Agronegócio

MT registra focos de ferrugem “menos agressivos” neste ano

Incidência considerada menos ofensiva, até o momento, é atribuída ao "vazio sanitário"
Por: -Marcondes Maciel
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A Associação dos Produtores de Soja do Estado de Mato Grosso (Aprosoja/MT) já detectou o surgimento dos primeiros focos da doença fúngica, a ferrugem da soja em lavouras da safra 2006/07, “mas com intensidade menor” em relação aos registrados no ano passado. Até agora oito municípios de Norte a Sul registram a doença.

Os técnicos acreditam que isso ocorreu por causa do “vazio sanitário”, que diminuiu a quantidade de inóculos (poros da doença que ficam na planta) e às condições climáticas (falta de chuvas), que não são favoráveis ao desenvolvimento da doença. O ‘vazio’ proíbe o cultivo da oleagionosa por 90 dias, durante o período de entressafra, para evitar a ponte verde. A medida está unificada no Estado, por meio da Instrução Normativa 001/2006, e vigora de 15 de junho a 15 de setembro.

“Os produtores estão atentos e já fizeram a aplicação preventiva de fungicidas nas lavouras”, informa o diretor administrativo da Aprosoja/MT, Ricardo Tomcyzk. No ano passado, os produtores mato-grossenses gastaram cerca de R$ 1 bilhão com a aplicação de fungicidas, que tem um custo médio de US$ 70 por hectare (ha).

“O governo federal vai ter que entender que existe uma epidemia no campo. Sem uma intervenção oficial, a doença pode tomar uma proporção maior em Mato Grosso”, alerta Tomcyzk. Os produtores acreditam que só é possível enfrentar a ferrugem asiática se houver uma ação efetiva da União que os possibilitem fazer um melhor controle e monitoramento das lavouras.

Proibição - O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento deverá publicar até o próximo ano uma instrução normativa proibindo o plantio de soja entre os meses de junho e setembro de 2007 em todo o Brasil em áreas próximas a pivôs centrais, e exigir a destruição da tigüera (soja voluntária) nas áreas produtoras.

A medida é voltada para impedir o avanço da ferrugem asiática nas lavouras brasileiras e tem por objetivo impedir a sobrevivência do fungo na entressafra, uma vez que a umidade favorece a proliferação da doença. A instrução deve entrar em vigor concomitantemente com legislações estaduais, para que o período de vazio sanitário seja igual entre os maiores produtores do grão.

Medidas nesse sentido já foram tomadas em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás, o que leva a crer que, neste ano, a doença não deve ter um impacto tão destrutivo como em anos anteriores. O argumento é embasado na aplicação de fungicidas nas lavouras do Centro-Oeste brasileiro, que passou de quatro para duas, em média.

De acordo com os técnicos, os casos de ferrugem em 2005 ganharam grandes proporções por conta do atraso na aplicação de fungicidas, problema causado pela descapitalização dos produtores.

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