MILHO/SORGO: clima pode garantir o abastecimento interno nesta safra
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Agronegócio

MILHO/SORGO: clima pode garantir o abastecimento interno nesta safra

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Tanto o IBGE quanto a CONAB projetam um crescimento em torno de 2,7 milhões ton na safra de verão neste ano. Grande parte deste crescimento deverá ser registrado nas regiões Sul e Nordeste do País. A safra do Nordeste ainda depende da contribuição do clima nos próximos meses, mas os institutos de meteorologia já indicam que os fatores prejudiciais a esta região oriundos do efeito El niño podem ser mais amenos do que o inicialmente estimado.

O Centro-Oeste deve ser a única região com mais um recuo na produção de milho, basicamente em razão da substituição desta cultura pela soja. Será a segunda safra consecutiva de redução na oferta de milho nesta região. No ano passado, a produção de milho no Centro-Oeste declinou em mais de 30%. Neste ano, as projeções indicam uma queda na produção de verão inferior a 3%. Esta será a menor oferta no Centro-Oeste desde a safra 1997/98.

Em vista disso e de forma inédita, os preços em Goiás e no Mato Grosso se mantêm durante este período de colheita em níveis superiores às demais regiões brasileiras. Com um índice de colheita em média já acima de 50% em Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, acredita-se inclusive que esta característica possa se manter e que haveria pouca margem de queda nos preços na região Centro-Oeste nas próximas semanas.

Considerando uma média simples entre as estimativas do IBGE e as da CONAB, chegamos a uma produção na 1ª safra de aproximadamente 32,0 milhões ton de milho. As primeiras projeções oficiais da safrinha de milho foram divulgadas pela CONAB em quase 9,0 milhões ton, um volume considerado plenamente possível, caso as condições climáticas forem favoráveis ao desenvolvimento desta cultura, especialmente no Paraná. Para o sorgo, a CONAB projeta um volume superior a 1,0 milhão ton, também potencialmente alcançável, caso as mesmas condições favoráveis de clima sejam registradas, especialmente no Estado de Goiás.

Veja o resumo das projeções no quadro abaixo:

Produção milho (em mil ton)

IBGE CONAB

Região 2002 2003 2002 2003

Sul 14.372,1 16.171,9 14.457,0 16.038,9

Sudeste 8.190,6 8.114,6 8.165,7 8.562,7

C.Oeste 3.846,9 3.777,6 3.884,4 3.873,9

Nordeste 2.105,3 3.175,4 1.738,0 2.497,0

Norte 783,1 810,5 841,9 888,2

Total 29.298,0 32.050,0 29.087,0 31.860,7

2ª safra (safrinha)

C. Oeste 3.383,7 s.i 3.203,8 4.009,1

Sul 1.977,2 s.i 1.983,2 3.632,9

Sudeste 722,5 s.i 729,0 1.061,3

Nordeste 120,2 s.i 264,5 264,5

Total 6.203,6 s.i 6.180,5 8.967,8

Total 35.501,6 - 35.267,5 40.828,5

SORGO 764,3 s.i 798,2 1.105,9

O consumo anual de milho no Brasil está estimado em torno de 37,0 milhões ton. De acordo com os números projetados, a safra nacional poderá alcançar um volume entre 40,0 a 41,0 milhões ton. Considerando ainda a produção de sorgo, a qual pode realmente ultrapassar 900 mil ton, chegaríamos a um suprimento total superior a 41,0 milhões ton neste ano safra, na hipótese das lavouras principalmente de safrinha serem amplamente beneficiadas pelas condições climáticas.

Com esta projeção de oferta e demanda nacional, além do abastecimento interno estar tecnicamente garantido, ainda haveria margem disponível para que as exportações de milho pudessem superar 2,0 milhões ton neste ano. Mas deve-se ressaltar, que a recomposição dos estoques no País, tanto públicos quanto privados, somente será possível com compras externas, o que no momento têm um custo cambial ainda muito alto.

Assim, são grandes as chances de que os consumidores nacionais terão neste ano uma oferta disponível no mercado significativamente superior à safra 2001/02, mesmo com um incremento moderado nas exportações de milho por parte dos produtores/cooperativas.

Com estas perspectivas mais favoráveis de suprimento, os negócios futuros na BM&F fecharam em queda na semana passada, com registro médio de R$ 20,30/sc nas posições com vencimento em maio e de R$ 22,10 e 23,10/sc, posto Campinas/SP, nas de julho e setembro, respectivamente.

Levando em consideração estes valores negociados na BM&F/SP, a projeção mínima de preços da SoloBrazil para o mês de maio está em R$ 17,00/sc nas áreas produtoras da região Centro-Sul. Para o 2° semestre, a mesma paridade indica valores mínimos em torno de R$ 19,30/sc entre os meses de julho a setembro, período em que a safrinha é comercializada.

Esta projeção de preços é resultado da média entre São Paulo, Paraná, Goiás e Mato Grosso.

Para o sorgo, considerando a proporção de 70% do preço do milho, nossa estimativa indica níveis mínimos de preços em torno de R$ 13,48/sc ao produtor em Goiás durante o mês de julho/2003.


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