Não há crise que ganhe dos vinhos argentinos

Agronegócio

Não há crise que ganhe dos vinhos argentinos

Estados Unidos já é o principal destino das exportações dessa bebida
Por: -Alfredo Sainz
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Estados Unidos já é o principal destino das exportações dessa bebida

Se há um ditado que todo mundo já cansou de escutar nos últimos anos foi que, para os chineses, a palavra “crise” é representada pelo mesmo ideograma que “oportunidade”. Mas apesar de ser repetida milhões de vezes, são muito poucos os que conseguiram converter a sentença em algo além de uma frase feita. Uma das exceções é a indústria de vinhos argentinos. No final de 2008, o banco norte-americano Lehman Brothers se declarou falido e desencadeou um fenomenal desastre em todo o sistema financeiro global, e se dava como certo que todas as empresas que exportavam para o mercado norte-americano iam sofrer o impacto, em especial as que trabalhavam com produtos mais sofisticados, como o vinho. No entanto, nestes últimos anos, as vinícolas locais não somente não viram cair suas vendas para os Estados Unidos como acabaram aumentando suas exportações em volume e em dólares, e além disso, estão ganhando participação de mercado às custas dos vinhos da Califórnia e do resto do mundo. Segundo um estudo da consultora Caucasia, desde que a crise nos Estados Unidos se desencadeou, em setembro de 2008, as exportações argentinas de vinhos cresceram 55% e o país se consolidou como o principal comprador para as vinícolas locais e o segundo no mercado em preço de garrafa, atrás somente do Canadá. “Os Estados Unidos é o principal mercado para a Argentina, e entre janeiro e setembro cresceu 20% em relação ao ano passado, enquanto que no caso pontual de nossa vinícola, chegou a crescer 25%”, explicou Guillermo Barzi, diretor comercial da vinícola rionegrina Humberto Canale.

Preço/ qualidade

Nos Estados Unidos, o mercado está mais concentrado nas duas costas e em algumas grandes cidades como Chicago e Miami, onde a opção dos vinhos argentinos aparece como uma boa combinação de preço e qualidade. “O segmento que mais cresce nos Estados Unidos é o dos vinhos que custam entre 10 e 20 dólares, porque pela crise, muitos consumidores se viram obrigados a baixar de categoria e nessa transição estão descobrindo os vinhos argentinos”, explicou Jean-Edouard de Rochebouët, diretor geral da vinícola Atamisque, de Mendonza.

O novo malbec

Como acontece em praticamente todas as regiões, o malbec é a principal carta de entrada da Argentina no mercado vitivinícola. “O malbec, que até pouco tempo era desconhecido nos Estados Unidos, é o que está abrindo os caminhos, embora esperamos poder ver mais cabernet sauvignon, petit verdot e até algum bonarda argentino na mesa de alguns restaurantes”, disse Ricardo Valero, gerente de exportações da Ruca Malen. O potencial do bonarda argentino é dividido com a vinícola Dante Robino. “No nosso caso, o varietal bonarda tem crescido notavelmente nos Estados Unidos e este ano lançamos um torrontés exclusivo para esse mercado”, explicam na vinícola.

Concorrência trasandina

No início, o vinho argentino cresce às custas dos produtos provenientes da zona euro – como as marcas espanholas e francesas, embora a avançada zona de Mendonza também estão sofrendo com os competidores do Novo Mundo. “Nos Estados Unidos já concorremos com produtores como o Chile; já superamos o Canadá”, destacou Jimena Molina, diretora comercial da Finca Flichman, a vinícola de Mendoza do grupo Sogrape, que aproveita a plataforma de distribuição que seu acionista majoritário tem, o grupo Sogrape, para comercializar os vinhos de suas distintas empresas nas regiões importantes como a de Nova Iorque.
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