Mudança climática exige avanço da pesquisa agrícola
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Agronegócio

Mudança climática exige avanço da pesquisa agrícola

Evento em Belo Horizonte destaca também a questão da água
Por: -Janice
Evento em Belo Horizonte destaca também a questão da água

A análise dos possíveis cenários climáticos e hidrológicos futuros é fundamental para gerar conhecimento e as informações necessárias ao convívio da agropecuária com as alterações climáticas previstas. Esta avaliação é do secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais, Gilman Viana Rodrigues, que considera de grande importância a realização, em Belo Horizonte, da 15ª Sessão da Comissão de Meteorologia Agrícola, a primeira que a Organização Meteorológica Mundial (OMM) promove na América do Sul.

Os trabalhos foram abertos dia 15, no Minascentro, e prosseguem até o dia 21, quarta-feira. Segundo o secretário, os cientistas poderão acrescentar às suas propostas os dados apresentados no Workshop Internacional sobre a Crise de Sobrevivência dos Produtores Rurais: Serviços de Clima e Tempo, realizado entre os dias 12 e 14 de julho também no Minascentro. O evento contou com o apoio da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), e da Secretaria de Ciência e Tecnologia (Sectes). Participaram também da organização a Universidade Federal de Viçosa (UFV) e o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

De acordo com Gilman Viana, os especialistas advertiram mais uma vez, no workshop, que a região tropical está entre as que serão mais afetadas pelas mudanças climáticas. “Os problemas se avolumam e a questão deve ser analisada com base na previsão de uma população global superior a 8 bilhões de pessoas até 2030. Neste cenário, a demanda de alimentos será incrementada em 50% na comparação com os volumes atuais.”

Por isso, ainda de acordo com o secretário, é necessária a busca da integração mundial para criar políticas agrícolas e novas ferramentas para divulgação de produtos e serviços, especialmente em regiões mais vulneráveis às condições meteorológicas ou com condições climáticas extremas. “É indispensável a pesquisa e inovação na modelagem de novos processos e produtos para a expansão da produção”, acrescenta.

O programa do workshop incluiu apresentações sobre as perspectivas de cada um dos continentes, África, Ásia, Austrália, Europa e América. Foram realizadas também palestras sobre experimentos com culturas específicas para situações de calor excessivo e seca, além dos meios que podem ser utilizados para a redução dos impactos do clima na produção rural. Fez parte ainda da programação, entre outros temas, a apresentação de estratégias de gestão das águas diante de situação climática adversa.

Mudanças profundas

De acordo com os cientistas, sem profundas mudanças no modo de produção e vida das pessoas serão inevitáveis os efeitos do aquecimento global, e o secretário Gilman Viana explica que, entre as consequências, está o aumento do volume de chuvas bem como o agravamento das secas. “A desorganização do clima fragiliza principalmente as plantas e os sistemas de produção atualmente existentes”, observa.

Será necessária a adaptação de plantas e animais às novas situações geradas pelo aquecimento global. Neste caso estão incluídos trabalhos genéticos e estudos para ajustar as plantas a ciclos mais curtos ou variáveis de chuva, e sobretudo desenvolver plantas mais resistentes às secas. Outra proposta apresentada no workshop é o aumento de uso da irrigação, associado a um melhor manejo da água, incluindo a conservação e acumulação de água, associada à redução de quantidade de água usada na produção.

As mudanças climáticas aumentam as dificuldades para a atividade rural. Por isso os cientistas enfatizam que é preciso criar instrumentos e políticas para a permanência do produtor na atividade. Segundo o secretário, é justo que o empresário rural tenha a contrapartida pela realização de serviços ambientais incorporados às suas atividades. “Até agora, os produtores têm feito isso com recursos próprios”, assinala Gilman Viana. “Um desses serviços é o sequestro de carbono e o outro é a melhoria da condição da água e do solo. Além disso, espera-se que ele plante essências nativas para recompor a biodiversidade e cultive florestas de produção para reduzir a pressão sobre as matas nativas.”

Para Gilman Viana, o empresário rural deve ser remunerado pelos resultados dos serviços gerados por essas ações de interesse da sociedade, porque ele está deixando de ser apenas produtor de alimentos para ser gestor ambiental em seu espaço rural. As informações são de assessoria de imprensa.


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