MILHO/SORGO: importar menos depende somente dos consumidores


Agronegócio

MILHO/SORGO: importar menos depende somente dos consumidores

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Os últimos números de safra divulgados pelo IBGE confirmam nossas estimativas de que a necessidade técnica de importação de milho em 2003 pode ser menor. Segundo o último levantamento realizado pelo IBGE, cujos números consideram toda a região Centro-Sul e mais os Estados de Rondônia, Bahia, Maranhão e Piauí, a área plantada de milho 1ª safra nesta safra recuou cerca de apenas 0,2%. Nas regiões consideradas, a produção de verão está estimada em 29,745 milhões ton de milho, 7,7% acima da safra passada, reflexo do possível aumento na produtividade média este ano.

Se incluirmos os outros Estados do Norte e Nordeste ainda não pesquisados pelo IBGE, mantendo para estas regiões a mesma produção da safra 2001/02, chegamos a uma produção nacional de milho na 1ª safra de 31,342 milhões ton, em torno de 2,0 milhões ton acima do ano passado. Certamente, este número considera condições totalmente favoráveis à safra brasileira de milho, o que até o momento vem acontecendo, com níveis de chuvas suficientes em todas as regiões produtoras, inclusive no Nordeste.

Com os números do IBGE, a SoloBrazil divulga mais uma vez um novo balanço de oferta e demanda nacional de milho para esta safra 2002/03. Para uma projeção pessimista, desconsideramos qualquer aumento na oferta de milho e sorgo no período de safrinha, de modo que mantivemos os mesmos números do ano de 2002.

Se considerarmos todo o sorgo produzido como um substituto perfeito do milho neste ano, chegamos a um nível de oferta de 38,384 milhões ton de milho e sorgo a serem produzidos neste ano, incluindo neste valor algo em torno de 60 mil ton em estoques iniciais.

Projetando uma demanda neste ano de 38,7 milhões ton, incluindo neste número 2,0 milhões ton de milho a serem exportadas (o mesmo valor de 2002), tecnicamente chegaríamos a um déficit na safra 2002/03 de 316 mil ton de milho.

No decorrer do ano passado foram importadas cerca de 345 mil ton de milho. Ou seja, se as exportações de milho neste ano que se inicia não superarem os valores do ano passado, teoricamente a necessidade de importação do grão neste ano será menor. Reitera-se, que não incluímos em nosso quadro de oferta/demanda nenhum aumento na produção da safrinha nesta safra, de modo que se os consumidores nacionais estiverem dispostos a remunerar o milho com competitividade em relação à paridade de exportação, podem com certeza evitar uma crise maior de desabastecimento neste ano.

Considerando um câmbio de R$ 3,55/dólar, estimamos uma paridade de importação em torno de R$ 29,30/sc CIF indústria, para o milho originário do Mercosul. Já a paridade de exportação (com o mesmo câmbio) está estimada em R$ 22,35/sc FOB Paranaguá. Ou seja, no momento, remunerar com base na paridade de exportação se torna uma economia de no mínimo 20% para os consumidores nacionais, não incluindo aqui os riscos de uma provável instabilidade cambial com a iminente guerra entre EUA e Iraque, o que pode prejudicar significativamente o comércio internacional este ano.

Por enquanto, levando em consideração os valores negociados atualmente nos contratos futuros de milho na BM&F/SP, a projeção de preços da SoloBrazil para o período de safra (março/maio) está em R$ 16,00/sc nas áreas produtoras da região Centro-Sul. Para o 2° semestre, a mesma paridade indica valores em torno de R$ 17,70/sc entre os meses de julho a setembro.

Com estas estimativas, percebe-se que as atuais percepções dos agentes de mercado na BM&F/SP são de que os preços no mercado interno ficarão bem abaixo da paridade de exportação, o que na hipótese de uma estabilidade do mercado externo, pode incentivar as exportações de milho em todo o País, inclusive no Centro-Oeste, região esta que chegou a exportar 160 mil ton de milho no ano passado, apesar de sua distância até os portos.

A projeção média de preços da SoloBrazil para o período de safra (divulgada acima), é resultado da média dos preços em São Paulo, Paraná, Goiás e Mato Grosso. Entre março/maio de 2003, os produtores do PR poderão estar recebendo em média pelo milho R$ 16,21/sc, SP (R$ 17,27/sc), GO (R$ 16,46/sc) e MT (R$ 14,01/sc).

Para o sorgo, considerando a proporção de 70% do preço do milho, nossas estimativas indicam níveis médios de preços em torno de R$ 12,10/sc ao produtor em Goiás durante o mês de julho/2003.


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