Morre Macedo Neto: um mago da genética das raças britânicas

Agronegócio

Morre Macedo Neto: um mago da genética das raças britânicas

Sob seu comando, a Cabanha Azul conquistou status de grife da pecuária brasileira
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Sob seu comando, a Cabanha Azul conquistou status de grife da pecuária brasileira

Aos 76 anos de idade, faleceu nesta quarta-feira (dia 12 de janeiro), em Porto Alegre, RS, vitimado por um câncer contra o qual lutava já há alguns anos, o agropecuarista por excelência, João Vieira de Macedo Neto.

Selecionador de memoráveis campeões das raças de origem britânicas Angus, Hereford e Devon na Internacional Expointer, dono da legendária Cabanha Azul, em Quaraí, RS, com mais de um século de existência, Macedo, como era chamado por seus amigos e admiradores, deixa a viúva Magdala, quatro filhos e onze netos.

Depois de participar ativamente da Expointer 2010, em meio às pessoas que circulavam nas dependências especialmente armadas para o 7º Remate Selo Racial, na Cabanha Azul, em Quaraí, no início de outubro do ano passado, João Vieira de Macedo Neto, peça chave no desenvolvimento do tradicional criatório gaúcho, poderia até passar despercebido em meio à multidão.


Extremamente discreto e introvertido, o patriarca da família Macedo escondia, por trás de um homem calvo e franzino, um agropecuarista forte, apaixonado pelo campo, pela seleção apurada de reprodutores das raças que criava e um memorável vencedor nas pistas de julgamentos de animais de exceltopo de linha.

Ano passado, dizia ter conquistado tudo que começara a almejar quando ainda era estudante da Faculdade de Agronomia e Veterinária da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em meados da década de 1950. E conquistou. Embora tenha nascido em Belo Horizonte (MG), em razão do pai estar servindo ao Exército naquela cidade em 1934, foi em solo gaúcho que Macedo trilhou sua história. Desde que se formou, em 1957, e foi atender ao plantel de reprodutores da Cabanha Azul ao lado do tio, Lauro Dornelles de Macedo, conquistou mais de 110 grandes campeonatos em nas pistas da Expointer, em Esteio, RS.

Em 2007, ao comemorar os cem anos da Cabanha Azul, pela terceira vez conqistou o grande campeonato nas três raças a que se dedicava: Angus, Devon e Hereford. Com isso, elevou a estância à referência em genética de bovinos produtores de carne de qualidade para o Brasil.

Em 2008 e 2009, a Expointer também teve um significado especial para ele, dentro e fora das pistas. Já doente, em 2008 Macedo Neto foi condecorado pelo Governo Gaúcho com a Medalha Assis Brasil, a mais eleada honraria cpncedida pelo Governo do Estadeo do Rio Grande do Sul a um homen do campo. E em 2009, também na Expointer, foi homenageado com o Troféu Guri, reconhecimento prestado pelo Grupo RBS a pessoas que tenham levado o Rio Grande do Sul para além das fronteiras do Estado.

Nas associações de criadores, o pecuarista também fez história. Foi presidente das entidades representativas das raças Angus, Devon e Hereford. Dirigiu a Associação Brasileira de Angus (ABA) de 1980 a 82. Durante sua gestão à frente da associação de Hereford, foi iniciado o registro da raça sintética Braford no Brasil. Também presidiu, nos anos 80, a Associação Nacional dos Criadores – Herd Book Collares, entidade que informatizou durante sua gestão.
Sempre conciliador e humanitário, Macedo contou com uma equipe fiel de trabalho.
– Nunca vou esquecer quando sofri um acidente e rompi os ligamentos. Estava procurando médico quando ele chegou para mim e disse para eu ir para a Capital. Lá, já havia médico me esperando, quarto no hospital, tudo reservado. Ele era muito bom com os funcionários – contou Altamiro da Costa, 62 anos, que trabalhou na Cabanha Azul por 30 anos.

A discrição de Macedo também está presente na lida com os funcionários. Sempre preferiu mostrar como queria o trabalho com ações. Até pouco tempo, acordava cedo, como sempre fez, e ia junto com a peonada para a lida no campo.

– No tratamento com os animais, os empregados têm sempre em mente uma regra: nunca bater. Tocar os animais só com folhas secas, nunca com nada que machuque. Ele sempre dizia que o animal deve ter respeito pelo homem, nunca medo. Assim como a família, os animais eram a vida dele – comenta um dos administradores da cabanha, Juarez Viero, 50 anos, mais de 30 deles na Cabanha Azul.

– A integridade do pai é um legado. Admiro muito a dedicação que ele sempre teve com a família e o zelo que dispensa a seus funcionários, amigos e colaboradores – destaca uma das filhas, Susana Macedo Salvador.
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