Mostra de Inverno apresenta a vanguarda

Agronegócio

Mostra de Inverno apresenta a vanguarda

Uma das novidades da 5ª edição é o IPR 144, variedade do IAPAR que atesta a viabilidade do plantio de trigo no Arenito Caiuá
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Uma das novidades da 5ª edição é o IPR 144, variedade do IAPAR que atesta a viabilidade do plantio de trigo no Arenito Caiuá

Umuarama/assessoria

Os resultados obtidos com o cultivo de trigo no Arenito surpreendem. E não é de hoje. Em experimentos do início da década, lavouras renderam até 5 mil quilos por hectare, uma produtividade muito alta, comparável a de alguns países da União Européia (que estão entre os maiores produtores do mundo). A produtividade média no Brasil é de 1.700 quilos por hectare.

“É preciso que a região desperte para a viabilidade e para a importância do cultivo de trigo”, diz Elir de Oliveira, pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR). Segundo ele, eventos como a 9ª Mostra de Inverno Arenito Caiuá, promovida em parceria com a Prefeitura de Umuarama, Emater e UEM representam a oportunidade ideal para levantar o tema como uma das “bandeiras” da agricultura do Noroeste. O tradicional evento será realizado no próximo dia 3 de setembro, das 8 às 16h, na unidade experimental do IAPAR (anexa ao campus da UEM). Entre as atrações estará a demonstração do potencial do Arenito para produção de grãos e sementes de trigo, através da apresentação de seis cultivares (trigo e triticale) do Iapar.

IPR 144

Uma das novidades é o IPR 144, variedade lançada recentemente pelo IAPAR. Criada em parceria com a Fundação Meridional de Apoio à Pesquisa Agropecuária, o novo trigo vem apresentando excelentes resultados em testes. “É uma novidade que chegou para ficar, que alcança alta produtividade e é de excelente qualidade industrial”, explica o pesquisador.

Surgido de um cruzamento inicial no ano de 1996, o IPR 144 passou por uma série de exames ao longo dos anos. Foram feitos testes no Paraná, São Paulo, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul e o resultado final agradou bastante. A variedade se mostrou adaptável a ambientes diferentes, portanto, pode ser utilizado em qualquer região do Estado.

A produtividade chama especialmente a atenção, podendo chegar à expressiva marca de quatro mil quilos por hectare. Nos testes, obteve um potencial produtivo 9% acima das ‘testemunhas’ (variedades cultivadas para efeito comparativo). Além disso, tem como característica o porte baixo, que agrada os produtores rurais e está pronto para ser colhido em um ciclo de 113 dias, quando o normal é por volta de 130.

A qualidade técnica elevada é outra vantagem na comparação com os concorrentes.
O trigo mostrou boa desenvoltura na panificação, possuindo glúten mais encorpado, o que assegura a qualidade dos produtos.

A resistência a doenças é outro ponto favorável. Nos testes realizados, apresentou resistência moderada às principais moléstias, como no caso da brusone, que ataca diretamente nas espigas. Com a ferrugem, manchas foliares e oídio, a planta teve uma resistência moderada para combater as enfermidades.

Segundo o IAPAR, mesmo com tantos benefícios, o agricultor não terá nenhum custo a mais para contar com o IPR 144 em sua propriedade (já em fase de produção de sementes, espera-se que mil sacas de 50 quilos sejam implantadas ainda em 2009). Participando de diversas vitrines tecnológicas, dias de campo e feiras agropecuárias, a variedade será apresentada no dia 3 de setembro aos participantes da Mostra de Inverno.

O Arenito Caiuá

Entre 1997 e 2007, o plantio de soja aumentou 750% na região de Umuarama, onde predomina o solo Arenito Caiuá, estimulado principalmente pelos bons preços. Mas o cultivo de grãos numa região onde prevaleceu, por décadas, a pecuária, não veio acompanhado dos cuidados necessários com o solo. Estiagens severas no Paraná e Mato Grosso nos anos de 2002 e 2003, além da queda nos preços, ocasionaram a queda da produtividade e a saída de muitos produtores da atividade na região.
Ao todo, 107 municípios do Estado estão na área do Arenito Caiuá, num total de 3,2 milhões de hectares. Aproximadamente 2 milhões de hectares estão ocupados com pastagens. Mais de 80% apresentam baixa qualidade e produtividade. A alternativa acaba sendo a recuperação por meio da integração lavoura/pecuária.

Segurança alimentar

Para o pesquisador Elir de Oliveira, o desenvolvimento de cultivares mais produtivas e de qualidade elevada é um passo essencial para que o Estado possa sonhar novamente com a condição ostentada em 1987, ano em que o Paraná chegou a produzir 6,1 milhões de toneladas, um recorde histórico. Este volume correspondeu a cerca de 80% do trigo consumido no País, contribuindo naquele ano para o Brasil quase atingir a autossuficiência no consumo.

O IPR-144 se soma a outras 32 cultivares de trigo já desenvolvidas pelo IAPAR. “Com produtividade alta e resistência a doenças e intempéries do clima, como excesso de chuvas, seca ou frio, é um exemplo de variedade indicada para o Arenito”, pondera.

Comparado com outras regiões, a vantagem de se plantar trigo no Arenito é evitar as duas grandes ameaças da lavoura: geada após o florescimento da planta e chuva na colheita, que deprecia o produto final. No Noroeste, a geada é muito rara e a ocorrência de chuvas na colheita reduzida, o que assegura condições adequadas ao desenvolvimento da planta e produção de grãos de qualidade, o que a agroindústria farinheira e o consumidor final exigem.

“Por estas características, é possível afirmar com convicção que é sim possível transformar o Noroeste não só em região produtora de grãos de trigo como também de sementes para atender outras regiões tritícolas e até outros Estados”, afirma Oliveira. “Trata-se de uma questão estratégica de segurança alimentar”, ressalta.
“O evento traz a marca da inovação”, avalia o prefeito Moacir Silva. “Foca o pequeno produtor e a importância da tecnologia para o desenvolvimento agropecuário, contando com exposições e debates entre pesquisadores, extensionistas e produtores, além de diversos experimentos. A Prefeitura de Umuarama sempre será parceira e incentivará iniciativas do gênero”, diz.

Evento recheado de atrativos

A programação da 9ª Mostra de Inverno Arenito Caiuá disponibilizará ainda atualidades sobre plantas com potencial para bioenergia (nabo, cambre, cártamo, canola, linhaça e girassol), equipamento para extração de óleo (demonstração), plantas forrageiras de inverno (aveia, centeio, triticale e azevém), consórcio de gramíneas e leguminosas (aveia, centeio, ervilha, ervilhaca e tremoço), pastagem de inverno com novilhas leiteiras (manejo e adubação), produção de sementes de ervilhaca (tremoço como tutor para ervilhaca), feijão como opção para a pequena propriedade (apresentação de onze cultivares de feijão e ervilha), aveia granífera e novos lançamentos (apresentação de seis cultivares de aveia branca granífera), importância da cobertura e das raízes para proteção do solo (trincheira para visualização de tipos de raízes), formigas cortadeiras (biologia e controle), mistura de cana e uréia para épocas críticas (demonstração de como utilizar o recurso na alimentação do rebanho) e vantagens do Programa de Irrigação Noturna (PIN).


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