MS: Sojicultor tenso pela escassez de chuva e uma “falsa virose”

Agronegócio

MS: Sojicultor tenso pela escassez de chuva e uma “falsa virose”

Até quinta-feira o volume de chuva, especialmente no sul do Estado, era muito baixo
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Chuvas abaixo da média e um fenômeno fisiológico raro no Estado - é mais comum no Paraná e Sul do Brasil- são os destaques no atual estágio da safra de soja em Mato Grosso do Sul.

A área plantada se aproxima dos 100% com algum atraso apenas no norte do Estado, e a preocupação maior hoje é com a necessidade de precipitações mais intensas e prolongadas, uma vez que as plantas estão crescendo e atingem patamares que exigem mais água, umidade e nutrientes.

Falsa Virose é o nome do fenômeno que assustou diversos agricultores que viram suas lavouras de soja ficarem com aspecto feio. O fenômeno é causado por baixas temperaturas na lavoura, o que aconteceu de forma surpreendente no final do mês de outubro, mais precisamente no dia 28, quando a temperatura atingiu 8.9 graus e no dia 29, atingiu 8.1 graus em Rio Brilhante. Isso fez com que as folhas da soja ficassem enrrugadas e caídas, num aspecto que assustou os sojicultores que correram para ouvir os pesquisadores da Embrapa Agropecuária Oeste, de Dourados

Conforme explicou à reportagem o pesquisador Rodrigo Arroyo Garcia, esse distúrbio fisiológico não é nada comum se registrar em Mato Grosso do Sul. Isso porque, normalmente, as últimas frentes frias se verificam no final de setembro ou início de outubro, quando a soja ainda está sendo plantada ou está recém-plantada e não sofre nada com o fenômeno.”Este ano foi atípico registrarmos temperaturas abaixo de 10 graus no final de outubro”, analisou o pesquisador. De qualquer forma, esse fato representou apenas um susto aos produtores, uma vez que a Falsa Virose na realidade não causa nenhum dano às plantas que, com o desenvolvimento da cultura nas lavouras, recupera o vigor das folhas e da planta como um todo.

ESCASSEZ DE CHUVA

Durante o mês de outubro as chuvas até foram razoáveis no Estado, com uma distribuição satisfatória. Mesmo naquelas regiões onde não choveu o necessário, isso não chegou a causar maiores preocupações porque a soja estava brotando e é uma fase que não exige tanta água como na fase atual, quando as plantas já estão maiores e exigem mais nutrientes e mais água para conseguir florescer.

O que está acontecendo é que nos primeiros 10 dias do mês de novembro choveu pouco, especialmente na região sul do Estado. Para exemplificar o que está acontecendo, o pesquisador da Embrapa mostrou dois dados importantes sobre as precipitações: em Dourados havia chovido até a última quarta-feira apenas 15.8 milímetros; em Rio Brilhante, por sua vez, as precipitações foram ainda menores. Choveu apenas 6.8 milímetros até o dia nove. Segundo Rodrigo Arroyo, normalmente a média de precipitações na região no mês de novembro é de 170 milímetros. Até o dia 15, pela lógica, teria que chover a metade, ou seja, aproximadamente 85 milímetros. Como se constata, as precipitações, pelo menos até o último dia 10, estavam bem abaixo do necessário.

A partir de agora, as lavouras de soja entram na fase de florescimento e, por isso, vai ser necessário muito mais água no solo, um volume bem maior de precipitações. Havia previsão de bom volume de chuva para este fim de semana.

HORA DE MONITORAR

Com o florescer das plantas da soja a partir de agora, os cuidados passam a ser redobrados com a fitossanidade. Normalmente, é a fase que começam a aparecer as lagartas nas plantas de soja. Se as chuvas realmente chegarem com intensidade, também pode aparecer a ferrugem, uma doença bem séria caso não seja detectada a tempo. É a fase em que os produtores e seus empregados devem estar alerta e fazer um trabalho sério de acompanhamento das lavouras, o monitoramento diário e permanente das plantas, para identificar, por exemplo, a ação das lagartas, mas principalmente, o surgimento da ferrugem asiática da soja que precisa ser combatida na fase inicial, sob pena de exigir muito mais em aplicações de defensivos, aumentando os custos de produção da lavoura.

“Enfim, agora, o sinal de alerta está ligado para os produtores de soja, principalmente em relação a escassez de chuva. Mas também para esse trabalho de acompanhamento visual das lavouras, para identificar doenças e pragas. Mais para o final do ciclo também podem aparecer os percevejos, e o produtor precisa estar atento a tudo isso”, complementou o pesquisador.

NÚMEROS

Conforme foi divulgado na quinta-feira passada pela Aprosoja/MS restavam naquela ocasião 15% da área total a ser plantada com soja em Mato Grosso do Sul, que deve atingir 2 milhões  550 mil hectares, segundo as previsões da entidade.Estimava-se nesse último levantamento da Aprosoja que foi plantado um total de 1,980 milhão de hectares de soja em MS até aquele momento. Ou seja, em uma semana, foi registrado plantio em 299.880 hectares. Neste fim de semana o plantio deve ter avançado bem, mesmo com o registro de chuvas em vários pontos do Estado.    

Nesta fase inicial da safra é arriscado fazer previsões com relação ao índice de produtividade que poderá ser obtido. As variações climáticas têm toda influência sobre esse dado, mas conforme opinou o  pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste, Rodrigo Arroyo Garcia, pela potencialidade do Estado e a experiência e estudos anteriores, a expectativa gira em torno de um rendimento de 3.000 quilos por hectare ou até 3.200 quilos por hectare. 

O presidente da Aprosoja/MS, Christiano Bortolotto, conversou com o Correio Rural na quinta-feira à tarde, falando lá da região sul. Ele demonstrava tranquilidade em relação à safra, embora reconhecesse  a necessidade que o mês de novembro seja mais chuvoso  para proporcionar um florescimento das plantas de soja mais seguro.  Demonstrou também um pouco de preocupação no sentido de que possa haver alguma perda de produtividade pelas baixas temperaturas registradas no final do mês passado, que causaram a Falsa Virose.


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