Milho: Tradings achatam preços
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Agronegócio

Milho: Tradings achatam preços

Produtores contabilizam duplo prejuízo em 2010 - oscilação negativa do mercado e imposições das empresas
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Produtores que contabilizam duplo prejuízo em 2010 - oscilação negativa do mercado e imposições das empresas - vão fazer denúncia ao Mapa

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) realiza hoje(15) o sexto leilão de milho em 2010, mas os produtores estão longe de esboçar expectativas positivas em relação a mais esta oferta. Eles dizem que no momento em que o produtor mato-grossense atravessa a pior crise de renda dos últimos anos, motivada pelos baixos preços do grão, a situação se agrava com a atuação questionável das tradings que achata ainda mais o preço do grão, trazendo-o para patamares muito abaixo do custo de produção.

“Nas últimas edições dos leilões de PEP o que ficou evidente é que os preços recebidos das empresas arrematantes dos leilões (as tradings) não estão cobrindo sequer os custos de produção. Os preços estão insustentáveis”, aponta o diretor administrativo da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado (Aprosoja/MT), Carlos Fávaro.

Segundo ele, as tradings disputam o prêmio [dos leilões] com até 50% a 60% de deságio e depois “fazem uma formação de preço pífia para o produtor”, pagando no máximo R$ 9 por saca de 60 quilos (Kg), já com o Prêmio Escoamento do Produto (PEP). O preço mínimo estipulado pela Conab é de R$ 13,98.

“Concordamos que a empresa tem o direito de descontar do produtor o Funrural (2,3% do valor da saca) e a taxa de secagem para aqueles que ainda não contam com armazém. Esta taxa gira em torno de R$ 1 a R$ 1,50, no máximo. Considerando estas duas despesas, o produtor teria que receber no mínimo R$ 12,50 pela saca, este seria um preço aceitável e justo”, afirma Fávaro.

Ele disse ter informações de produtores que estão sendo lesados pelas empresas. “Na verdade, o produtor também tem culpa. Ele não poderia vender pelo preço que as empresas ofertam. Quando a Aprosoja/MT tiver prova concreta, vai fazer denúncia ao Ministério da Agricultura. É um absurdo o que estão fazendo com o produtor”, critica Fávaro.

Os valores pagos pelas empresas, em torno de R$ 9, estão abaixo dos custos de produção. “É um desestímulo ao produtor, que se vê na obrigação de ‘entregar’ o produto para fazer caixa e pagar seus compromissos”.

Para ele, a consequência virá nos próximos meses, quando o produtor estiver se preparando para o plantio da safra 10/11 de soja. “Com certeza, ele será obrigado a reduzir área e tecnologia, pois não vai ter de onde tirar dinheiro. Os produtores estão insatisfeitos e a Aprosoja/MT está de olho nisso”.

PRORROGAÇÃO – A Aprosoja/MT informou que a comprovação das operações do próximo leilão de milho, a ser realizado hoje, poderá ser feita até o dia 28 de fevereiro de 2011. A data estipulada para as ofertas públicas anteriores era de até 31 de dezembro deste ano. No leilão de hoje serão ofertadas 1 milhão de toneladas, sendo 600 mil toneladas de Mato Grosso.

A prorrogação consta no novo aviso de leilão publicado pela Conab e atende a Aprosoja, que na semana passada entregou ofício ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) solicitando alteração do prazo. “O prazo estipulado anteriormente vinha limitando o andamento de alguns negócios, por isso a prorrogação é fundamental para a efetivação das operações e para o fluxo de escoamento”, frisa o presidente da Aprosoja, Glauber Silveira.

Nos cinco primeiros leilões realizados este ano, 84% da meta nacional de escoamento foi atingida, com investimento de R$ 311 milhões. Esse valor corresponde a 20% do total que o governo federal estaria disposto a usar para intervir no mercado do milho.

Principal destino dos prêmios para escoamento da produção da Conab, Mato Grosso produz cada vez mais milho, apesar de municípios como Sorriso chegarem a pagar ao produtor apenas R$ 6 por saca. O setor reclama que o custo chega ao dobro desse valor.

A expectativa dos produtores mato-grossenses é de que os leilões do governo e a exportação ajudem a sustentar as cotações internas este ano.


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