Milho terá extra, prevê Abrange

Agronegócio

Milho terá extra, prevê Abrange

O produtor de milho convencional também vai receber bônus, mais cedo ou mais tarde
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Apesar dos questionamentos em relação à soja, o produtor de milho convencional também vai receber bônus, mais cedo ou mais tarde. Essa é a avaliação do diretor-executivo da Abrange Ricardo Tatesuzi de Sousa. Ele considera que a tendência de adesão ao cereal transgênico é maior que a verificada no cultivo da oleaginosa, ou seja, que pode faltar milho comum. “O argumento de que, no milho, não vai haver contaminação é frágil. Com certeza será necessário segregar.”

O Brasil exporta menos milho do que soja. No entanto, as multinacionais instaladas no país já estariam preocupadas em garantir cereal convencional, aponta. “Fala-se em uma linha de produção específica, em uma zona de produção exclusiva.”

A distância de 100 metros de lavouras transgênicas, prevista na legislação brasileira, pode não ser suficiente, acrescenta. A Abrange prevê uma enxurrada de processos de produtores de convencional querendo responsabilizar agricultores vizinhos por contaminação. “Se for verificado que a plantação de transgênico fica a mais de 100 metros da convencional, de quem vai ser a responsabilidade pela contaminação?”, questiona.

O quadro, tanto da contaminação quanto do pagamento de bônus, é considerado incerto pelo pesquisador Frederico Glitz, do Co-Extra. Ainda não há avaliações consolidadas sobre os custos de produção de milho convencional e transgênico. Ele afirma que, neste momento, a opção pela semente, a segregação e a própria rotulação dos produtores precisam ser “muito bem pensadas”.

O governo do Paraná avalia a possibilidade de subsidiar o seguro rural para produtores de milho convencional. A medida já foi autorizada pela Assembleia Legislativa. A alternativa pode gerar reclamações da concorrência, prevê Glitz. Ele diz que a Argentina, por exemplo, pode recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC), alegando prejuízo com essa investida. O grão comum chegaria ao mercado com preço artificialmente menor, prejudicando o país vizinho, que produz praticamente só cereal transgênico.


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