MT pode ampliar exportação de grãos em 20 milhões de toneladas até 2022

Agronegócio

MT pode ampliar exportação de grãos em 20 milhões de toneladas até 2022

Projeções indicam crescimento de 73% nas exportações
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O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA) estima que a exportação de grãos no estado pode chegar a 20 milhões de toneladas, ampliando a produção para 39 milhões de toneladas ao ano, a partir da safra 2022, o que representaria um aumento de 73% e 83%, respectivamente. O balanço positivo realizado pelo instituto levou em consideração os investimentos em infraestrutura, sobretudo na construção do porto de Morrinhos, a 80 quilômetros de Cáceres, e na ampliação da ferrovia Senador Vicente Vuolo (Ferronorte), que ligará Porto Velho (RO) e Santarém (PA) e terá um ramal que cruzará Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo, com destino final no Porto de Santos (SP).

 
O novo terminal portuário, que tem apoio dos governos federal e estadual, será uma importante referência logística e econômica, tornando-se ponto crucial para escoamento em grandes embarcações da produção de grãos pela hidrovia Paraguai-Paraná. Além disso, o empreendimento deve atender pontualmente a toda demanda do setor na região. Outro benefício significativo da utilização da hidrovia é a geração de empregos e renda. Como referência logística, com o Porto de Morrinhos a hidrovia Paraguai–Paraná será uma alternativa viável ao saturado Porto de Santos, em São Paulo. Considerado o maior da América Latina atualmente, responde sozinho por 58% do escoamento da produção de soja e 69% do milho de Mato Grosso para outros estados do País e exterior.
 
Nos trilhos

 A Ferronorte, em processo avançado de instalação, concluiu sua primeira fase de obras: completou o percurso de 260 quilômetros do Alto do Araguaia (MT) até o complexo intermodal de Rondonópolis (MT), que terá capacidade de carregamento de 10.000 toneladas em seis horas. O prolongamento do empreendimento à capital mato-grossense e a licitação da Ferrovia Integração Centro-Oeste (Fico) estão programadas para este ano.
 
Ambos os empreendimentos vão aumentar a produtividade das cidades do Centro-Oeste, reduzir o valor dos fretes e otimizar a distribuição da produção agrícola.  Vale ressaltar que, comparado aos demais estados, Mato Grosso possui um dos custos mais altos de fretes. Produtores chegam a desembolsar cerca de U$ 145 por tonelada, para transportar grãos até o porto mais próximo. Segundo o IMEA, a hidrovia Paraguai–Paraná deverá reduzir em 25% esses valores, alavancando a competitividade do estado, tornando-o um dos principais produtores e exportadores de soja, milho e algodão no Brasil.

 
Para Carlos Henrique Fávaro, presidente da Aprosoja (Associação dos Produtores de Soja e Milho), a diversificação dos modais de transporte em Mato Grosso é fundamental para sustentar o crescimento econômico da região. “A hidrovia e a ferrovia vão desafogar as estradas da região, os portos do Sul e Sudeste e reduzir exponencialmente o custo do frete.”, garante Fávaro.
 
Preços atrativos

 Os empreendimentos têm tornado cada vez mais atrativas cidades distantes dos grandes centros, mas com potencial de crescimento. Cáceres, a 215 quilômetros da capital Cuiabá, é um dos exemplos. O município mato-grossense, conhecido pela atividade pecuarista, tem chamado a atenção dos empresários pelos valores atrativos das terras rurais. Favorecidos pela topografia, regularidade climática e solo propício para agricultura, os lotes estão sendo negociados por cerca de R$ 7.500,00 por hectare, segundo Neto Gouveia, secretário de Agricultura de Cáceres e vice-presidente da FAMATO (Federação de Agricultura e Pecuária do Estado do Mato Grosso). Para efeitos de comparação, no município de Sorriso, a 556 quilômetros de Cáceres e 412 quilômetros de Cuiabá, um lote de terra com as mesmas condições para plantio é negociado por R$ 30.000,00, uma diferença que pode chegar a 400%. Importante lembrar que, as áreas disponíveis para plantio, em Cáceres, não precisarão ser desmatadas de modo que a maior parte destas terras eram usadas pela pecuária.
 
Localizada na região Oeste de Mato Grosso, o município já possui dois terminais portuários para escoamento da produção por meio de comboios e vai receber a liberação para construção do novo porto, que comportará comboios maiores, já em 2014. Francis Maris Cruz, prefeito de Cáceres, explica que os investimentos vão alavancar o desenvolvimento de toda a região. “Os valores competitivos, atrelados aos investimentos públicos em infraestrutura logística, como o novo terminal na hidrovia Paraguai–Paraná, vão gerar oportunidades de emprego, instalação de novas empresas, além de aumentar o portfólio de produtos de importação e exportação, abrangendo um novo ciclo de crescimento para a região”, comenta.  

 
A chegada de novos empreendimentos também está atraindo empresas já instaladas no Brasil para a região. A gaúcha Grendene, tradicional fabricante de sandálias, por exemplo, está atenta às oportunidades e diversificando seu portfólio ao investir na produção rural. “O principal motivo é a posição estratégica da cidade e a construção do Porto de Morrinhos, que será fundamental para o escoamento de nossos produtos”, explica Wilson Corrêa, diretor de Agropecuária da Grendene, que possui uma área de 5.000 hectares em Cáceres, e espera produzir nos próximos anos entre 50 a 55 sacos de grãos de soja por hectare, equivalente a 40.000 toneladas.
 
Produção agrícola

 Os dados atuais de produção e exportação de soja demonstram o otimismo dos empresários. Segundo pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), só em 2012, Mato Grosso produziu 21 milhões de toneladas do grão, sendo o maior produtor nacional. Com representatividade de 29,2% na safra total brasileira, que foi de 65 milhões de toneladas, a expectativa é que, em 2022, o estado responda por 40% da produção.
 
Segundo o IMEA, a produção total de grãos no Mato Grosso deverá crescer 78% em dez anos, chegando a 68 milhões de toneladas contra os 38 milhões da safra de 2012. O Brasil deve alcançar 222,3 milhões de toneladas, com potencial para chegar a 274,8 milhões de toneladas em 2022, de acordo com estudo Projeções do Agronegócio 2012/13 a 2022/23 do Ministério da Agricultura. Atualmente, o País produz 185 milhões de toneladas de grãos ao ano.

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