Agronegócio

Milho/MT: Mercado frustra intenções

Imea divulgou primeiro desenho do que pode vir a ser a nova safra do cereal no MT
Por: -Marianna Peres
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Imea divulgou primeiro desenho do que pode vir a ser a nova safra do cereal no Estado. Cobertura menor reflete o cenário

A safra de milho 2014, em Mato Grosso, deverá ser 27,49% menor em relação ao saldo deste ano que fechou com a oferta de 22,53 milhões de toneladas. Até o mês passado, a segunda safra mato-grossense com o cereal seguia uma incógnita no Estado, depois de dois ciclos de recordes sobre recordes. Havia apenas a certeza de que a pujança não se repetiria como um reflexo lógico do mercado que aponta oferta e preços baixos, mas os números não eram conhecidos. Somente agora, iniciando a terceira semana de outubro é que o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) pôde traduzir em números o que o mercado sinalizava: a participação do milho será a menor dos últimos dois ciclos no peso total da safra estadual de grãos.


A primeira estimativa para a safra de milho 2013/14, realizada pelo Imea, foi oficializada nesta segunda-feira (14), por meio do Boletim Semanal do Milho. Conforme a publicação, a área semeada a partir de janeiro será de 3,36 milhões de hectares (ha) para uma produção de 16,34 milhões de toneladas (t). Na comparação com a safra 2012/13, a cultura perdeu 9,3% de sua área de 3,7 milhões ha para outras culturas de segunda safra, como girassol e algodão. É uma espécie de migração inversa. Se nos últimos dois anos o milho ‘roubou’, especialmente, áreas até então do algodão pela maior liquidez da commodity frente à pluma, agora o mercado se inverte, já que a pluma mostra perspectivas mais positivas. Em Mato Grosso, o milho é cultivado em áreas que são colhidas com soja e por isso há uma concorrência entre milho e algodão para fecharem o ciclo agrícola estadual.

Os números revelam uma nova realidade do milho no Estado. “Após a área de milho nesta safra atingir participação recorde de 46,7% sobre a área de soja no Estado, projeta-se para a temporada 2013/14 um recuo de 6,2 pontos percentuais (p.p.) nesta participação. O decréscimo na área do cereal será ocasionado, sobretudo, devido às baixas cotações do grão neste ano, que desestimularam um novo avanço produtivo para o próximo ciclo. Todavia, o impacto maior no recuo da produção 2013/14 do milho virá em cima da produtividade do cereal”, alertam os analistas do Imea.


Os investimentos com insumos, sobretudo, com sementes e fertilizantes, serão reduzidos. Assim, a expectativa é de que a produtividade média da safra 2013/14 seja reduzida para 81 sacas/ha no Estado, ante 102 sacas/há

O CLIMA – Por suceder a soja, a safra de milho depende duplamente de fatores climáticos. Primeiro porque qualquer atraso na soja implica em problemas ao cereal, e segundo, porque o milho precisa de um regime de chuvas para o pleno desenvolvimento das espigas e por isso sua janela de cultivo deve ser seguida à risca no Estado, ou seja, até o final de fevereiro.

Por isso, o Imea chama à atenção para o ritmo de cultivo da soja. A área estimada à oleaginosa chegou a apenas 9,1% de cobertura. “As chuvas de outubro servirão como divisores de águas para a consolidação da expectativa do milho para a próxima temporada, podendo impactar em recuo ainda maior da área do cereal. No momento, resta aguardar como o clima irá se comportar nos próximos dias no Estado”, alerta o Boletim.


Na safra passada a área semeada até o mesmo período, segunda semana de outubro, era de 17,3%, ou seja, há um atraso de 8,23 p.p.. Os 9,1% da área já semeada equivalem à cobertura de 754.938 ha da área total, tornando evidente o atraso no comparativo com as duas últimas safras, quando já haviam sido semeados mais de 1,3 milhão de hectares no mesmo período. “Só não ficou mais atrasada que a safra 2010/11, que no mesmo período tinha 429.600 ha semeados, porém, com uma área 30% menor que a desta safra. O atraso deste ano ocorre devido à má distribuição das chuvas no Estado”.

O Imea destaca que nesta semana as precipitações ainda não devem tomar todo o Estado, mas a evolução na semeadura deve crescer principalmente nas regiões que estão com chuvas mais contínuas, como a parte oeste de Mato Grosso.

PREÇOS - Já não é mais novidade que as cotações do milho, em Mato Grosso, apresentam-se baixas nos últimos meses. O preço médio do cereal finalizou a última semana a R$ 10,09/sc, recuperação de apenas 0,2% em relação ao preço da semana anterior. Comparado ao mesmo período de 2012, a cotação do milho mato-grossense nesta última semana foi 43% mais baixa, atingindo queda de 54,7% e 47,6% em Lucas do Rio Verde e Sorriso, respectivamente, praças com as menores cotações do Estado.


“O grande entrave para recuperação dos preços neste ano é a superoferta do cereal que não está sendo acompanhada pela demanda, pressionando os preços para baixo. Com as embarcações já lotadas de milho, fica mais difícil negociar o cereal no mercado para entrega imediata, tornando mais frequente os negócios para pagamento e entrega nos meses seguintes”.
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