MT pode não sentir mudança
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Agronegócio

MT pode não sentir mudança

Endividamento tende a impedir o produtor local de ter acesso a novas faixas de renda do Fundo
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Ampliação na classificação de mini, pequeno e médio produtor contempla a realidade regional, porém dívidas do segmento pode restringir o número de agricultores com recursos do FCO Rural
O endividamento dos produtores rurais de Mato Grosso deve impedir o setor de ser beneficiado de forma completa pelas alterações nas regras do Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste, o FCO Rural, anunciadas para 2012. O Estado tem disponível este ano R$ 741 milhões do Fundo para atender o setor do agronegócio. Porém, a ampliação nas faixas de renda dos produtores visando facilitar o acesso a esse recurso, apesar de positiva, tende a beneficiar apenas uma parte do segmento.

Anteriormente, agricultor que contava com uma renda de até R$ 150 mil era classificado como mini. Agora, estão concentrados na categoria aqueles com rendimentos até R$ 360 mil. A taxa nessa estratificação é de 5% ao ano. A renda do pequeno que variava entre R$ 150 mil a R$ 500 mil, foi elevada para até R$ 3,6 milhões, com juros de 6,75% ao ano.

Pelas regras antigas, eram considerados grandes produtores quem tinha faturamento que atingisse R$ 1,9 milhão ao ano. A partir de 2012, o valor passou para mais de R$ 90 milhões, com juros de 8,5% ano. Como forma de exemplificar as alterações, o produtor que possui uma área de 1 mil hectares, era considerado de grande porte. Na nova tabela, entra na faixa de pequeno-médio e tem acesso a recursos com taxas de 7,25%.

Essa mudança específica é tida como significativa já que em Mato Grosso as propriedades possuem em média entre 1,5 mil a 2 mil hectares.

Realidade Estadual - Na opinião do diretor administrativo da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja), Róger Augusto Rodrigues, a mudança é muito interessante, pois fará com que o produtor consiga taxas menores nos financiamentos. No entanto, frente ao endividamento dos produtores de Mato Grosso essas mudanças se tornam indiferentes. "É indiscutível que é um grande avanço para o setor, mas enquanto o problema de endividamento não for resolvido, o produtor não pode desfrutar de tais mudanças".

Segundo ele, os produtores rurais no Estado que tentam quitar seus débitos, mas encontram dificuldades devido a taxa de juros, que inviabiliza a quitação dos valores. "Nós produtores precisamos que a dívida seja recalculada, oferecendo juros mais baixos, para que assim ela possa ser negociada e o produtor passe a desfrutar dessa nova oferta do FCO", conclui.

Já na opinião do vice-presidente do Sindicato Rural de Sinop, Antônio Galvan, essa mudança é significativa para o produtor, uma vez que a renda aumentou e a taxa continua a mesma, o produtor pode ter acesso a mais recursos com taxas menores, porém é necessário resolver descentralizar do Banco do Brasil esse crédito. "Todo ano é falado que sobre dinheiro para o setor, e sobra, mas isso acontece porque o valor disponibilizado fica restrito ao BB. Isso prejudica o produtor já que o banco não facilita o acesso", explica.

Na opinião dele é um grande passo essa mudança nas taxas e rendas no FCO, porém não muda a realidade do produtor. O FCO Rural é destinado a melhorias no setor de armazenagem, recuperação e reforma de pastagens, áreas degradadas, reserva legal e licenciamento ambiental dos imóveis rurais.
 
O FCO Rural é destinado a melhorias no setor de armazenagem, recuperação e reforma de pastagens, áreas degradadas, reserva legal e licenciamento ambiental dos imóveis rurais.

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