Milho valoriza as exportações no Porto de Paranaguá (PR)

Agronegócio

Milho valoriza as exportações no Porto de Paranaguá (PR)

O prêmio pago aos paranaenses chega a 50% do valor gasto na produção
Por: -Silvano
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As boas notícias que envolvem o milho paranaense começam no campo, passam pela sua comercialização e se estendem ao Porto de Paranaguá, por onde é escoado um grão extremamente valorizado no mercado internacional, capaz de premiar em US$ 50 a tonelada do grão convencional. Atualmente, o Brasil comercializa o milho convencional por US$ 200 a tonelada – considerado como o preço máximo atingido pelo mercado internacional em sua história –, enquanto em outros países, como os Estados Unidos, o milho transgênico é cotado a US$ 150 a tonelada.

O boletim econômico Safras & Mercado de segunda-feira (06-08) explica que esse ágio de US$ 50 é pago porque há garantia que o milho brasileiro é convencional enquanto nos Estados Unidos 73% da área de milho plantada foi realizada com sementes transgênicas e fecundação cruzada, praticamente eliminando a existência de milho convencional para atender a demanda européia. No Brasil, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) proibiu a comercialização de qualquer variedade de milho transgênico.

Em julho deste ano, o Brasil realizou o maior embarque mensal da história, com 1,039 milhão de toneladas de milho. Pelo Porto de Paranaguá, no mesmo mês, foram embarcadas 320 mil toneladas de milho. Considerando o prêmio de US$ 50 pago pela exportação do grão convencional, a venda do milho que passou por Paranaguá representou o acréscimo de US$ 16 milhões sobre o valor do grão comercializado.

“O prêmio pago aos agricultores paranaenses chega a custear 50% do valor da gasto na produção. Como existe uma restrição grande na Europa pelo consumo do milho transgênico, esse prêmio é um excelente estímulo para aumentar o cultivo e as exportações”, avaliou João Reginaldo Kowalski, diretor comercial da Kowalski Alimentos, sediada em Apucarana, distante 450 quilômetros do Porto de Paranaguá. A empresa possui uma capacidade de moagem de cerca de 380 mil toneladas de milho por ano e exporta entre 7 mil e 8 mil toneladas de produtos industrializados por mês.

Segundo Kowalski, a restrição ao consumo do milho transgênico elevou o prêmio pago pelo milho convencional. “No passado o prêmio girava em torno de US$ 10 a US$ 15 por tonelada. O preço atual colabora para a exportação do milho paranaense, que conta com a proximidade do Porto de Paranaguá, onde existe uma logística facilitada. Em função do mercado de etanol americano, que tem um consumo grande de milho, acredito que essa commodity vai continuar com um preço elevado, incentivando a sua produção no Paraná, que é hoje o principal Estado brasileiro produtor de milho”, considerou.

No campo, as perspectivas seguem a mesma tendência positiva. Fábio Silveira, economista da RC Consultores, estima que o maior incremento da produção agrícola acontecerá com o milho: 55,8 milhões de toneladas ou 10% a mais do que o ano passado, superando a produção de soja, que deverá crescer 9,9%. No Paraná, a produção está estimada 13,84 milhões de toneladas. A produção expressiva da commodity somada ao fato de o grão não ser transgênico conferiram ao milho produzido nas lavouras paranaenses uma equação positiva, capaz de premiar produtores que mantiverem suas lavouras convencionais.

A RC Consultores prevê uma cotação média do milho de R$ 20,70 a saca de 60 quilos. Segundo ele, mesmo com a queda no preço atual, em virtude da colheita da safrinha, o grão ainda é atrativo frente à soja. A consultoria projeta que em 2008 o Brasil vai exportar 11,1 milhões de toneladas do cereal, tornando-se o segundo maior vendedor do mundo, atrás dos Estados Unidos. No acumulado do ano, o Porto de Paranaguá embarcou 2,3 milhões de toneladas, 15% a mais que o verificado no mesmo período do ano passado.

Nessa segunda-feira (06-08), o navio “Tian Tong Feng” atracou no cais comercial do Porto, recebendo 35 mil toneladas de milho com destino à Espanha. Ao largo, quatro embarcações carregarão mais de 200 mil toneladas do produto e nas próximas 48 horas está sendo aguardada a chegada do navio “Ji Mei Long”, que levará 60 mil toneladas do grão para a China. As informações são da assessoria de imprensa do Governo do Paraná.


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