Milho não chega a Pernambuco
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Agronegócio

Milho não chega a Pernambuco

Conab só conseguiu 20 mil toneladas do grão
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Em novo leilão fracassado, Conab só conseguiu 20 mil toneladas do grão. Produtor diz que frete para o Nordeste não vale a pena


Falhou, pela segunda vez, o leilão da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a compra de 103 mil toneladas de milho a granel, que seriam entregues nos portos do Nordeste para socorrer os produtores de municípios atingidos pela seca. Do total previsto, a Conab só conseguiu adquirir 20 mil toneladas (19,4%) para a Bahia. Pernambuco (25 mil toneladas), Paraíba (28 mil t) e Ceará (30 mil t) ficaram sem um grão de milho sequer nessa operação. Na primeira tentativa, realizada no último dia 17, os produtores alegaram que o tempo para a entrega do milho era insuficiente. O governo esticou o prazo e, mesmo assim, não foi suficiente para atrair interessados. Um nono leilão será realizado no próximo dia 6.


O secretário de Agricultura de Pernambuco, Ranilson Ramos, diz que encaminhou um ofício ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), na última quarta-feira, solicitando que as 25 mil toneladas de milho do Estado sejam realocadas para o transporte rodoviário. “O Estado já está prejudicado. Pactuamos com a Casa Civil um volume de 47.270 toneladas de milho, das quais 25 mil viriam por frete marítimo e 22.270 por transporte rodoviário. Esse milho seria para atender os meses de abril e maio. Ao invés disso, estamos recebendo 1.500 toneladas por semana. Isso quer dizer que em dois meses só receberemos 12 mil toneladas (um quarto do previsto)”, calcula.

A demanda de Pernambuco é de 30 mil toneladas por mês. A dependência do milho para alimentar o gado aumenta diante da redução da oferta de cana-de-açúcar. Em março, o governo do Estado iniciou a distribuição gratuita em oito polos espalhados pelo Agreste e Sertão, mas a dificuldade logística e o fim da safra fez a operação minguar. O rebanho de 2,4 milhões de bovinos no Estado sofreu uma redução de 1 milhão de animais, que morreram, foram levados para outros Estados ou abatidos precocemente.


O desinteresse da venda de milho para o Nordeste é uma questão de mercado. Apesar de o governo federal estar pagando bem pela tonelada (R$ 730,80), os armadores (donos dos navios) e transportadores rodoviários estão interessados em escoar a safra recorde de soja. “O frete rodoviário do Mato Grosso para o Nordeste custa R$ 370, enquanto para o Porto de Paranaguá (distante 700 km) fica em R$ 220. A diferença é que para Paranaguá é possível fazer três viagens por semana e para o Nordeste (4.000 km) uma carreta demora 20 dias para ir e voltar, com essa nova regra trabalhista do caminhoneiro”, explica Antônio Santos, da Correta (representante de cereais) em Lucas do Rio Verde (MT). O executivo alerta que o número de caminhões é insuficiente e que a ferrovia seria a melhor alternativa para o transporte de grãos. 
Em novo leilão fracassado, Conab só conseguiu 20 mil toneladas do grão. Produtor diz que frete para o Nordeste não vale a pena
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