MS quer recuperar perdas de três safras em ano de La Niña

Agronegócio

MS quer recuperar perdas de três safras em ano de La Niña

Agricultores sul-mato-grossenses esperam ser menos afetados por falta de chuva que estados do Sul do Brasil
Por: -José Rocher
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Agricultores sul-mato-grossenses esperam ser menos afetados por falta de chuva que estados do Sul do Brasil

Os produtores de soja de Mato Grosso do Sul estão saindo de reuniões técnicas sobre o clima do verão aliviados. A previsão é que a região Sul do estado, que enfrentou quebra climática nas últimas três safras, seja pouco afetada por estiagens características de ano de La Niña. Os agricultores e agrônomos acreditam que a produção de grãos deve ser normal ou, se realmente faltar chuva, ter quebra de, no máximo, 5% a 10 %.

O estado manteve o plantio da soja em 1,77 milhão de hectares, apesar da pressão da cana e do aquecimento no preço do aluguel da terra, informa a Federação da Agricultura de Mato Grosso do Sul (Famasul). O milho de verão, destinado basicamente à silagem, ocupa 40 mil hectares. Sem alteração na área, a previsão é que a produtividade seja de 3 mil quilos e 5 mil quilos por hectare, respectivamente. “Nas últimas semanas, a chuva permitiu que o plantio fosse adiantado justamente na região que vinha sendo mais prejudicada pelo clima”, observa o agrônomo Leonardo Carlotto, da Famasul.

“Em ano de La Niña forte, falta menos chuva por aqui do que durante uma La Niña média. A previsão deste ano (de estiagens no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul) é melhor para nós”, afirma o produtor Everaldo Reis, que cultiva 870 hectares de soja em Naviraí, Sul do estado.

Os produtores dessa região estariam mais endividados que os demais. “Nos casos mais graves, vamos precisar de mais duas safras para nos capitalizarmos novamente”, afirma José Shirota, que teve perda total em 200 hectares de soja por causa de 40 dias de estiagem no verão de 2008/09.

Não há levantamento sobre as dívidas acumuladas no Sul do estado, mas a organização das cooperativas, a OCB-MS, atribui a esse problema a lentidão na estruturação de médias propriedades. O plano de instalar indústrias que agreguem valor aos grãos vem sendo adiado, afirma a superintendente da OCB-MS, Dalva Caramalac.

O plantio da soja chegou a 70% da área nesta semana no Sul de Mato Grosso do Sul. Em municípios que receberam menos chuva, como Ponta Porã (Oeste) e Chapadão do Sul (Nordeste), porém, o índice segue na faixa de 10%. O clima deve favorecer o cultivo na metade norte do estado a partir dos próximos dias, com expectativa de chuvas dentro da normalidade para esta safra.

A previsão de boa safra no Sul do estado beneficia as cooperativas paranaenses. C. Vale, Coamo e Lar recebem grãos da região, que usa a estrutura logística de exportação do Paraná. Cooperativas locais como a Copasul estão ampliando sua estrutura de recepção de grãos. As instalações da empresa, com capacidade total para 210 mil toneladas, vêm sendo ampliadas em 17% porque ficam lotadas ao final de cada colheita (no verão e no inverno).

Os produtores dizem que terão renda média, mesmo com produção normal, preços em alta e gastos com insumos 7% abaixo dos registrados ano passado. Eles relatam que as usinas de cana precisam de área cada vez maior, o que encarece o aluguel das terras, hoje em torno de 11 sacas de soja por hectare/ano ou perto de R$ 450 – 10% acima do valor praticado dois anos atrás. Além das 13 usinas em funcionamento, há 23 instalações programadas para os próximos dois anos. Cada usina abocanha cerca de 50 mil hectares para a cana, reduzindo pastagens e lavouras de grãos. Na disputa por área, a atividade que rende mais rouba espaço das demais.
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