MILHO/SORGO: preços internacionais podem permanecer em queda


Agronegócio

MILHO/SORGO: preços internacionais podem permanecer em queda

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O mercado em Chicago chegou a atingir patamares superiores a US$ 115,0/ton em setembro do ano passado, mas desde então os níveis vêm recuando gradualmente e hoje estão próximos a US$ 90,0/ton. Acredita-se que esta tendência possa persistir em virtude das recentes estimativas de que a oferta americana tenda a aumentar na próxima safra 2003/04, após dois anos de queda sucessiva.

As projeções para o plantio de milho nos EUA neste ano estão entre 80,5 a 80,7 milhões acres, cerca de quase 2% acima do ano passado. Esta tendência ocorre simultaneamente a um período em que os EUA registram seus menores níveis de exportações dos últimos quatro anos. Basicamente, o aumento do plantio de milho nos EUA seria resultado de uma relação de preços mais favorável a este grão, oriunda do preço mínimo (loan rate) garantido pelo Governo americano.

A baixa competitividade do milho americano no mercado internacional e a redução de suas exportações têm sido a causa principal do negativo direcionamento dos preços na Bolsa de Chicago nos últimos meses.

Em seu último relatório mensal de oferta/demanda mundial, publicado no dia 11/março, o USDA reduziu ainda mais suas projeções referentes às exportações americanas nesta safra 2002/03, fixadas em 44,45 milhões ton, 3,5 milhões ton (ou 7%) a menos do que na safra 2001/02. Mas até o início do mês de março, as exportações americanas haviam atingido somente 26,074 milhões ton, cerca de 13% a menos do que no mesmo período da safra passada, o que vem gerando especulações na Bolsa de Chicago de que as vendas poderiam fechar o ano/safra ainda abaixo das projeções do USDA.

A participação do milho americano no mercado internacional recuou face ao incremento das exportações de países como a China e o Brasil, assim como pela boa competitividade do milho argentino.

A colheita na Argentina e as boas condições climáticas no "cinturão" do milho nos EUA são outros fatores de pressão a curto prazo na Bolsa de Chicago. O índice de colheita neste país já atinge 25% da área plantada, bastante adiantada em relação ao ano passado, quando o índice ainda estava em torno de 15%. O plantio na Argentina nesta safra praticamente não se alterou em relação à anterior, fechando em torno de 3,03 milhões ha.

Apesar do USDA projetar as exportações argentinas neste ano em 10,0 milhões ton, praticamente no mesmo nível do ano passado, a Secretaria de Agricultura da Argentina estima que potencialmente o país exportará no máximo 9,2 milhões ton. Mas o ritmo das exportações do milho argentino nesta safra 2002/03 é alto, já superando 3,5 milhões ton até a semana passada.

O milho está atualmente cotado FOB Argentina a US$ 94,0/ton, mas também chegou a alcançar US$ 115,0/ton em setembro do ano passado. No Brasil, as indicações para os embarques em abril estão em torno de US$ 105/ton FOB Paranaguá, o que reflete os melhores preços nos portos e a boa demanda para o nosso milho não transgênico.

Os estoques mundiais de milho estão estimados em 106,7 milhões ton, o mais baixo nível desde a safra 1997/98. A produção global nesta safra 2002/03 será menor em torno de 4,8 milhões ton, enquanto praticamente não haverá redução na demanda mundial, o que proporciona mais um recuo nos estoques finais neste ano. Mas esta melhor relação de oferta/demanda mundial pode não impedir com que os preços internacionais recuem em níveis próximos ao ano passado.

Para os consumidores nacionais, a queda do mercado internacional significa um menor custo adicional nas importações do grão, especialmente com uma aparente tendência de que o dólar possa recuar no Brasil, pelo menos após o passageiro conflito entre EUA e Iraque.

O custo médio de importação no Brasil está estimado em torno de R$ 27,0/sc, CIF indústria. Com o possível incremento no plantio americano, não há perspectivas de uma trajetória positiva dos preços em Chicago ao longo deste ano. Assim, a cada nova queda do dólar de agora em diante, aumentam-se as chances de uma melhor competitividade do milho importado no Brasil, especialmente do Paraguai.

Diante dos últimos valores negociados na Bolsa de Chicago, percebe-se que o diferencial de preços entre este ano e o ano passado começa a diminuir muito nos contratos com vencimentos mais longos, o que indica claramente que o mercado internacional pode direcionar-se para níveis ainda mais baixos do que os atuais, caso permaneçam sem alterações as informações de oferta/demanda nos Estados Unidos.

Os contratos futuros com vencimento no mês de maio na BM&F estão posicionados a R$ 21,45/sc, posto Campinas/SP. Nossa projeção média de preços mínimos nas áreas produtoras da região Centro-Sul está em R$ 18,10/sc até o respectivo período. Os produtores do PR poderão estar recebendo no mínimo pelo milho R$ 18,20/sc, SP (R$ 19,32/sc), GO (R$ 18,60/sc) e MT (R$ 16,28/sc).

Já os contratos de milho com vencimentos entre julho e setembro na BM&F/SP estão posicionados em média a R$ 23,50/sc. Para este período (colheita e comercialização da safrinha), nossa projeção mínima está indicada em R$ 20,15/sc nas áreas produtoras da região Centro-Sul.

Para o sorgo, considerando a proporção de 70% do preço do milho, nossas estimativas indicam níveis mínimos de preços em torno de R$ 14,10/sc ao produtor em Goiás durante o mês de julho/2003.


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