Milho safrinha vai dominar o plantio no noroeste do Paraná
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Agronegócio

Milho safrinha vai dominar o plantio no noroeste do Paraná

Na região de Marialva responderá por 95% da área cultivada
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Com os percalços vividos pelos agricultores que optaram por cultivar trigo na safra de inverno passada, o cereal dificilmente voltará a ser plantado nas trinta cidades da área de abrangência da Associação dos Municípios do Setentrião Paranaense (Amusep) este ano.


Também a canola, que vinha sendo experimentada em algumas propriedades nos últimos dois anos, não estimula os produtores. Assim, quase a totalidade dos 230 mil hectares da região de Maringá serão destinados ao milho safrinha.

A Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab) estima que a área destinada ao milho safrinha no Estado deverá aumentar em torno de 10%. Em Maringá, porém, tanto os técnicos da Seab quanto das cooperativas acreditam que o grão deverá ocupar próximo de 95% do solo cultivável, deixando cerca de 5% para as demais culturas.

A área de milho somente não será maior pela falta de sementes nos estabelecimentos autorizados e muitos produtores estão temerosos, porque o governo não anunciou seguro para a cultura e o custo para contratar seguro junto a empresas equivale a vinte sacos por hectare.


Na região de Marialva (a vinte quilômetros de Maringá), o milho responderá por 95% da área cultivada com a safra de inverno, segundo cálculos do engenheiro agrônomo Evandro Antônio Batalini, da unidade da Cooperativa dos Cafeicultores de Mandaguari (Cocari).

Já o trigo que ocupou 8 mil hectares na safra passada, neste ano dificilmente chegará a 4 mil. Batalini diz que. "quem plantou trigo sofreu muito, pois além dos problemas climáticos, as geadas e a seca, os preços estão muito baixos e o produtor se sente desmotivado". De acordo com o técnico da Cocari, "o trigo é alimento, é um produto de todos os dias na mesa do brasileiro, no entanto, não recebe incentivo do governo".


Em Mandaguari (a 37 quilômetros de Maringá), que é um dos municípios da região que mais tem plantado trigo no noroeste nos últimos anos, também não reservará muito espaço para o grão. O agrônomo Cássio Barbosa Sespede, da Cocari, acredita que a área destinada ao trigo deverá ser reduzida entre 10% e 20% em relação à safra passada.

A região de Doutor Camargo (a 37 quilômetros de Maringá), que além do trigo, tem o girassol como alternativa ao milho safrinha, talvez se limite ao milho nesta safra. Segundo Aparecido Barbosa de Souza, da unidade da Cooperativa Agroindustrial de Maringá (Cocamar), ninguém vai plantar girassol neste inverno e o trigo, se alguém plantar, será em quantidade insignificante.


"Como o trigo é plantado mais tarde, dificilmente escapará da geada", diz, explicando que na safra passada os produtores de trigo da região tiveram prejuízo enquanto que os vizinhos que plantaram milho só tiveram vantagem.

A família Dolfini, de Floresta (a trinta quilômetros de Maringá), que está entre os principais plantadores de grãos da região, não quer mais saber de trigo depois de ter perdido 100% do plantio da safra passada.

Na análise do Departamento de Economia Rural (Deral), da Seab, o trigo só terá algum espaço neste ano na região de Maringá, porque muitos produtores rurais guardaram sementes da safra passada, porém podem se decepcionar ainda mais porque semente "caseira" não tem certificação e hoje o trigo é classificado de acordo com o teor de glútem. Se a semente guardada não produzir com qualidade, o produto não alcançará bons preços na hora de vender.

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