Mudança no Financiamento do PRONAF prejudica mais de 165 mil pequenos produtores de tabaco da Região Sul

Agronegócio

Mudança no Financiamento do PRONAF prejudica mais de 165 mil pequenos produtores de tabaco da Região Sul

Segundo Jonas Jochims, no artigo 1º, o texto é contraditório e problemático
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Segundo Jonas Jochims, no artigo 1º, o texto é contraditório e problemático

Mais de 165 mil pequenos produtores rurais de tabaco da região Sul foram prejudicados pela resolução 4.513/16 do Banco Central, segundo representantes da Comissão Nacional dos Empreendedores Familiares Rurais da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). A resolução altera as disposições do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), de que trata o capítulo dez do Manual de Crédito Rural (MCR). O assunto foi abordado em reunião da Comissão na tarde de terça-feira (18/10), em Brasília.

Segundo o assessor técnico da Comissão, Jonas Jochims, no artigo 1º, o texto é contraditório e problemático para os produtores de tabaco, ao determinar que “os itens financiados se destinem a fomentar a diversificação das atividades geradoras de renda da unidade familiar produtora de fumo, vedado o financiamento para construção, reforma e manutenção das estufas para secagem do fumo ou de uso misto, para a secagem do fumo e de outros produtos”.

Para o representante da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Rio Grande do Sul - FARSUL, Marco Antonio Santos, esse texto cria dificuldades para os produtores acessarem ao Pronaf.  De acordo com ele, a área média de uma propriedade que produz tabaco no Sul, região que concentra 150 mil famílias de produtores da cultura, é de 16,1 hectares. “Em apenas 2,5 hectares são produzidos o tabaco. Em 3,5 são produzidos milho para subsistência e ração animal. Ocorre que, para tirar a DAP (Declaração de Aptidão ao Pronaf), o produtor tem que apresentar no projeto técnico um percentual de mais 20% de outras culturas, com novos custos”, observou. E acrescentou: “A resolução em vigor aumenta esse percentual para os anos seguintes”. 

O representante da Federação de Agricultura e Pecuária do Estado do Paraná - FAEP, Mesaque Veres, comentou que até as empresas que produzem esse tipo de secador já estão em dificuldades. “O faturamento mensal era de R$ 1,5 milhão com o uso de secador misto. Como foi vedada, a rentabilidade caiu para R$ 700 mil, pois os produtores não estão fazendo mais esse investimento. Além de prejudicar o produtor, que vai acabar saindo do campo, cria desemprego na região”, ressaltou.

Hoje, a renda do tabaco, conforme a produtividade é de 54% a 70% da renda bruta da família.  São R$ 22 mil reais, em média, por hectare de tabaco. “A política impede que o produtor rural plante 50% de tabaco e 50% de outras culturas na condição atual. Pois a renda não seria a mesma. Na proporção por hectare, o milho daria R$ 7.000 de rentabilidade”, finalizou Veres.


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