroturismo e nos queijos artesanais durante a pandemia

Moderador – Sistema Faemg

Painel: Cooperativismo (Ocemg)
19h30 - 20h20

Palestra: Dr. Airton Spies – O cooperativismo como estratégia para agregar, apropriar e compartilhar valor na cadeia do leite

Moderador - Sistema Faemg

20h20 - Encerramento

27/08/2020 (amanhã)

18h -19h20
Mesa Redonda: Consórcios e serviços de inspeção municipal

Rodrigo Heitor (serviço de inspeção em Uberlândia) – Serviços de inspeção municipal em consórcios intermunicipais

Leris Braga (prefeito Santa Bárbara) – Consórcios intermunicipais nos serviços de inspeção municipal como forma de valorização dos queijos artesanais em Minas Gerais

Moderador – Seapa

19h20 - 20h50
Mesa Redonda: Selo Arte e legislação de queijos artesanais

Rodrigo Lopes - Coordenador de produção artesanal do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

Mayara Pinto – Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento
André Duch – Fiscal Agropecuário do Instituto Mineiro de Agropecuária

Produtor Raimundo Nonato de Santa Rita – Serro

Moderador – Seapa

20h50 - Encerramento do Seminário

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