MT começa atrair novas indústrias

Agronegócio

MT começa atrair novas indústrias

O secretário conduz as políticas públicas para o setor agrário e agropecuário no Estado
Por: -Eduardo Gomes
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Entrevista - Clóves Vettorato é uma espécie de pau pra toda obra do agronegócio mato-grossense. Antes de integrar o secretariado do governador Blairo Maggi presidiu as associações Aprosmat e Acrismat, respectivamente dos produtores de sementes e dos criadores de suínos, foi diretor da Fundação MT, alinhavou o Programa de Incentivo à Cultura do Algodão (Proalmat) e o Fundo de Apoio à Cultura do Algodão (Facual) e assessorou o Ministério da Agricultura.

Quando o FCO empacava, o BNDES endurecia, a Conab desconversava, o custeio agrícola era insuficiente ou alguma outra coisa falhava, o setor produtivo despachava Vettorato para arredondar a questão. No governo, Vettorato oficialmente foi secretário Extraordinário de Projetos Estratégicos e agora é titular da Secretaria de Desenvolvimento Rural (Seder), mas informalmente é um caixeiro viajante que "vende" a pontencialidade de Mato Grosso pelos quatro cantos do Brasil.

Diário de Cuiabá - Seu papel de atrair investidores o faz uma espécie de caixeiro viajante "vendendo" Mato Grosso Brasil afora...

Clóves Vettorato - Temos que entender que Mato Grosso é grande produtor de grãos, fibras e carne. Por outro lado ele é um grande mercado para máquinas, equipamentos, agroquímicos, fertilizantes e serviços voltados ao agronegócio. Então, dentro dessa equação, desse conceito, é que temos buscado atrair investimentos para Mato Grosso.

Diário - A economia tem que ocupar seus espaços da porteira para fora...

Vettorato - O que chamamos de antes da porteira da fazenda são as indústrias de agroquímicos, de fertilizantes, de máquinas e equipamentos que estão se instalando aqui para atender o mercado local e os mercados vizinhos. Exemplo disso é a Nortox, em Rondonópolis, que está produzindo agroquímicos; foi muito importante a vinda da Nortox, porque ela está balizando o preço dos agroquímicos no Estado, e ela teve um ganho de logística muito boa, transferiu isso ao produtor e balizou os preços das fábricas que não estão aqui no Estado. Temos também a Casp, instalada em Cuiabá, que produz equipamentos para avicultura e suinocultura. E recentemente foi inaugurada a Santana Têxtil em Rondonópolis, que está transformando nosso algodão em tecido, e na seqüência estimularemos as confecções para que se instalem aqui. E dentro da linha de diversificação vale salientar que Mato Grosso começa a ser endereço para usinas de álcool, açúcar cristal e biocombustível. Sempre que posso, enquanto secretário de Desenvolvimento Rural e também enquanto cidadão mato-grossense tenho a obrigação de onde for, levar a imagem de Mato Grosso, porque para o governo isso é atribuição, e para o cidadão, penso eu, isso é responsabilidade.

Diário - Como fica o empresariado que já está produzindo aqui?

Vettorato - É verdade... Não podemos pensar apenas em atrair empresários e investimentos de fora. Temos que estimular mais ainda aqueles que já estão aqui, procurando facilitar a vida do pequeno e do médio empresário de Mato Grosso, para que tenha licenças e financiamentos. É assim que trabalhamos, estimulando os empresários a tomarem recursos do FCO para alavancarem seus negócios. Esse é um trabalho incessante, contínuo, para retomarmos o crescimento da nossa economia, e isso não é somente responsabilidade de governo, mas de todos os cidadãos também.

Diário - Na visão do governo qual a linha que separa o agronegócio da agricultura familiar?

Vettorato - Na verdade temos o agronegócio empresarial e o agronegócio familiar. Na realidade são dois segmentos importantes para o Estado e não existe uma linha que divide o grande e o pequeno perante o Estado. Nós precisamos olhar os dois segmentos com a mesma atenção...

Diário - Mas a demanda dos dois é diferente...

Vettorato - É verdade. O grande precisa, às vezes, de um norte, de ser estimulado, precisa de infra-estrutura; o grande precisa de apoio institucional do governo, mas ele sabe correr atrás. Nós trabalhamos nesse sentido estimulando os segmentos importantes do agronegócio empresarial para que eles se organizassem através de entidades que os representassem efetivamente; desse incentivo nasceu a Aprosoja, que representa os produtores de soja, a exemplo da Ampa, que representa os produtores de algodão. Também oferecemos os meios para que a Aprosoja tivesse os recursos necessários e imprescindíveis para desenvolver as ações de interesses do segmento, e hoje já se mostrou que a Aprosoja efetivamente cumpre com seu papel, faz as gestões na questão da comercialização de seus produtos, na questão dos agroquímicos, da biotecnologia. Por outro lado, na questão do agronegócio familiar, aí sim o Estado precisa apoiar com ações, organizando as cadeias produtivas, dando apoio financeiro, estimulando, promovendo qualificação e assistência técnica e nesse sentido criamos mecanismos que tem continuidade. Quando assumi a Seder me dediquei a criar um programa para dar um rumo efetivo a área do agronegócio familiar.

Diário - Que programa é esse?

Vettorato - Em parceria com a Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM) nós estamos trabalhando na organização dos Consórcios Intermunicipais de Desenvolvimento Econômico e Socioambiental. Já conseguimos formar 10 consórcios com 119 municípios e ainda criaremos outros quatro consórcios. Qual é o objetivo desses consórcios? O objetivo é que eles discutam suas prioridades, suas cadeias produtivas e aquilo que é de interesse da região, para que identifiquem negócios e segmentos que precisam receber atenção prioritária para gerar emprego e renda na região.

Diário - Qual o papel do governo junto a esses consórcios?

Vettorato - A partir da formação desses consórcios o governo vai ao encontro deles com o Programa MT Regional, que nada mais é do que a integração das diversas secretarias voltadas para o atendimento às diversas demandas regionais ajudando destravar as questões econômicas dos municípios e facilitando as vidas das pessoas.

Diário - O Intermat implementa um programa de reforma agrária muito elogiado pelo governador Blairo Maggi...

Vettorato - Na realidade, dentro do Intermat se criou o Programa "Nossa Terra, Nossa Gente", pelo qual o Estado revertia para as diversas regiões os recursos das taxas cobradas na regularização fundiária, adquirindo terra, estruturando-a com casa, energia, estrada de acesso e as distribuindo às famílias com vocação para a terra. Esse programa cumpriu efetivamente uma lacuna que existia e assentou quase três mil famílias, mas agora está reduzido em função da crise do agronegócio, porque a receita de taxa de regularização fundiária do Intermat caiu, e nós demos um tempo até que o problema de caixa seja restabelecido e a gente possa retomar as ações. Agora, o grande canal de acesso a terra é o Programa "Crédito Fundiário"; por ele foram liberados vários assentamentos e assentadas inúmeras famílias, e temos no banco projetos para 764 famílias, e até o final desse ano serão contempladas mais 599 famílias, e até janeiro de 2007 fecharemos a programação com o assentamento de 2.174 famílias. O produtor é selecionado para o programa após ser entrevistado e avaliado para saber se realmente tem condição de adquirir a parcela de terra com financiamento do Crédito Fundiário, porque ele terá que pagar pela terra a longo prazo, mas praticamente sem juros e com algum subsídio do governo federal. Queremos acoplar ao Crédito Fundiário algumas ações do Nossa Terra, Nossa Gente. Queremos ver se será possível fundir os dois programas, porque às vezes o interessado adquire a terra, mas fica sem recursos para infra-estrutura como água, pequena agroindústria, estrada, casa, porque às vezes exaure todos os recursos na compra da terra, o que inviabiliza sua produção para sua subsistência e o pagamento do financiamento. Por isso, queremos essa parceria com o governo federal para melhorar o programa do Crédito Fundiário transformando esses assentamentos para que efetivamente possam gerar renda e dar sustenção aos seus parceleiros.

Diário - O Indea já tem o índice da etapa de vacinação de novembro/dezembro dos bovinos de mamando a caducando contra a aftosa?

Vettorato - Ainda não fechamos os números da última campanha da vacinação contra a febre aftosa, mas presumo que não reduziremos o índice de quase 100% da cobertura vacinal, e Mato Grosso está há quase 11 anos sem nenhum foco de febre aftosa.

Diário - A luta contra a aftosa é uma parada...

Vettorato - No Indea temos um grupo de pessoas comprometido com a defesa sanitária; é claro que eventualmente não estamos livres de qualquer problema nesse sentido, mas estamos fazendo todos os esforços para mantermos Mato Grosso indefinidamente livre da febre aftosa com vacinação. E também estamos trabalhando junto com os empresários na questão da avicultura e da suinocultura para evitarmos sinistro de gripe aviária, peste suína ou de outras doenças que possam atingir a avicultura e a suinocultura.

Diário - Alguma novidade para fechar ainda mais o cerco sanitário?

Vettorato - Temos dois programas muito interessante para serem implantados no próximo ano. Um relacionado à análise de risco, e outro sobre a segurança sanitáriia. Nos primeiros meses de 2007 deveremos interligar on-line todas as unidades locais e regionais do Indea. Pela internet teremos em tempo real as informações do Indea e com isso estaremos dotando e estruturando o Indea para que possa continuar desempenhando bem suas funções.

Diário - A Empaer passou maus momentos...

Vettorato - Quando Blairo Maggi assumiu o governo a Empaer estava desmontada, desestruturada e desmotivada. Aréssio Paquer assumiu sua presidência e fez um grande esforço para equacionar essas dívidas e se negociou um passivo muito grande, e hoje a Empaer está saneada, mas é bom deixar claro que nem todos os seus problemas foram resolvidos, porque na realidade ela tem um contingente de funcionários muito aquém de suas necessidades, todavia o Estado tem limitações para suprir essa necessidade. Nós estamos potencializando o trabalho da Empaer junto aos Consórcios Intermunicipais, acoplando seu trabalho com as secretarias de Agricultura dos municípios e tentando otimizar sua assistência técnica. Além disso, a Empaer desenvolve alguns trabalhos extraordinários como o Programa "Vida Nova", de subsistência familiar em áreas de 1,2 hectare, onde uma família tem condições de produzir todas as suas necessidades básicas de alimentação. A Empaer também tem um laboratório para a produção de Metarhizium anisopliae para o combate à cigarrinha. Estamos finalizando a montagem de um laboratório de micropropagação, ou clonagem para desenvolvermos mudas de bananas e outras frutíferas.

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